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Dirigente do Fed admite juros mais restritivos se choque de energia persistir

Dirigente do Fed admite juros mais restritivos se choque de energia persistir


A vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman, afirmou nesta sexta-feira (29), na Conferência Econômica de Reykjavík de 2026, na Islândia, que a persistência do choque de energia ligado à guerra no Oriente Médio pode exigir uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos. Segundo ela, interrupções prolongadas no abastecimento de petróleo podem ampliar os efeitos inflacionários além de um impacto temporário.

Bowman disse que o cenário central ainda considera que, com a resolução do conflito, os problemas de oferta de petróleo tendem a diminuir, limitando o efeito sobre a inflação e reduzindo impactos sobre a atividade econômica. No entanto, ela ponderou que, se as interrupções avançarem pelo segundo semestre, o Fed poderá começar a observar efeitos mais amplos e persistentes nos preços.

A dirigente afirmou que a atual postura do banco central norte-americano é “moderadamente restritiva” e busca preservar a estabilidade do mercado de trabalho enquanto a inflação retorna à meta de 2%. Na avaliação dela, reagir de forma imediata a um choque energético temporário pode prejudicar a economia. Por outro lado, uma alta de juros seria justificável se os preços elevados persistirem, em um ambiente de emprego ainda apertado e Produto Interno Bruto (PIB) crescendo acima do potencial.

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Bowman também afirmou que o crescimento dos Estados Unidos segue resiliente, mas destacou que o mercado de trabalho permanece vulnerável a choques adversos e que o processo de desinflação parece ter estagnado. Ela acrescentou que ganhos de produtividade associados à inteligência artificial podem exercer pressão baixista sobre a inflação.

Para o setor agropecuário, a sinalização do Fed é relevante porque juros mais altos nos Estados Unidos podem influenciar o dólar, o custo global do crédito e o fluxo para mercados de commodities. Além disso, a manutenção de preços elevados do petróleo afeta combustíveis, frete e insumos dependentes de energia. O discurso, porém, não apresentou estimativas numéricas para esses efeitos sobre cadeias produtivas específicas.

O quadro descrito por Bowman indica que a trajetória dos juros nos Estados Unidos seguirá dependente da duração do choque no petróleo e do comportamento da inflação nos próximos meses. Sem novos dados sobre oferta de energia e atividade, ainda não há base técnica suficiente para definir a magnitude de eventual ajuste monetário.

Fonte: Estadão Conteúdo

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