A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) terminou em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, com poucos avanços nas negociações centrais. A criação de um regime global contra as secas foi novamente adiada, e os recursos anunciados ficaram abaixo do volume estimado para enfrentar a degradação da terra. A conferência ocorreu em um cenário em que, segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), até 40% das terras do planeta estão degradadas.
As divergências geopolíticas marcaram a conferência. No debate sobre um regime global contra as secas, os Estados Unidos defenderam a suspensão total das discussões, enquanto países europeus apoiaram um acordo com mecanismos voluntários. Na outra ponta, países africanos, com apoio do Brasil, defenderam compromissos obrigatórios.
Ao final, houve consenso para tornar a seca um item permanente e independente da agenda das próximas conferências. Também ficou definido que as discussões seguirão entre a COP17 e a COP18, prevista para 2028, no Egito.
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Entre os resultados paralelos, entrou em fase de implementação a Parceria Global de Resiliência à Seca de Riad. A iniciativa avançou na discussão de um fundo coletivo voltado a cerca de 70 países de baixa e média-baixa renda. A COP17 também marcou o lançamento do Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), criado pela UNCCD e por Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA). A plataforma pretende mobilizar até US$ 400 milhões para segurança hídrica, agricultura sustentável, soluções baseadas na natureza e recuperação de terras.
Na área financeira, a UNCCD calcula que são necessários cerca de US$ 355 bilhões por ano para cumprir os compromissos globais de restauração até 2030. Hoje, o investimento anual está em aproximadamente US$ 77 bilhões, com déficit de US$ 278 bilhões. Durante a COP17, governos, bancos de desenvolvimento, fundos e empresas anunciaram uma carteira de US$ 1,3 bilhão para restauração de terras e aumento da resiliência às secas em 23 países.
As pastagens ganharam espaço central na conferência. Uma análise econômica apresentada no evento estimou que esses ecossistemas geram entre US$ 21 trilhões e US$ 47 trilhões por ano em serviços ecossistêmicos, como produção de alimentos, água, armazenamento de carbono e biodiversidade. A Iniciativa Global sobre Pastagens foi anunciada com foco em investimentos para manejo sustentável, recuperação dos ecossistemas e apoio às populações pastoris.
No balanço final, a UNCCD destacou o novo compromisso voluntário apresentado pelo Brasil para alcançar a Neutralidade da Degradação da Terra até 2030. A meta reúne 17 subobjetivos e prevê a recuperação ou restauração de mais de 163 mil quilômetros quadrados, por meio da regeneração da vegetação nativa e de sistemas agroflorestais.
Além da restauração prevista, o compromisso brasileiro abrange 3,51 milhões de quilômetros quadrados com medidas para evitar a degradação por meio da conservação e do manejo sustentável da terra. No total, a meta cobre cerca de 3,67 milhões de quilômetros quadrados.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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