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Mel produzido no Amapá ganha força como símbolo de qualidade e resistência

Mel produzido no Amapá ganha força como símbolo de qualidade e resistência

O que antes era feito de forma artesanal, passou a seguir padrões mais eficientes, elevando a qualidade e ampliando a produção de mel no Estado
Da Redação

No coração da Amazônia amapaense, entre áreas de floresta preservada e comunidades rurais que resistem com trabalho, tradição e esperança, a produção de mel vive um novo tempo, mais produtivo, mais organizado e, sobretudo, mais humano. Com incentivo do Governo do Amapá, nos municípios de Porto Grande e Itaubal, agricultores ligados à cooperativa Coopermel Amapá experimentam uma transformação concreta que vai além da técnica, promovendo uma verdadeira mudança de vida.

O ponto de virada começou com a chegada de kits de produção, compostos por equipamentos modernos para o manejo das colmeias, extração e armazenamento do mel. O que antes era feito de forma artesanal, com esforço redobrado e limitações, passou a seguir padrões mais eficientes, elevando a qualidade e ampliando a produção.

Para o diretor presidente do Rurap, Kelson Vaz, o impacto é real e vai muito além dos números. “Quando a gente leva um kit como esse até o produtor, não estamos entregando apenas equipamentos, mas também oportunidade, dignidade e perspectiva de futuro. Esses instrumentos mudam a forma de produzir, reduzem o esforço, aumentam a eficiência e, principalmente, elevam a autoestima de quem vive do campo. Hoje, já conseguimos ver claramente o resultado: mais produção, mais qualidade e mais renda circulando nas comunidades. É a política pública chegando na ponta e transformando vidas de verdade”, garante o gestor.

Kelson Vaz, presidente do Rurap

Na prática, a transformação é sentida no dia a dia dos produtores. O apicultor Júlio Avelar, presidente da cooperativa, acompanha de perto essa evolução e fala com emoção sobre o novo momento vivido pelos colegas. “Antes, a gente trabalhava sem estrutura. Era tudo mais lento e limitado. Hoje, com os kits, conseguimos produzir mais, armazenar melhor e não precisamos mais interromper a colheita. Isso mudou a nossa realidade. O produtor se sente valorizado e passa a acreditar mais no próprio trabalho”, afirma.

Ele explica que, com os novos equipamentos, a capacidade de armazenamento aumentou significativamente e o processo de extração ganhou agilidade com o uso de centrífugas modernas. “A gente deixou de depender do trabalho manual. Hoje, conseguimos acompanhar o ritmo da produção e aproveitar melhor a safra. Isso faz toda a diferença”, completa.

Qualidade e segurança

Na outra ponta da cadeia, dentro da agroindústria, a apicultora Edicleuma Santana, destaca que os avanços também garantem qualidade e segurança ao produto final, algo essencial para conquistar o consumidor.

“A apicultura hoje representa desenvolvimento econômico, social e ambiental. Esses equipamentos trouxeram mais segurança no processamento do mel, garantindo um produto de excelência. Agora, conseguimos acelerar o processo e manter os padrões exigidos, o que é fundamental para quem trabalha com alimento”, explica.

Ela também ressalta a importância do acompanhamento técnico. “O apoio do Rurap é essencial, porque garante que a qualidade comece lá no campo. Não adianta só processar bem, é preciso produzir bem. Essa parceria fortalece toda a cadeia”, afirma.

Força da união

Mesmo enfrentando desafios históricos da região amazônica como distâncias, logística e acesso limitado a recursos os produtores encontram na organização coletiva um caminho sólido. A cooperativa, ainda jovem, já reúne dezenas de apicultores em diversos municípios e segue em expansão, apostando na força da união.

Além do impacto econômico, a apicultura carrega um valor ainda mais profundo: o compromisso com a sustentabilidade. Ao depender diretamente da preservação ambiental, a atividade incentiva a manutenção da floresta e a conservação da biodiversidade, elementos vitais para a sobrevivência das abelhas e para o equilíbrio do ecossistema.

Com resultados já visíveis e histórias que inspiram, o mel produzido no Amapá começa a ganhar força como símbolo de qualidade e resistência. Mais do que um produto, ele representa um ciclo de transformação que nasce no campo e floresce em forma de dignidade, renda e futuro.

O engenheiro agrônomo do Rurap, Blenio Bernardo, destaca a importância dos investimentos no setor. “A assistência técnica é o elo que garante que todo esse investimento gere resultado concreto. Nosso trabalho começa lá no campo, orientando o manejo correto das colmeias, o cuidado com o ambiente e as boas práticas de produção. Quando isso se soma a equipamentos adequados no processamento, nós conseguimos assegurar um mel com qualidade, segurança e padrão de mercado. É essa integração campo e agroindústria que fortalece a cadeia produtiva e permite que o apicultor avance com mais confiança e sustentabilidade”, avalia.

Entre o zumbido das abelhas e o perfume das flores nativas, cresce também algo invisível, mas poderoso: a certeza de que, quando há apoio, organização e oportunidade, o campo deixa de ser apenas lugar de sobrevivência e se torna território de prosperidade.

 

 

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