O milho já é responsável por mais de 20% do etanol produzido no Brasil. Para a safra 2026/27, a Hedgepoint Global Markets projeta que a demanda do cereal para a formulação de biocombustível atinja 34 milhões de toneladas, aumento de 17% ante o registrado na temporada 2025/26.
No entanto, tal incremento depende da renovação da medida que eleva em 32% o percentual do etanol na gasolina, contida em resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e que expira em janeiro de 2027, podendo ser prorrogada por mais 180 dias.
Essa política pode ser interrompida com uma possível mudança na presidência do país? O tema foi discutido na live Commodities em Foco, que vai ao ar todas as segundas e sextas, às 18h, no Youtube do Canal Rural.
O assunto ganhou holofote com os resultados do primeiro turno das eleições 2026, ocorrida no último domingo (4), quando o candidato Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos ante 45,16% de Lula.
Em agosto, o filho de Jair havia dito que, caso eleito, atuará para que o percentual da mistura obrigatória do etanol à gasolina seja rediscutido. O político comparou o aumento de biocombustível à fonte fóssil a uma “reduflação”, argumentando que o consumidor pagaria o mesmo preço pelo item, mas levaria menos “produto” no tanque. À época, seu comentário foi fortemente rebatido pelo setor.
Entretanto, o convidado da live, o coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos & Oleaginosas da Hedgepoint Global Markets, Luiz Fernando Gutierrez Roque, salientou que, de forma geral, o mercado aposta que o teor de 32% de etanol na gasolina será renovado em janeiro, independente de quem ocupar a cadeira máxima do Executivo.
“Ao fim dos 360 dias totais, a aposta do mercado para hoje é que a medida se torne definitiva. Mas diria que tanto com Flávio ou com Lula, tudo está ‘na mesa’ e tudo pode acontecer. Ainda é muito cedo para falarmos que [essa medida pode] eventualmente voltar atrás, sendo que tanto um governo quanto o outro pode até avançar mais [na mistura de etanol na gasolina]”, considera.
Ainda assim, Roque salienta que se a mistura for reduzida e voltar ao patamar de 30% em 2027, a demanda de milho para etanol precisará ser revista. “Acho que seria uma surpresa uma eventual redução dessa mistura daqui para a frente, mas é algo que não podemos descartar”, diz.
















