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China, UE e El Niño devem pressionar pecuária no segundo semestre, avalia economista

China, UE e El Niño devem pressionar pecuária no segundo semestre, avalia economista


5º Fórum da Pecuária: o evento que vai guiar o setor da carne brasileira

A possível chegada de um forte El Niño a partir deste mês de junho deve aumentar os desafios para a pecuária brasileira no segundo semestre de 2026. Além das preocupações com o esgotamento da cota de exportação da China e das restrições impostas pela União Europeia, o setor ainda pode enfrentar perdas relacionadas à piora das pastagens provocada pelo clima.

A avaliação é do economista da FGV Agro, Felippe Serigati, que vê um cenário mais desafiador principalmente para a região Centro-Norte do país.

“O próprio El Niño tende a prejudicar a qualidade das pastagens, principalmente na região centro-norte do país. Você vai ter um aumento de custo ou um ganho de peso menor dos animais”, afirmou.

Segundo meteorologistas, o fenômeno climático deve começar a atuar em junho, mas os efeitos mais intensos devem ocorrer a partir da primavera, coincidindo com o período de plantio e desenvolvimento das principais culturas brasileiras. A tendência é de temperaturas acima da média e redução das chuvas em parte do país.

Desafios comerciais e climáticos

Além do clima, a pecuária de corte enfrenta dificuldades no mercado internacional. Um dos principais pontos de atenção é a chamada “cota chinesa”, mecanismo que garante condições tarifárias mais vantajosas para parte das exportações brasileiras de carne bovina ao país asiático.

Serigati lembra que a situação ganha peso justamente porque a China é o principal comprador da carne bovina brasileira.

“Tem esse desafio da cota chinesa e, junto com isso, um desafio mais recente, que foi justamente a retirada do Brasil da lista de exportadores habilitados de carne bovina para a União Europeia”, destacou.

Soja e milho também podem sofrer impactos

As preocupações com o El Niño também se estendem às grandes culturas agrícolas. Segundo o economista, um dos principais riscos para soja e milho é a alteração no calendário de plantio.

“O primeiro impacto pode ser um atraso no plantio da soja. Uma vez atrasando o plantio da soja, você estreita a janela ideal para o milho de segunda safra”, explicou.

Com uma janela mais apertada para o milho safrinha, parte dos produtores pode optar pelo sorgo como alternativa. “Alguns produtores podem preferir dar prioridade ao sorgo porque ele é mais resistente”, afirmou Serigati.

O economista também alerta para o aumento dos custos de produção, principalmente em um momento em que os produtores já trabalham com margens mais apertadas devido aos juros elevados e ao custo dos fertilizantes.

Café entra no radar de preocupação

As culturas permanentes, como o café, também devem sentir os efeitos do fenômeno climático.

Segundo Serigatti, além da redução das chuvas, o El Niño pode elevar as temperaturas em regiões produtoras, criando um ambiente desfavorável ao desenvolvimento das lavouras.

“O café não gosta de um ambiente com escassez hídrica e temperaturas acima da média”, ressaltou.

Seguro rural

Apesar das preocupações, o economista reforça que ainda é cedo para falar em quebra de safra garantida ou em crise generalizada no agro.

“Dizer que, por conta do El Niño, haverá quebra de safra exige muito cuidado. Tem muita água para passar por baixo dessa ponte”, afirmou.

Mesmo assim, ele defende que produtores e governo já considerem estratégias para enfrentar um possível cenário adverso.

Entre as medidas apontadas como fundamentais está o fortalecimento do seguro rural, considerado por Serigati uma das principais ferramentas para tornar a renda do produtor mais resiliente diante das mudanças climáticas.

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