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quase 2 mil agtechs e 451 hubs mapeados

quase 2 mil agtechs e 451 hubs mapeados


O ecossistema de inovação no agronegócio brasileiro registrou crescimento expressivo entre 2023 e 2024, segundo o Radar Agtech Brasil, lançado nesta quarta-feira (26) durante o Radar Agtech Summit, no Cubo Itaú, em São Paulo.

O levantamento, desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Homo Ludens e a SP Ventures, aponta aumento de 224% no número de incubadoras voltadas ao agro, que passaram de 32 para 107 em um ano.

As aceleradoras de startups também cresceram 90%, passando de 21 para 40, enquanto os hubs de inovação aumentaram 29%, de 82 para 106. Os parques tecnológicos voltados ao setor passaram de 93 para 117, um avanço de 25%. No total, foram mapeadas 451 iniciativas entre hubs, aceleradoras, incubadoras e parques tecnológicos.

Além dos ambientes, o Radar ampliou o escopo em 2024 e trouxe, pela primeira vez, uma análise detalhada sobre os investidores do setor. O número de fundos de venture capital, corporate ventures e iniciativas financeiras voltadas a agtechs e foodtechs cresceu de forma relevante, sinalizando o amadurecimento do setor.

De acordo com a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o documento se consolidou como uma das principais referências em inteligência estratégica para o agro brasileiro. “Com o escopo ampliado, reforçamos o compromisso de produzir conhecimento estratégico e apoiar a inovação em toda a cadeia agroalimentar”, afirmou.

O analista da Embrapa Aurélio Favarin destacou a importância de mapear também os ambientes que dão suporte às startups. “Além das startups, é fundamental entender as condições necessárias para que elas nasçam e se desenvolvam. Os ambientes de inovação e os investidores são cruciais nesse processo”, disse.

Desde sua primeira edição, em 2019, o Radar Agtech Brasil já identificou um crescimento de 75% no número de agtechs, passando de 1.125 para 1.972 startups em 2024. Essas empresas atuam em áreas como gestão de propriedades, automação agrícola, sensoriamento remoto e biotecnologia.

Inovação pelo país

O estudo também revelou a descentralização dos ambientes de inovação pelo país. Apesar da concentração no Sudeste (36,8%), o Sul já representa 31%, seguido pelo Nordeste (17,5%), Centro-Oeste (9,5%) e Norte (5%). São Paulo concentra 43,5% dos ambientes no Sudeste, mas regiões como o Nordeste e Norte vêm ganhando relevância, com crescimento de 3,5% para 5,9% e de 1,5% para 5,0%, respectivamente.

Francisco Jardim, sócio da SP Ventures, destacou o momento de transformação que o setor vive. “As startups agtech da América Latina estão liderando uma revolução, trazendo tecnologias avançadas e novos modelos de negócio para responder aos desafios impostos pela crise climática e insegurança alimentar”, afirmou.

A internacionalização também foi apontada como uma tendência em ascensão. Startups brasileiras têm se conectado a hubs de inovação globais, ampliando seu acesso a novos mercados e tecnologias.

O levantamento identificou ainda o avanço da sustentabilidade e da digitalização. Em 2024, cerca de 41,5% das agtechs atuam no segmento “Dentro da Fazenda”, com foco em automação e gestão rural. Também se destacam soluções com foco em bioinsumos, rastreabilidade e agricultura regenerativa.

Para Luiz Sakuda, sócio da Homo Ludens, o cenário atual exige a criação de redes conectadas e vivas. “A agricultura responde por cerca de 22% do PIB brasileiro. É imprescindível investir em inovação para transformar o setor e garantir sua sustentabilidade”, disse.

O Radar Agtech 2024 reforça que o futuro da inovação no agro passa por colaboração entre startups, instituições de pesquisa, investidores e produtores, para gerar soluções eficazes e ampliar a competitividade do setor agroalimentar brasileiro.



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