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‘Discriminação e profundo desrespeito’: Faesp repudia veto da UE a produtos brasileiros

‘Discriminação e profundo desrespeito’: Faesp repudia veto da UE a produtos brasileiros


Foto: Pixabay

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou nota pública de repúdio neste sábado (6) sobre a decisão da União Europeia (UE) de impedir, a partir de 3 de setembro, a importação de carnes, mel e suprodutos de origem animal do Brasil.

Para a entidade, os europeus agem com “profundo desrespeito”, tendo em vista os 25 anos de negociações entre o bloco e o Mercosul após todos os tramites terem sido alinhados entre as partes.

O texto, assinado pelo presidente da Faesp, Tirso Meirelles, afirma que a UE decidiu mudar as regras do jogo de forma casuística. “Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional”, acusa.

Segundo ele, a Federação computa a medida como absolutamente desnecessária, desleal e flagrantemente discriminatória.

Além disso, Meirelles considera que o pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos: os rebanhos de concorrentes diretos como os Estados Unidos, a Austrália e da Nova Zelândia utilizam rigorosamente os mesmos produtos fitossanitários que o Brasil.

“Convenientemente, [eles] não sofreram qualquer tipo de restrição, bloqueio ou veto por parte da UE. Essa disparidade de tratamento escancara um protecionismo comercial unilateral direcionado especificamente para tentar frear a nossa competitividade”, destaca a nota assinada.

Sanidade brasileira incontestável

O presidente da Faesp ressalta que quando o assunto é sanidade, o cenário é incontestável: “a sanidade animal do rebanho brasileiro é totalmente sem mácula, sendo referência global e nunca tendo registrado um único caso de ‘vaca louca’”.

Meirelles enfatiza que a excelência, o status sanitário e o rigor científico da produção agropecuária brasileira são indiscutíveis e reconhecidos mundialmente.

“Diante desta grave agressão comercial e reputacional, cobramos do governo federal brasileiro pulso mais firme em sua diplomacia comercial. O Brasil, consolidado historicamente como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas. O setor produtivo precisa urgentemente de segurança jurídica e respeito às regras e políticas claras de defesa comercial”, destaca Meirelles.

“Vizinhos devem se unir ao Brasil”

A nota da Faesp ainda ressalta que as grandes negociações globais hoje ocorrem estritamente entre blocos econômicos e, sendo assim, torna-se vital e urgente que a Argentina e o Uruguai se juntem ao Brasil para construir um posicionamento regional unificado e robusto que demonstre a verdadeira força e o peso político-econômico do Mercosul.

“Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, diz.

Por fim, a Faesp argumenta que o produtor rural brasileiro faz a sua parte com excelência e responsabilidade de dentro da porteira. “Cabe agora à nossa diplomacia e aos nossos aliados regionais impor o respeito e a soberania que a nossa agropecuária conquistou no cenário internacional, consolidando-se como um dos principais protagonistas da segurança alimentar mundial”, finaliza.

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