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Agro de US$ 1 trilhão: o desafio para os candidatos à Presidência

Agro de US$ 1 trilhão: o desafio para os candidatos à Presidência


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Quando as campanhas para a eleição tomam marcha, somos obrigados a trazer a máxima de Sartre, que disse: “o inferno são os outros”. Desta forma, candidatos tirando o demônio infernal “do outro”, o que de verdade existe no seu plano, como executivo do maior agroexportador do mundo, para sairmos dos atuais cerca de US$ 600 bilhões no montante do antes, dentro e pós-porteira das fazendas, como o Cepea mensura, para um objetivo potencial de negócios chegando ao patamar de US$ 1 trilhão e daí para mais?

Planos sem métricas mensuráveis e quantificáveis são planos “natimortos”. Uma exigência sobre qualquer executivo numa corporação, numa entidade sem fins lucrativos, num clube ou no setor público, como presidente de um país, é ter metas audaciosas, espetaculares e sustentáveis (MAES). Quer dizer: com caminhos reais e concretos para sua execução, engajamento e microplanejamento das operações.

Por que precisamos de MAES? Para fugir do menos, pois significam o rumo, o horizonte, a inspiração que nos motiva para a superação. Números medíocres nos acostumam à acomodação e nos transmitem um discurso polarizante, com um estado de vitimização de viver, onde sempre existe o culpado, que é o outro (Jean-Paul Sartre).

Chegamos nestes últimos 40 anos ao resultado de 25% do PIB do país no sistema do agronegócio, na soma da agropecuária, indústria, comércio e serviços mensurados no princípio “input x output” das cadeias de valor.

E agora, senhoras e senhores candidatos? Sem um planejamento estratégico de Estado, na convergência do público com o privado, não faremos mais o que fizemos na raça, com heroínas, heróis, pioneiras e pioneiros até aqui no Brasil. O sangue, suor e lágrimas nos moveram. Daqui para a frente serão os neurônios, os nervos, o coração e a cooperação. Portanto, estaremos aqui convocando todos os candidatos à Presidência da República que desenhem um planejamento estratégico, com números, metas, investimentos e abordagens geoagro-orientadas do Brasil com o planeta Terra.

Das 20 maiores cadeias produtivas atuais do agro nacional, o quanto iremos crescer também em agroindustrialização? Das 20 maiores cadeias produtivas do país, o quanto iremos negociar e tratar com clientes e mercados onde ainda somos frágeis? De outras 20 potenciais cadeias produtivas tropicais nacionais, onde ainda não as vimos florescer, quais serão alvo de estruturação e apoio ao crescimento? Como organizaremos ações conjuntas público-privadas com governança para a execução desses planos?

Como em 4 anos faremos o que falamos nos últimos 40 anos e não resolvemos, colocando nosso agro em risco permanente: fertilizantes, irrigação, seguro, segurança genética, proteção jurídica aos agricultores, crédito sustentável, logística e comunicação com as sociedades consumidoras do Brasil? E o que faremos que o futuro já sabe e que precisamos trazer ao valor presente: a tecnologia do invisível!

Programas de agricultura familiar com cooperativismo gerando diversas IGs (indicações geográficas), denominações de origem, levando os terroirs agrotropicais amazônicos do Brasil para as mesas e fast foods do mundo.

E um plano estruturado para fazer da marca “Amazônia” o maior símbolo de respeito e amor do país com o mundo inteiro. Sem essa marca, a Amazônia não iremos obter reputação e credibilidade da Marca Brasil.

Estes pontos acima exigem ser esmiuçados e colocados como dever e responsabilidade do novo presidente da República. Fazer 40 anos em 4. E, como subproduto deste planejamento, iremos impactar, além do PIB do agro, o PIB brasileiro, com certeza o elevando para próximo da casa dos US$ 4 trilhões no total. O Brasil merece.

Porém, será impossível fazer isso com polarizações, divisões, uma guerra de uns contra os outros. O professor dr. Ray Goldberg, criador do conceito de agribusiness nos anos 50, me disse numa de suas últimas entrevistas: “Mensagem que deixo para os líderes: parem de dividir o mundo; o agronegócio não tolera divisões, é feito de reunião de todos os seus elos, e quem pode reunir o mundo é o alimento com cidadania e compromisso com a saúde em todos os sentidos”.

Os outros, numa visão de mundo, podem ser o inferno; porém, em outra forma de ver o mundo, pode ser a cooperação que cria prosperidade para todos. É possível. Depende de quem e como lidera, o gestor, o líder estadista. Que a sociedade civil organizada entre no jogo.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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