USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
‘Temos tudo para buscar a tão sonhada paridade internacional de preço’, afirma Eduardo Pedroso, da Friboi

‘Temos tudo para buscar a tão sonhada paridade internacional de preço’, afirma Eduardo Pedroso, da Friboi


Foto: Junner Schmidt.

Em painel realizado durante o Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap 2026), realizado em Campo Grande (MS), o diretor executivo de Originação e Confinamentos da Friboi, Eduardo Pedroso, afirmou que o país precisa fortalecer a comunicação internacional sobre seus avanços produtivos e sanitários para agregar valor ao produto brasileiro.

“Nós precisamos aprender a nos comunicar melhor, mostrar para o mundo que somos capazes de produzir com consistência e com confiança. Ao aumentar a reputação da carne brasileira, certamente temos tudo para buscar a tão sonhada paridade internacional de preço”.

O executivo participou do painel “DNA da liderança: por dentro da pecuária no Brasil”, ao lado da pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Camila Estevam, e da chefe-geral da Embrapa Gado de Corte, Mariana de Aragão Pereira.

Ao abordar os movimentos do comércio internacional, Pedroso relacionou questões geopolíticas às medidas adotadas pelos principais mercados consumidores.

“Quando aplicamos a palavra geopolítica para o mercado da carne bovina, por exemplo, ela se traduz em forma como os diferentes países tratam a proteção dos seus produtores locais e da sua indústria local.”

Segundo ele, o cenário internacional abre espaço para a ampliação da participação brasileira, diante da redução dos rebanhos em importantes regiões produtoras. “O mundo está entrando em um cenário onde nem todo mundo que tem renda tem e terá produto disponível para consumir.”

Expansão da produtividade

O executivo ressaltou que a produtividade tem avançado sem a necessidade de expansão territorial, impulsionada por tecnologias de nutrição, integração produtiva e intensificação dos sistemas de produção.

“A disponibilidade de DDG vai aumentar nos próximos anos, sem precisar de mais terra, produzindo mais qualidade, produzindo mais volume, com sustentabilidade. Isso é o Brasil.”

Ele também apontou o avanço da terminação intensiva e da recria intensiva como processos já consolidados na pecuária nacional.

“Hoje, talvez pudéssemos afirmar mais três revoluções tecnológicas acontecendo. Terminação intensiva, caminho sem volta. Recria intensiva, um caminho sem volta. E é chegada a hora do melhoramento genético do gado comercial.”

O papel da ciência na sustentabilidade da pecuária

Foto: Junner Schmidt.
Foto: Junner Schmidt.

A pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Camila Estevam, também participou do encontro com o painel “Métricas tropicalizadas da pecuária”. Ela defendeu a adoção de métricas adaptadas à realidade brasileira para mensurar os avanços ambientais da pecuária.

Para Estevam, um dos principais desafios do setor é transformar os resultados obtidos no campo em dados capazes de dialogar com os mercados internacionais. “Uma coisa é avançarmos no tema, outra coisa é demonstrarmos esse tema. E aqui é onde mora o desafio”, afirmou.

Durante a apresentação, Camila explicou que a análise da sustentabilidade da pecuária precisa considerar todo o sistema produtivo, e não apenas as emissões geradas pelos animais. Segundo a pesquisadora, a qualidade das pastagens e a capacidade de remoção de carbono pelo solo alteram significativamente o resultado final das medições.

Ela destacou que a intensificação dos sistemas produtivos, associada ao manejo adequado das áreas de pastagem, melhora o balanço de carbono das propriedades e amplia a eficiência da atividade.

“Quando eu torno o meu processo mais eficiente, ele automaticamente se torna mais sustentável. E aí isso se reflete em carbono, se reflete em potencial de descarbonização.”

Camila também chamou a atenção para a necessidade de desenvolver metodologias adaptadas às características da pecuária tropical brasileira. Segundo ela, diferentes critérios de medição podem gerar resultados distintos para um mesmo sistema produtivo.

“Não adianta entrarmos na narrativa de nós contra eles, ou fatores internacionais versus fatores nacionais. A gente tem que entender qual é a política climática e como, a partir dessas metodologias, nós trazemos os nossos pontos com ciência.”

Para Camila, o avanço da produtividade e da eficiência será determinante para consolidar o papel do setor na agenda climática global. “A gente garante a segurança alimentar e também atua como um agente promotor da solução climática”, concluiu.

‘A pecuária de baixo carbono é o próprio futuro’, afirma chefe-geral da Embrapa Gado de Corte

Foto: Junner Schmidt.
Foto: Junner Schmidt.

A chefe-geral da Embrapa Gado de Corte, Mariana de Aragão Pereira, apresentou o painel “O futuro da pecuária de baixo carbono no Brasil” e defendeu que a agenda climática está diretamente ligada ao aumento da eficiência dos sistemas produtivos.

Segundo a pesquisadora, a pecuária de baixo carbono não representa uma mudança de modelo, mas um aprimoramento das práticas já adotadas no campo. “A pecuária de baixo carbono é o próprio futuro”, afirmou.

Mariana explicou que as estratégias propostas pela pesquisa buscam reduzir emissões e ampliar a retenção de carbono no sistema produtivo, especialmente por meio do manejo de pastagens, da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), da genética e da nutrição animal. Para ela, a eficiência produtiva e a sustentabilidade caminham juntas.

