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Eleições 2026: o que Augusto Cury e Flávio Bolsonaro propõem para o agro

Eleições 2026: o que Augusto Cury e Flávio Bolsonaro propõem para o agro


Fotos: TSE

Com a aproximação das eleições de 2026, o Canal Rural consulta os planos de governo dos seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República para identificar as principais propostas voltadas ao agronegócio.

Em ordem alfabética, a série começa com os planos de governo de Augusto Cury (Avante) e Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a legislação eleitoral brasileira, a apresentação de um plano de governo é uma exigência para o registro de candidaturas aos cargos do Poder Executivo, como presidente, governador e prefeito, na Justiça Eleitoral. O documento, entretanto, não cria obrigação jurídica de cumprimento das propostas nem prevê perda de mandato em caso de descumprimento.

Augusto Cury

Intitulado “Brasil dos Nossos Sonhos”, o plano de governo de Augusto Cury dedica um capítulo ao agronegócio e apresenta como uma das principais propostas a expansão da agroindústria brasileira.

O documento destaca a importância do setor para as exportações e estabelece como objetivo estimular a implantação e a expansão de 10 mil pequenas, médias e grandes agroindústrias em todo o território nacional.

Um dos pilares da proposta é a criação de condições para a instalação de 100 grandes usinas de etanol de milho, com capacidade conjunta para processar 100 milhões de toneladas de milho por ano.

A ideia é utilizar os coprodutos gerados pelas usinas, especialmente o DDGS, ingrediente com alto teor de proteína utilizado na alimentação animal, para estimular a formação de centros integrados de produção de proteína.

Esses polos poderiam reunir atividades como avicultura, suinocultura, bovinocultura, fábricas de ração, frigoríficos, processamento de carnes e produção de alimentos industrializados.

Do grão à proteína

O plano de Cury propõe aumentar a agregação de valor à produção agrícola brasileira. A estratégia não prevê o abandono das exportações de commodities, mas a transformação de uma parcela maior da produção de milho e soja em carne, alimentos processados, biocombustíveis, energia, ingredientes industriais e outros produtos de maior valor agregado.

Segundo o documento, a intenção é que o Brasil não apenas exporte a matéria-prima, mas também os produtos resultantes da aplicação de tecnologia e industrialização sobre esses grãos.

A proposta prevê ainda a criação de centros regionais de produção de proteína animal, aproveitando as características econômicas de cada região.

O Nordeste e o Matopiba recebem atenção especial no plano, com a proposta de integrar produção de grãos, energia, alimentação animal, criação e processamento de aves, suínos e bovinos.

A avaliação apresentada pela candidatura é de que a expansão da agroindústria poderia estimular uma nova onda de industrialização em cidades médias e pequenas do interior, com a geração de atividades econômicas associadas ao transporte, produção integrada, prestação de serviços e cooperativas.

Tecnologia e agro 4.0

O projeto também prevê a ampliação do uso de tecnologias no campo. Entre as ferramentas citadas estão inteligência artificial, agricultura de precisão, drones, automação e robótica, melhoramento genético, rastreabilidade, gestão inteligente da água e bioinsumos.

O objetivo, segundo o plano, é aumentar a produtividade utilizando de forma mais eficiente os recursos disponíveis e agregando conhecimento à produção.

Outra frente apresentada é a redução de custos e desperdícios ao longo das cadeias produtivas. A proposta é aumentar a produtividade, melhorar infraestrutura e armazenagem, ampliar a industrialização e a competição para, ao mesmo tempo, melhorar a remuneração do produtor e ampliar a oferta de alimentos a preços mais acessíveis ao consumidor.

Clique aqui para conferir a íntegra do plano de governo de Agusto Cury.

Flávio Bolsonaro

No plano de governo “Para o Brasil Vencer o Atraso”, Flávio Bolsonaro dedica duas páginas às propostas para o agronegócio.

O capítulo começa destacando o papel do setor para a segurança alimentar e apresenta propostas relacionadas à ampliação do seguro rural e à reorganização das dívidas dos produtores.

Uma das prioridades apontadas é reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. O plano propõe apoiar a produção nacional de fertilizantes, aproveitando reservas minerais existentes no país, como potássio e fosfato.

Segundo o documento, a medida teria como objetivo aumentar a autonomia do campo e reduzir a vulnerabilidade dos produtores e dos preços dos alimentos às condições do mercado externo.

Regularização fundiária

Outra proposta é ampliar a regularização e a titulação de imóveis rurais, principalmente para pequenos proprietários.

O plano cita que, durante o governo de Jair Bolsonaro, foram emitidos mais de 450 mil documentos de titulação de imóveis rurais e propõe retomar esse ritmo.

A intenção é garantir que o produtor tenha documentação sobre a propriedade, facilitando o acesso ao crédito e dando maior segurança para investimentos.

O candidato também defende o fortalecimento da segurança jurídica relacionada ao direito de propriedade.

Mão de obra no campo

O plano identifica ainda a falta de trabalhadores como um problema em determinadas regiões e períodos do ciclo agrícola.

Para enfrentar a questão, a proposta é criar mecanismos de qualificação e intermediação de mão de obra, aproximando trabalhadores em busca de emprego dos produtores que precisam contratar.

O documento também prevê que trabalhadores que recebem programas sociais possam aceitar empregos temporários no campo sem perder definitivamente o benefício, com possibilidade de retorno ao programa caso deixem de trabalhar.

Irrigação e energia

Na área de irrigação, o plano propõe ampliar significativamente a área irrigada do país e simplificar os processos de outorga de água.

Entre as medidas estão a redução do prazo para obtenção das outorgas, o desenvolvimento de polos de irrigação no Matopiba e no semiárido nordestino e a expansão do uso de água de reúso durante períodos de estiagem.

O plano também prevê ampliar a participação do campo na produção de energia limpa. Uma das propostas é implementar, a partir de 2027, as metas de combustível sustentável de aviação previstas em lei, com atuação conjunta dos ministérios da Agricultura e de Minas e Energia.

A candidatura também defende a articulação do Plano Safra com incentivos à produção de biomassa.

Meio ambiente

Na agenda ambiental, a proposta é consolidar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ampliar o pagamento por serviços ambientais para conservação e restauração.

A ideia é criar mecanismos para remunerar produtores que preservam vegetação nativa e recuperam áreas degradadas, tratando-os como parceiros das políticas de conservação ambiental.

Clique aqui para conferir a íntegra do plano de governo de Flávio Bolsonaro.

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