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Arroz: Conab quer baixar preço ao produtor, dizem entidades que contestam dados

Arroz: Conab quer baixar preço ao produtor, dizem entidades que contestam dados


O levantamento da safra 2024/25 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última terça-feira (14) repercutiu negativamente entre as entidades que representam os produtores de arroz do Rio Grande do Sul.

Isso porque a autarquia estimou que a área a ser semeada com o cereal no estado deve totalizar 988 mil hectares, 6,4% acima do que o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) projeta, de 927,8 mil hectares.

Com base nessa discrepância, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) emitiram na última quarta-feira (15) nota conjunta para contestar os números da Companhia.

No comunicado, as entidades externaram sua preocupação com a “nova rodada de desinformação quanto aos dados de área, produtividade e produção de arroz” que estão sendo divulgados pela Conab.

Área vai crescer, mas não tanto

Foto: Embrapa/divulgação

As entidades reforçam que o governo divulgou através da Conab dados “equivocados sobre a produção de arroz”, superestimando a produção (8.255,2 milhões de toneladas no RS e 11.985,8 milhões no Brasil) com o intuito claro de intervir nos preços do cereal, o que pode causar mais problemas para produtores, indústrias, varejistas e, principalmente, consumidores.

“Informamos que, de acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), órgão que, diferentemente da Conab, realiza levantamentos de campo e o faz por várias décadas, a área plantada efetivamente cresceu em relação a 2024, mas 2,69% e não 9,7% como erroneamente está sendo informado pela Conab. Embora pareça pouco, esse erro pode custar bilhões de reais ao país”, destacam.

De acordo com o presidente da Federarroz, Alexandre Velho, a diferença de 60 mil hectares projetada entre o Irga – Instituto de confiança das entidades representativas dos produtores – e a Conab poderia gerar uma diferença expressiva de 500 mil toneladas a mais de arroz na colheita.

Segundo ele, o Irga já havia retificado seus números com base nos problemas enfrentados pelos produtores, principalmente os da parte central do estado. Assim, cortou em mais de 20 mil hectares a intenção de plantio frente à área efetivamente semeada, de 948,3 para os atuais 927,8 mil hectares.

“Esse dado do Irga já tinha sido publicamente anunciado, mas a Conab não apenas o desconsiderou, como aumentou ainda mais a estimativa de área. Acredito que a Conab está usando o arroz de forma política na tentativa de baixar os preços do cereal, ou seja, está agindo de forma populista”, diz Velho.

Influência nos preços do arroz

A nota da Federarroz e da Farsul afirma, ainda, que em 2024 o governo brasileiro estava disposto a “desperdiçar R$ 7,2 bilhões para compra de arroz importado”, com o intuito de ser vendido com preço tabelado e abaixo do custo de produção, sob a alegação que faltaria arroz para o consumidor interno.

“Dissemos, de maneira clara, que não faltaria arroz e não faltou, em nenhum supermercado do Brasil, nenhum dia e nem por um minuto, apesar do pânico causado na população pelo próprio governo”, observa o comunicado das entidades.

Por fim, apesar das diferenças de estimativa entre Conab e Irga, o comunicado das entidades tranquiliza a sociedade ao dizer que, como de costume, será produzido bem mais arroz do que os brasileiros consomem, “o que nos obrigará a exportar excedentes, não havendo nenhum risco de desabastecimento”.

Resposta da Conab

Procurada pela reportagem, a Conab enviou uma nota de resposta ao posicionamento da Federarroz e da Farsul.

A autarquia ressalta que acompanha regularmente as informações da cadeia produtiva do arroz e desenvolve, há quase 50 anos, levantamentos da produção agrícola, com objetivo de contribuir para a formulação de políticas públicas e disponibilizar gratuitamente informações atualizadas sobre a conjuntura agrícola.

Assim, refuta qualquer ilação quanto à manipulação de dados com o objetivo de influenciar o comportamento do mercado agrícola.

“O acompanhamento da safra brasileira, realizado mensalmente pela Conab, reflete a expectativa de produção no mês anterior à publicação do relatório mensal de safra. Destaca-se que a semeadura do arroz, no Rio Grande do Sul, finalizou na segunda semana de janeiro. A equipe técnica da Conab voltará a campo a partir da próxima semana. Esses dados serão publicados no relatório de fevereiro”.

Ainda conforme a nota, a Companhia destaca que com o propósito de aprimorar as informações do levantamento de safra, ampliou parcerias com instituições reconhecidas pela sua capacidade técnica. “Dentre essas, firmamos acordo de cooperação técnica com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para implementar mapeamento de área cultivada de arroz no Rio Grande do Sul, por meio de imagem de satélite”.

Por fim, a Conab diz que com esse levantamento objetivo, poderá dirimir quaisquer dúvidas relativas à área plantada de arroz, comparativamente ao levantamento subjetivo da Conab e de outras instituições.



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