O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), defendeu a retomada do diálogo entre o agronegócio e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a eleição de 2026.
O petista foi reeleito presidente da República neste domingo (25), com 64,2 milhões de votos (51,78%). O candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro, teve 59,8 milhões de votos (48,22%).
Segundo Jardim, apesar da preferência majoritária do setor pelo candidato do PL, o agro precisa manter a interlocução com o governo eleito para avançar em pautas prioritárias. “Cada um tem as suas preferências. Opções foram feitas, mas nós temos que, em defesa do agro, ter o diálogo com o poder constituído”, afirmou o parlamentar.
O vice-presidente da FPA destacou que a disputa eleitoral foi acirrada, mas avaliou que o agronegócio demonstrou apoio majoritário a Flávio Bolsonaro. Ele citou o posicionamento da FPA e a manifestação de lideranças do setor.
Para o deputado, o resultado das urnas impõe o desafio de reconstruir relações e retomar uma interlocução qualificada com o governo. Assista:
Seguro rural e orçamento estão entre as prioridades
Entre as pautas que precisam avançar, Jardim citou a discussão dos vetos ao projeto que estabelece o novo marco regulatório do seguro rural. O parlamentar também destacou a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que define as bases para a elaboração do Orçamento federal.
Segundo ele, a frente parlamentar trabalha para evitar o bloqueio de recursos destinados à defesa sanitária, especialmente diante dos desafios enfrentados pelo setor produtivo.
O deputado mencionou o surto de doença de Newcastle, que afeta a avicultura brasileira. A enfermidade viral pode provocar impactos sanitários e comerciais, inclusive com restrições às exportações de produtos avícolas.
“Recursos para defesa sanitária não podem ser interrompidos para compartimentar, segregar e evitar que isso contamine as nossas exportações”, afirmou.
A contenção de focos e a adoção de medidas sanitárias são importantes para limitar a disseminação da doença e reduzir os efeitos sobre o comércio internacional.
Plano Safra e seguro rural dependem do Orçamento
Além da LDO, Jardim apontou a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) como outra etapa importante para o agronegócio. O orçamento define o volume de recursos disponível para políticas públicas, incluindo a equalização de juros do Plano Safra e o seguro rural.
A equalização permite ao governo subsidiar parte dos juros cobrados em financiamentos rurais, reduzindo o custo do crédito para os produtores. Já o seguro rural ajuda a proteger a produção contra perdas decorrentes de eventos como secas, geadas e excesso de chuvas.
O volume de recursos destinado a essas políticas influencia as condições de financiamento e a capacidade de proteção dos produtores diante dos riscos climáticos e de mercado.
Jardim afirmou que a atuação da bancada deve priorizar as propostas do agronegócio e a preservação de políticas consideradas essenciais para o setor, independentemente das divergências políticas decorrentes da eleição.
“Retomar o diálogo, fazer isso colocando as propostas do agro, mas sem interromper este tipo de comportamento em que o agro seja preservado”, disse o deputado.
















