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Geneplus celebra 30 anos na ExpoGenética 2026 com foco em avanço genético da pecuária

Geneplus celebra 30 anos na ExpoGenética 2026 com foco em avanço genético da pecuária


Foto: Giro do Boi/reprodução

O Programa Embrapa de Melhoramento de Gado de Corte (Geneplus) celebra 30 anos de atuação nesta segunda-feira (17), durante a ExpoGenética 2026, em Uberaba (MG). A programação marca três décadas de evolução do melhoramento genético na pecuária de corte e apresenta ferramentas utilizadas para identificar animais superiores e acelerar os ganhos produtivos nos rebanhos.

A celebração oficial está marcada para as 18h30, no Palanque Oficial da feira, com premiação e apresentação dos animais participantes da Prova de Avaliação de Touros Jovens (GP ATJ). A iniciativa busca identificar precocemente reprodutores de destaque e ampliar sua utilização na pecuária por meio das centrais de inseminação artificial.

Nos dias 18 e 19 de agosto, a programação continua com desfiles de touros em centrais como ABS, Alta Genetics, Genex e Semex. A proposta é aproximar as avaliações genômicas das características morfológicas observadas nos animais.

“Apostar na identificação precoce e no uso massivo de touros jovens avaliados acelera o ganho genético global e encurta o intervalo entre as gerações”, afirma Gilberto Menezes, gestor do Geneplus.

Segundo ele, a utilização adequada dos índices também tem impacto econômico dentro das propriedades. “Quando o criador compreende esses índices, o melhoramento deixa de ser um custo operacional e passa a ser um investimento valoroso que blinda o lucro em tempos desafiadores.”

De três estados a cerca de 600 fazendas

A participação na ExpoGenética ocorre em um momento simbólico para o programa. Criado em 1996 para oferecer assessoria técnica voltada ao melhoramento de bovinos de corte, o Geneplus começou atendendo duas raças em três estados. Atualmente, está presente em cerca de 600 fazendas de 24 unidades da Federação.

A tecnologia desenvolvida pelo programa também ultrapassou as fronteiras brasileiras e chegou a países como Bolívia, Paraguai, Colômbia e Angola. O trabalho abrange atualmente raças zebuínas, taurinas e compostas.

Para Paulo Nobre, gestor do Geneplus, os resultados refletem uma atividade que depende de continuidade e planejamento de longo prazo.

“O melhoramento genético, especialmente de gado de corte, é um processo contínuo, longo e que exige persistência. Os resultados não são imediatos, é necessário quantificar gerações”, explica.

A expansão também levou ao crescimento da estrutura de atendimento. Atualmente, o programa conta com 45 profissionais de campo, além de gestores, supervisores e coordenadores.

Genômica e dados chegam à fazenda

Ao longo das últimas três décadas, o avanço da informática e das ferramentas de avaliação genética transformou a rotina do programa. Informações que inicialmente eram organizadas manualmente passaram a integrar um ecossistema digital, o GP PLUS On, que permite acesso aos dados por computadores e smartphones.

A evolução tecnológica também ampliou a presença da genômica nas decisões tomadas dentro das propriedades. Um dos principais instrumentos utilizados é o Índice de Qualificação Genética (IQG), que reúne características produtivas, reprodutivas e relacionadas ao biotipo dos animais.

“O IQG é definido por uma equação que pondera a Diferença Esperada na Progênie (DEP) pelo seu grau de importância”, explica Menezes.

Na prática, o índice auxilia o produtor na identificação dos animais geneticamente superiores e daqueles que não correspondem aos objetivos estabelecidos para o rebanho.

O programa também utiliza ferramentas destinadas a evitar que a busca por determinadas características provoque desequilíbrios genéticos. Entre elas estão o Nível de Problema (NP), indicador de desvios em relação às médias do programa, e a Coancestralidade (COA), utilizada para acompanhar a contribuição genética dos reprodutores e reduzir a concentração excessiva em poucas linhagens.

Para aprimorar a precisão das avaliações, o Geneplus mantém cooperação científica internacional e patrocina instituições como a Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, e a Universidade de Guelph, no Canadá.

Provas buscam animais mais eficientes

Parte desse trabalho poderá ser acompanhada durante a ExpoGenética por meio das provas de avaliação conduzidas pelo programa.

Na Prova de Avaliação de Desempenho (GP PAD), são analisadas características como a eficiência no uso dos alimentos, além de fenótipos de difícil mensuração. Já a GP ATJ concentra esforços na identificação de touros jovens com potencial para chegar às centrais de inseminação artificial.

A estratégia busca reduzir o intervalo entre gerações e fazer com que a genética de animais superiores chegue mais rapidamente aos rebanhos comerciais.

O Geneplus atua tanto com rebanhos de seleção ligados às associações de raça quanto com projetos certificados pelo Ministério da Agricultura e propriedades comerciais voltadas à produção de carne.

Segundo Nobre, a meta é transformar o volume crescente de informações disponíveis na pecuária em decisões capazes de gerar resultados dentro da fazenda.

O programa também ampliou sua atuação na formação profissional. Depois de anos promovendo cursos presenciais para profissionais das ciências agrárias, estudantes e gestores, passou a contar com uma pós-graduação lato sensu, com duração de 16 meses e aprovação do Ministério da Educação (MEC).

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