USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
Calendário eleitoral exige estratégia do agro no Congresso

Calendário eleitoral exige estratégia do agro no Congresso


Foto: Freepik

As janelas de votação de agosto e setembro vão concentrar decisões sobre seguro rural, endividamento, orçamento e segurança jurídica antes que a disputa eleitoral domine Brasília.

O calendário eleitoral entra em sua fase decisiva em agosto, com o prazo para registro das candidaturas e o início oficial das campanhas. A movimentação não afeta apenas partidos e candidatos. Ela também muda o ritmo do Congresso e reduz o tempo disponível para negociações e votações relevantes.

Com parlamentares divididos entre Brasília e suas bases eleitorais, a atividade presencial deverá se concentrar em poucas semanas. O Senado prevê esforços concentrados entre 10 e 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro, em calendário alinhado à Câmara.

Nesse período, as pautas prioritárias terão de disputar espaço com dezenas de vetos presidenciais pendentes. O Legislativo não ficará paralisado, mas propostas sem acordo político, apoio das lideranças ou condições de votação terão poucas chances de avançar.

Para a bancada do agro, o primeiro desafio será definir prioridades. A força numérica e a capacidade de articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) continuam relevantes, mas um segundo semestre eleitoral exige escolhas. Uma agenda extensa, sem uma ordem clara de urgência, pode diluir apoios e dificultar resultados concretos.

O seguro rural está entre os temas que reúnem urgência econômica e possibilidade de convergência. A proposta que reformula o sistema e cria instrumentos para eventos climáticos de grande impacto está em fase avançada de tramitação no Senado. A expectativa é de que o tema retorne à pauta após o recesso parlamentar.

A aprovação de uma nova legislação, porém, representa apenas uma parte da solução. O funcionamento do seguro depende de recursos orçamentários previsíveis, estabilidade nas regras e produtos adequados às diferenças entre culturas e regiões. Sem essa estrutura, o país continuará recorrendo a renegociações emergenciais sempre que secas, enchentes ou quedas de preços comprometerem a capacidade de pagamento dos produtores.

O endividamento rural será outra frente de atenção. De um lado, produtores afetados por perdas de safra e eventos climáticos pressionam por condições viáveis de pagamento e recuperação do acesso ao crédito, exigindo a aprovação do PL 5122/2023. De outro, o governo buscará controlar o impacto fiscal e delimitar o alcance dos benefícios, o que ocasionou a apresentação da Medida Provisória 1376/2026, como uma alternativa ao PL.

Esta derivou de articulação com a FPA e contou com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, o que poderá favorecer a sua deliberação. As medidas visam à criação de linhas de crédito para liquidação ou amortização de operações rurais e precisarão ser aprovadas pelo Congresso para manter sua validade. O resultado dependerá da construção de critérios capazes de atender situações críticas sem criar uma solução genérica para realidades distintas.

Há ainda propostas relacionadas à segurança jurídica no campo, incluindo mudanças nos critérios de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). A discussão envolve transparência na definição do Valor da Terra Nua (VTN) e redução de distorções na avaliação dos imóveis. Mesmo com avanço nas comissões, a matéria terá de disputar espaço nas semanas de presença efetiva dos parlamentares em Brasília.

Nesse ambiente, a bancada do agro precisará combinar atuação legislativa, articulação institucional e comunicação política. A campanha eleitoral tende a ampliar discursos de confronto e reduzir o espaço para explicações técnicas. A questão agora é quais temas serão tratados como prioridade e quais ficarão para a próxima legislatura.

*Rebeca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post Calendário eleitoral exige estratégia do agro no Congresso apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Bahia recebe lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27

A cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27 no estado da Bahia será realizada na próxima segunda-feira (27), às 15h, no Teatro Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana (BA). O evento contará com a participação da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli. Durante a agenda, serão apresentados os resultados das políticas públicas voltadas à agricultura familiar. O foco da apresentação estará no acesso ao crédito, na comercialização, na inclusão produtiva e na regularização de dívidas. A programação da ministra na Bahia inclui ainda uma visita, na segunda-feira, às 11h40, à Agroindústria de

Imazon aponta queda de 10% no desmatamento da Amazônia no primeiro semestre

A Amazônia registrou 1.145 quilômetros quadrados de floresta derrubada entre janeiro e junho de 2026, volume 10% menor que o do mesmo período do ano passado, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O estudo também mostra que 588 áreas protegidas passaram o semestre sem registros de desmatamento, o equivalente a mais de 80% desses territórios. De acordo com o Imazon, o resultado representa a menor área desmatada em um primeiro semestre nos últimos oito anos. Na comparação com 2022, quando houve o pico da série histórica para o período, a redução chegou a 76%. Entre

