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Operação Carbono Oculto mira fintechs e empresas ligadas a esquema no mercado de combustíveis

Operação Carbono Oculto mira fintechs e empresas ligadas a esquema no mercado de combustíveis


A segunda fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira (28) em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Segundo o Ministério Público e a Receita Federal, a apuração investiga uma estrutura financeira ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis, com suspeitas de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de produtos. Os investigadores apontam movimentação de ao menos R$ 26 bilhões desde 2022.

Ao todo, a operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas. Entre os alvos estão endereços na Avenida Brigadeiro Faria Lima e em outras áreas empresariais de São Paulo, além de imóveis e empresas em Barueri, São José do Rio Preto, Santos, Arujá, Atibaia, Cascavel, Paranavaí, Iguatemi, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

De acordo com a investigação, seis fintechs passaram a ser alvo central da apuração após a primeira fase da operação, realizada em agosto de 2025. Segundo a Promotoria, essas empresas eram usadas em compensações financeiras entre distribuidoras e postos de combustíveis, transferências entre empresas e fundos de investimento e pagamento de despesas atribuídas aos operadores do esquema.

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As apurações indicam que as seis instituições investigadas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Em um dos casos, uma empresa teria recebido mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie entre 2022 e 2024, prática apontada pelos investigadores como incomum para instituições de pagamento.

A Receita Federal informou ainda que, até 2025, instituições de pagamento não eram obrigadas a entregar a e-Financeira, declaração periódica com dados de movimentações de clientes. Após o avanço da operação, mais de 450 instituições passaram a enviar essas informações desde agosto de 2025. Segundo os investigadores, três das fintechs alvo declararam cerca de R$ 8 bilhões em movimentações entre janeiro e dezembro de 2025, enquanto outras três serão autuadas por não apresentar a documentação obrigatória.

A investigação tem reflexo sobre o setor de combustíveis porque envolve suspeitas de adulteração, evasão tributária e distorções concorrenciais em uma cadeia que influencia transporte, distribuição e custos operacionais. Para o agro, o comportamento desse mercado afeta especialmente frete, abastecimento e despesas com diesel e derivados. A reportagem do Estadão informou que procurou os grupos citados e que o espaço segue aberto para manifestação.

O desdobramento da operação depende da análise do material apreendido e da evolução das autuações fiscais e financeiras. Até o momento, os órgãos responsáveis não divulgaram estimativas oficiais sobre eventual impacto no abastecimento ou nos preços dos combustíveis.

Fonte: Estadão Conteúdo

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