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Crise do leite: importações e preço baixo pressionam produtores

Crise do leite: importações e preço baixo pressionam produtores


Produzir leite no Brasil tem se tornado cada vez mais difícil. No Rio Grande do Sul, estado historicamente importante para o setor, o número de produtores caiu para cerca de 28 mil, um terço do que existia há dez anos. A principal causa, segundo entidades representativas, é a combinação entre custos altos, preços baixos e aumento das importações de lácteos, principalmente vindos do Mercosul.

O preço pago ao produtor, que tradicionalmente sobe no inverno, teve quedas sucessivas ao longo de 2025. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que a média nacional em outubro ficou em R$ 2,22 por litro, frente aos R$ 2,66 registrados no mesmo período de 2024. Em Santa Catarina, o valor médio está em R$ 2,14. O custo de produção, no entanto, ultrapassa R$ 2,20 por litro, o que mantém milhares de produtores no prejuízo.

“Nós estamos enormemente preocupados com a queda no preço pago ao produtor. Produzimos com qualidade, mas o custo é alto. Nosso custo médio hoje está acima de R$ 2,20”, afirma Marcos Tang, presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul.

A entidade sugere três medidas imediatas para conter a crise:

  • Controle das importações de lácteos, especialmente dos países vizinhos;
  • Campanha nacional de incentivo ao consumo interno de leite e derivados;
  • Incentivo à exportação de produtos lácteos brasileiros.
  • Oferta maior que a demanda pressiona preços

Em entrevista ao Mercado & Cia, telejornal do Canal Rural, a pesquisadora Natália Grigol, do Cepea, explicou que a queda nos preços é reflexo de um desequilíbrio entre oferta e demanda.

“A produção de leite aumentou nos últimos meses, resultado de investimentos feitos em 2024, quando as margens estavam melhores. Essa oferta maior, somada à entrada de produtos importados, ampliou a disponibilidade no mercado, o que pressiona as cotações para baixo”, detalha Grigol.

A especialista destaca ainda que o cenário deve permanecer desafiador nos próximos três meses, com tendência de queda até o fim do ano. O aumento das chuvas favorece as pastagens, elevando ainda mais a produção e dificultando uma recuperação rápida dos preços.

Planejamento e gestão como saída

Para enfrentar o período de baixa rentabilidade, Natália recomenda planejamento financeiro e controle rigoroso dos custos de produção.

“A volatilidade é um velho vilão do setor. O produtor precisa se planejar, manter um olho no curto prazo e outro no longo prazo, para não desinvestir de forma precipitada”, afirma.

Enquanto isso, nas propriedades, o sentimento é de incerteza. Muitos pequenos produtores relatam que, sem medidas urgentes, pode haver um novo êxodo rural semelhante ao ocorrido nos últimos anos.

“Os pequenos não estão conseguindo se manter. A cada mês que o preço cai, mais gente deixa a atividade”, lamenta Celis Gasparetto, produtora de Xaxim (SC).



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