Mato Grosso abate 45% dos bovinos com até 24 meses no 1º semestre

A pecuária de corte de Mato Grosso registrou no primeiro semestre de 2026 o maior percentual de bovinos abatidos com até 24 meses desde o início da série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em 2006. Segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), 45% dos animais abatidos no estado estavam nessa faixa etária, em um movimento associado ao avanço da eficiência produtiva. O indicador mostra mudança na composição do rebanho destinado ao abate. Em 2006, apenas 2% dos bovinos abatidos tinham menos de 24 meses. No mesmo intervalo, a participação de animais com mais de 36 meses caiu de 65% para 22%, apontando

ANP abre consulta sobre novas regras para combustíveis de uso aquaviário

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta sexta-feira (24) a realização de consulta pública, por 45 dias, e de audiência pública sobre a minuta que revisa a Resolução ANP nº 903, de 2022. A norma estabelece as especificações dos combustíveis de uso aquaviário comercializados no país, como óleo diesel marítimo e óleo combustível marítimo. A proposta atualiza a regulamentação brasileira com base em avanços tecnológicos e em padrões técnicos internacionais. Segundo a ANP, a revisão busca alinhar as especificações nacionais à 7ª edição da norma ISO 8217, publicada em 2024, e acompanhar mudanças no mercado de combustíveis marítimos no contexto

Coalizão apresenta 8 propostas do agro e do clima a presidenciáveis de 2026

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura começou a apresentar aos presidenciáveis das eleições de 2026 um conjunto de oito propostas centrais para a agenda de desenvolvimento. Entre os pontos defendidos pelo grupo estão o condicionamento de instrumentos financeiros do setor agropecuário à implementação do Código Florestal e o estímulo a práticas produtivas sustentáveis. A entidade afirma que a ampliação de linhas de financiamento sustentáveis e inclusivas pode reconhecer produtores que cumprem a legislação ou que avançam na regularização ambiental e fundiária. O grupo também relaciona os eventos climáticos extremos ao aumento da pressão sobre o endividamento e a inadimplência no campo. Nesse contexto, Iuri

Lei inclui cooperativas entre beneficiárias de fundos regionais

A Lei Complementar 231/2026 ampliou o acesso das cooperativas brasileiras aos fundos federais de desenvolvimento regional. A mudança, consolidada com a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 262/2019, permite que essas organizações sejam beneficiárias do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Com a nova legislação, cooperativas passam a ter acesso a recursos voltados ao financiamento de projetos produtivos, infraestrutura, industrialização, armazenagem e expansão de atividades econômicas em municípios do interior do país. A proposta recebeu apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que classificou a iniciativa como estratégica para

Lula edita MP que libera R$ 3,330 bilhões para subvenção a combustíveis

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a medida provisória 1.380 para liberar mais R$ 3,330 bilhões em crédito extraordinário destinado à subvenção da produção e da importação de combustíveis. O texto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na noite desta quinta-feira (23). A medida provisória autoriza a abertura de crédito extraordinário no valor de R$ 3,330 bilhões. Segundo o texto, os recursos serão usados para bancar a subvenção à produção e à importação de combustíveis. A publicação ocorreu em edição extra do Diário Oficial da União na noite de quinta-feira (23). Com a edição da MP 1.380, o

Governo diz que acionará Lei da Recriprocidade contra nova sobretaxa dos EUA

Foto: Ricardo Stuckert/PR O governo brasileiro divulgou nota sobre a imposição da nova sobretaxa de 12,5% dos Estados Unidos ao Brasil anunciada nesta quinta-feira (23). A nova cobrança ocorre em função do resultado da investigação da Seção 301 relativa à proibição de importação de produtos relacionados ao trabalho forçado e atinge quase 60 países. De acordo com o texto assinado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, serão acionados imediatamente os trâmites previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. A nota ainda cita que o tema será levado ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio

Carne bovina brasileira fica isenta de sobretaxa de 12,5% aplicada pelos EUA

Foto: Pixabay/arte Canal Rural A carne bovina brasileira, couros, peles e outros subprodutos de origem animal, não foi inclusa na sobretaxa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos no âmbito das medidas relacionadas às investigações sobre trabalho forçado e anunciada nesta quinta-feira (23). A exclusão foi confirmada após o Escritório Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) publicar os anexos com os produtos que não serão atingidos pela nova cobrança. Embora o Brasil estivesse incluído entre os países sujeitos à tarifa adicional, os principais produtos da cadeia pecuária nacional foram preservados porque são consideradas “matérias-primas cuja taxação possa provocar escassez no mercado

Arroba do boi gordo: cotações seguem em alta com escalas de abate em baixa

Foto: Raquel Brunelli/Embrapa O mercado físico do boi gordo voltou a apresentar preços mais altos em grande parte do país, com os frigoríficos ainda encontrando dificuldades na composição de suas escalas de abate. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a programação da indústria atende entre quatro e sete dias úteis na média nacional. “Durante a semana houve mais notícias de férias coletivas em diferentes estados brasileiros. Nesta quinta-feira, o mercado futuro também repercutiu a tarifação de 12,5% que deve ser imposta pelos Estados Unidos a diversos países, o que deve incluir a carne bovina nesse pacote.” Além disso, o especialista