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Pecuária sustentável: como o Guandu BRS Mandarim dobra o valor das suas pastagens

Pecuária sustentável: como o Guandu BRS Mandarim dobra o valor das suas pastagens


Pecuaristas, a recuperação de pastagens degradadas é, sem dúvida, um dos maiores desafios do nosso setor, impactando diretamente a produtividade, a sustentabilidade e a renda das propriedades. Quer transformar suas pastagens degradadas e aumentar a lucratividade da sua fazenda? Assista à entrevista abaixo e descubra os segredos do Guandu BRS Mandarim!

A boa notícia é que a Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), desenvolveu uma tecnologia inovadora e viável para essa questão: a consorciação de capins tropicais com o feijão-guandu, em especial a cultivar Guandu BRS Mandarim.

Essa leguminosa se destaca por seu duplo propósito, oferecendo uma solução completa e eficiente.

Nesta quarta-feira (23), o programa Giro do Boi entrevistou a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, que tem acompanhado de perto o sucesso da utilização do Mandarim nas fazendas.

Ela detalhou como essa tecnologia dispensa o uso de herbicidas, adota um manejo simples e eleva o desempenho animal. Para transformar suas pastagens degradadas e aumentar a lucratividade da sua fazenda, é fundamental conhecer os segredos do Guandu BRS Mandarim.

Duplo propósito: forragem proteica e adubação verde

Utilização de feijão-guandu BRS Mandarim para fins de pastagem. Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária Sudeste
Utilização de feijão-guandu BRS Mandarim para fins de pastagem. Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária Sudeste

O Guandu BRS Mandarim atua de duas formas essenciais e complementares para a pecuária, oferecendo benefícios tanto para a nutrição animal quanto para a saúde do solo:

  • Forragem proteica na seca: No período seco do ano, quando a oferta de pasto diminui drasticamente, o guandu serve como uma excelente fonte de proteína para o pastejo dos animais. Com teores que variam entre 18% e 20% de proteína bruta, ele pode substituir, de forma eficaz, suplementos industriais, resultando em uma significativa redução de custos para o produtor.
  • Adubo verde para o solo: Após o pastejo na seca e o florescimento natural, a leguminosa é roçada. O material vegetal que permanece na superfície do solo atua como um poderoso adubo, fornecendo até 200 kg/ha de nitrogênio ao sistema. Essa contribuição melhora substancialmente a fertilidade do solo, eliminando a necessidade de adubação nitrogenada convencional.

Essa abordagem não só contribui para o aumento do ganho de peso dos animais e a redução do tempo de abate, mas também eleva o ganho de peso por hectare em comparação com sistemas que utilizam pastagens solteiras.

Eficiência comprovada e implantação acessível

Sementes de feijão guandu BRS Mandarim. Foto: Ana Maria Dantas de Maio/Embrapa PantanalSementes de feijão guandu BRS Mandarim. Foto: Ana Maria Dantas de Maio/Embrapa Pantanal
Sementes de feijão guandu BRS Mandarim. Foto: Ana Maria Dantas de Maio/Embrapa Pantanal

A Embrapa possui estudos robustos que comprovam a eficiência da consorciação com guandu em áreas de pastagem degradada.

Pesquisas indicam que novilhas nelore em pastagens de braquiária consorciada com guandu apresentaram um melhor desempenho individual e permitiram uma maior lotação de animais por área, além de um menor tempo até o abate.

Em um experimento comparando três sistemas de manejo, animais em pastos que contavam com o guandu tiveram um ganho médio diário de 0,376 kg durante o período de seca.

Esse resultado superou o desempenho de animais que receberam suplementação (0,298 kg) ou aqueles que não tiveram nenhum tipo de reforço alimentar (0,138 kg).

A implantação do guandu é um processo acessível e relativamente simples:

  • O primeiro passo é realizar uma análise de solo e, se necessário, a calagem.
  • O plantio direto do guandu deve ser feito no início da estação chuvosa, preferencialmente até a primeira quinzena de janeiro.
  • As sementes devem ser inoculadas com Bradyrhizobium sp (Cajanus) para otimizar a fixação de nitrogênio.
  • O espaçamento ideal entre linhas é de 70 a 80 cm, com uma densidade de 62,5 a 75 mil plantas por hectare.
  • O sucesso da implantação depende de uma semeadura correta e de um controle eficaz de formigas.

A pastagem já começa a mostrar sinais de recuperação em cerca de 30 dias após o plantio, e o primeiro pastejo pode ocorrer entre 65 e 80 dias após a semeadura.

A palatabilidade do guandu aumenta na fase reprodutiva, o que faz com que os animais consumam preferencialmente o capim nas águas e o guandu na seca, favorecendo o equilíbrio das espécies no consórcio.

Persistência, sustentabilidade e economia de insumos

Flor de feijão-guandu BRS Mandarim, utilizado como pastagem em campo experimental da Embrapa Pecuária Sudeste em São Carlos (SP). Foto: Juliana Sussai/Embrapa PecuáriaFlor de feijão-guandu BRS Mandarim, utilizado como pastagem em campo experimental da Embrapa Pecuária Sudeste em São Carlos (SP). Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária
Flor de feijão-guandu BRS Mandarim, utilizado como pastagem em campo experimental da Embrapa Pecuária Sudeste em São Carlos (SP). Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária

A persistência do guandu no sistema de pastagem consorciada pode durar até três anos. A realização de duas roçadas anuais (uma a cada início de estação chuvosa) funciona como uma forma de adubação verde e de renovação do ciclo da leguminosa.

Ao final do terceiro ano, uma nova sobressemeadura é recomendada para manter o estande acima das 40 mil plantas/ha e garantir a eficácia da técnica a longo prazo.

Essa estratégia está perfeitamente alinhada com os princípios do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), contribuindo para a sustentabilidade da pecuária e a economia de insumos, uma vez que a adubação nitrogenada se torna dispensável.

O Guandu BRS Mandarim é, portanto, uma solução eficiente, de baixo custo e com alto retorno para pecuaristas que enfrentam o desafio da degradação de pastagens.

Ele permite elevar a produtividade da pecuária sem a necessidade de expandir áreas, respondendo de forma inovadora aos desafios climáticos, econômicos e ambientais da atividade.



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