Uma metodologia inédita desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) promete tornar mais rápida, precisa e econômica a identificação de carnes de diferentes espécies.
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A técnica utiliza a espectrometria de massas MALDI-TOF e consegue concluir a análise em cerca de 20 minutos, abrindo novas possibilidades para o controle de qualidade, fiscalização sanitária, certificação de produtos e combate a fraudes no mercado de carnes.
Além de diferenciar carnes bovinas, suínas, de frango e de tilápia, a metodologia também é capaz de distinguir amostras das raças bovinas Nelore e Angus, o que pode contribuir para a certificação de carnes de maior valor agregado.
Segundo os pesquisadores, esta é a primeira vez que a espectrometria de massas MALDI-TOF é aplicada no Brasil para identificar tecidos de diferentes espécies animais, inclusive em carnes congeladas ou submetidas ao processo de fritura.
Impressão digital das proteínas
O método funciona a partir da análise do perfil de massa das proteínas presentes na carne. Cada espécie possui um conjunto específico de proteínas que funciona como uma espécie de “impressão digital” molecular, permitindo sua identificação.
A partir desses perfis, os pesquisadores construíram um banco de dados capaz de comparar novas amostras e identificar automaticamente sua origem.
“O banco de dados permite avaliar a qualidade do produto e também pode ser utilizado em ações de fiscalização”, explica o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Newton Verbisck, coordenador do estudo.
De acordo com Verbisck, a técnica surge como uma alternativa às análises genéticas tradicionalmente utilizadas para esse tipo de identificação.
Enquanto métodos convencionais exigem processos laboratoriais mais complexos e demorados, o protocolo desenvolvido pelos pesquisadores simplifica a preparação da amostra sem comprometer a precisão dos resultados.
“Todo o processo dura, em média, 20 minutos, diferentemente dos outros métodos disponíveis no exterior, que são um pouco mais demorados e têm um custo relativamente mais elevado”, destaca o pesquisador.
Aplicações vão além da fiscalização
Os pesquisadores afirmam que a tecnologia pode ser empregada em diferentes etapas da cadeia produtiva da carne.
Entre as principais aplicações estão:
- controle de qualidade da produção;
- certificação de origem e autenticidade dos produtos;
- rastreabilidade biológica;
- fiscalização sanitária;
- combate a fraudes e adulterações;
- proteção do consumidor.
Atualmente, o equipamento utilizado na pesquisa está operacional em Mato Grosso do Sul apenas na Embrapa Gado de Corte.
Como funciona a tecnologia
A técnica utiliza a espectrometria de massas MALDI-TOF (Matrix-Assisted Laser Desorption/Ionization – Time of Flight), amplamente empregada em análises biológicas e microbiológicas.
O processo começa com a retirada de um pequeno fragmento da carne, equivalente ao tamanho de um grão de arroz. Em seguida, ocorre a extração das proteínas, que são misturadas a uma matriz química e submetidas à ação de um laser.
As proteínas transformadas em íons percorrem um tubo sob vácuo. O tempo necessário para chegarem ao detector permite calcular sua massa com elevada precisão. Essas informações são então comparadas ao banco de dados desenvolvido pelos pesquisadores, possibilitando identificar a espécie ou até mesmo a raça do animal analisado.
Os pesquisadores destacam que o banco de dados criado durante o estudo poderá ser expandido futuramente para incluir um número ainda maior de espécies comercializadas no mercado, ampliando o potencial de uso da ferramenta tanto para a indústria quanto para órgãos de inspeção.
A expectativa é que a tecnologia fortaleça os sistemas de rastreabilidade da cadeia de proteínas animais e aumente a confiabilidade das informações oferecidas ao consumidor.
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