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Resíduos na carne: veterinário alerta sobre carência de medicamentos no rebanho

Resíduos na carne: veterinário alerta sobre carência de medicamentos no rebanho


Antiparasitários e antimicrobianos, em particular, possuem um período de carência que deve ser rigorosamente respeitado. Esse alerta está sendo amplamente reforçado pela indústria e pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Assista ao vídeo abaixo e entenda melhor este desafio.

Nesta sexta-feira (18), o programa Giro do Boi entrevistou o médico-veterinário Carlos Oliveira, especialista corporativo em Saúde e Bem-Estar Animal na Friboi.

Ele destacou a importância das boas práticas de produção e da administração correta dos produtos veterinários para garantir a qualidade e segurança do produto final que chega à mesa do consumidor.

Período de carência: fundamental para a qualidade e segurança

Foto: Wenderson Araujo/CNA

O período de carência é o tempo necessário para que um medicamento veterinário seja completamente eliminado do organismo do animal após o término do tratamento. Respeitar esse período é crucial por diversas razões:

  • Qualidade do produto: Garante que possíveis resíduos de medicamentos não permaneçam no músculo do animal, assegurando uma carne segura e de alta qualidade para o consumo.
  • Saúde do consumidor: Protege a saúde pública, prevenindo a ingestão de resíduos que podem ser prejudiciais.
  • Acesso a mercados: O cumprimento rigoroso das normas sanitárias nacionais e internacionais é vital para manter e expandir o acesso a diversos mercados consumidores, evitando barreiras comerciais.

As boas práticas de produção, que incluem a administração correta de produtos veterinários, são um conjunto de normas e procedimentos que devem ser seguidos à risca para assegurar a qualidade e a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva da carne.

Boas práticas na administração de medicamentos

Foto: Canva

Para administrar produtos veterinários de forma consciente e segura, os pecuaristas devem adotar as seguintes medidas:

  • Treinamento da equipe: É essencial orientar os funcionários sobre como interpretar corretamente as informações contidas na bula dos medicamentos, especialmente o período de carência. Explique a importância de usar a dose recomendada, cumprir o tratamento conforme prescrito pelo veterinário e evitar aplicações indiscriminadas.
  • Compra consciente: Adquira somente produtos que estejam devidamente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), garantindo a procedência e a qualidade.
  • Identificação e registro: Anote no frasco, de forma visível, o período de carência de cada medicamento utilizado. Além disso, identifique e registre claramente todos os animais tratados, mantendo um histórico detalhado.
  • Carta de garantia do produtor: Preencha e assine esse documento com total responsabilidade, declarando que todas as normas e procedimentos foram rigorosamente cumpridos na sua propriedade.

Atenção no embarque e uso racional de antiparasitários

Foto: Canva

É fundamental conferir se o período de carência de cada animal foi integralmente cumprido antes do embarque para o abate.

Os animais só podem ser comercializados e encaminhados ao frigorífico após o cumprimento total desse período. Evite embarcar animais adquiridos de terceiros recentemente antes que eles tenham permanecido em sua propriedade por, no mínimo, quatro meses.

O uso racional de antiparasitários na pecuária tem três objetivos principais:

  • Promover a saúde dos animais e, consequentemente, aumentar a rentabilidade da produção.
  • Reduzir a contaminação do ambiente por resíduos de produtos químicos.
  • Evitar a presença de resíduos nos produtos destinados ao consumo humano, garantindo a segurança alimentar.

Checklist para evitar a resistência parasitária

Foto: Reprodução/Giro do Boi

Para aumentar a eficácia dos produtos e evitar o surgimento e a disseminação da resistência parasitária, siga alguns cuidados práticos essenciais:

  • Determinar corretamente o peso dos animais: Pesar os animais de forma precisa evita tanto a subdosagem (que pode não ser eficaz) quanto a superdosagem (que pode gerar mais resíduos e custos desnecessários), otimizando o tratamento.
  • Realizar o tratamento estratégico: Adeque o esquema de tratamento às condições climáticas da região. Tratamentos realizados na seca, por exemplo, tendem a ser mais eficazes devido à menor reinfestação dos parasitas.
  • Tratar animais jovens: Os animais mais jovens sofrem mais com verminoses e respondem com ganhos de peso expressivos quando tratados de forma estratégica.
  • Acompanhar a eficácia: Realize exames de fezes para quantificar a carga de ovos de vermes e monitore a eficiência dos vermífugos utilizados.
  • Manejar a lotação animal: Evite a superpopulação nos piquetes para reduzir a taxa de contaminação por larvas de parasitas.
  • Evitar o surgimento de resistência: Respeite o intervalo correto de utilização dos medicamentos e sempre pese os animais. A rotação e associação de princípios ativos devem ser feitas exclusivamente sob supervisão veterinária.
  • Cuidado com animais adquiridos: Ao introduzir novos animais no plantel, realize um exame parasitológico prévio para evitar a introdução de cepas resistentes de parasitas na sua propriedade.

Em unidades de confinamento e terminação a pasto, o respeito aos períodos de carência é de vital importância para a qualidade do produto final e para o cumprimento das normas sanitárias.

O comprometimento do produtor garante que a qualidade da carne esteja, literalmente, em suas mãos, de ponta a ponta da cadeia produtiva. Clique aqui e entenda melhor as boas práticas com os bovinos de corte com um e-book exclusivo.



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