A pesquisadora destacou que a adoção de métricas adaptadas à realidade brasileira é uma etapa necessária para demonstrar os resultados da pecuária nacional aos mercados internacionais.

“Não adianta a gente ser eficiente, nós temos que provar que nós somos eficientes, nós temos que demonstrar que usamos sistemas. Nós não estamos produzindo para nós, nós produzimos para um mercado e esse mercado nos exige apresentar esses números”, disse.

Mariana ressaltou que o Brasil reúne condições favoráveis para liderar esse processo, citando o clima tropical, a tradição pecuária, a capacidade científica e a existência de políticas públicas voltadas à sustentabilidade.

Recuperação de pastagens e intensificação da produção

Durante a apresentação, a pesquisadora apontou a recuperação de áreas degradadas como uma das principais oportunidades para ampliar a produção sem necessidade de abertura de novas áreas.

Segundo ela, o país possui cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser convertidas em sistemas mais eficientes ou destinados a outros usos agropecuários.

Ela também citou metas previstas em políticas públicas, como a recuperação de 30 milhões de hectares de pastagens, a terminação intensiva de 5 milhões de cabeças e a expansão de 10 milhões de hectares em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta.

Inclusão dos pequenos produtores e rastreabilidade

A chefe-geral da Embrapa alertou que a transição para uma pecuária de menor emissão depende da participação dos pequenos e médios produtores. “Mais de 80% das propriedades de pecuária do Brasil têm até 200 ou 300 hectares. São pequenos produtores e eles precisam fazer parte desse movimento, porque senão a gente também não consegue descarbonizar”, afirmou.

Mariana também defendeu o avanço da rastreabilidade e a necessidade de ampliar a inclusão digital no campo para garantir que os produtores tenham acesso às ferramentas exigidas pelo mercado.

‘Nós não temos mais tempo a perder. O momento é agora’, diz

Ao encerrar a participação, a pesquisadora reforçou que a pecuária tropical precisa ser avaliada de forma sistêmica e baseada em evidências científicas.

“A pecuária tropical é diversa e complexa. Simplificações dessa natureza vão trazer soluções parciais, precipitadas e pouco aderentes à maioria dos nossos produtores. A gente precisa tratar a pecuária de uma forma sistêmica, baseada em evidência científica”, declarou.

Para Mariana, o país reúne condições para assumir protagonismo na transição para sistemas produtivos de menor emissão de carbono.

“A pecuária tropical representa uma grande oportunidade de tornar o Brasil um líder na transição sustentável e de baixo carbono. Nós não temos mais tempo a perder. O momento é agora. A gente precisa trabalhar agora”, concluiu.

A realização do Fiap 2026 é da BR IN Eventos e Canal Rural, com correalização da Famasul. Patrocinam o evento ApexBrasil, Sebrae, CNA/Senar e Friboi, com apoio de Abiec, Governo de Mato Grosso do Sul, Massey Ferguson e CropLife. Linha aérea oficial: Azul.

O post ‘Temos tudo para buscar a tão sonhada paridade internacional de preço’, afirma Eduardo Pedroso, da Friboi apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Radar Rural debate representatividade e desafios da pecuária brasileira

O movimento Vozes da Pecuária reúne produtores de diferentes regiões do Brasil para organizar as demandas do setor e ampliar a participação dos pecuaristas nas discussões sobre políticas públicas, legislação e mercado. A iniciativa foi tema do Radar Rural desta semana, que recebeu os pecuaristas Thomas Rocco, embaixador do território Alta Noroeste Paulista, e Raul Moraes Neto, integrante do comitê gestor do movimento. Criado em 2025, o grupo surgiu a partir de articulações entre produtores rurais. Segundo os representantes, a proposta é reunir demandas comuns, que muitas vezes não chegam aos responsáveis pelas decisões, e encaminhá-las de forma organizada às instituições e ao poder público.

a conta econômica por trás da seleção genética

A rentabilidade da produção é um dos critérios para definir quais características devem ser priorizadas no melhoramento genético de búfalos. O tema será discutido no XVIII Encontro Brasileiro de Bubalinocultores, que será realizado de 24 a 27 de novembro, em Florianópolis (SC). No dia 26, às 10h, o médico veterinário Aníbal Vercesi Filho, pesquisador científico do Instituto de Zootecnia de São Paulo, ministrará a palestra “Objetivos de Seleção na Bubalinocultura”. A apresentação abordará as etapas necessárias para estruturar um programa de melhoramento genético, desde a identificação do sistema de produção até a definição das características que devem orientar a seleção dos animais. Segundo o pesquisador,

Boi gordo: preços seguem firmes, mas ritmo de alta perde força no mercado; saiba mais

O mercado físico do boi gordo encerrou a semana, nesta sexta-feira (6), com preços firmes e altas pontuais, embora o movimento de valorização tenha perdido força nas principais regiões produtoras. A oferta restrita e as escalas de abate encurtadas, entre cinco e seis dias úteis, mantiveram os frigoríficos ativos nas compras, mas as negociações passaram a ocorrer de forma mais seletiva. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a oferta disponível continua limitada, mas o mercado apresenta maior resistência aos patamares mais elevados. As exportações permanecem deprimidas, enquanto a retomada das vendas para a China ocorre gradualmente e ainda não provoca

Consulta pública avança proposta de proteção dos Montes Oceânicos

A proposta de criação de três unidades de conservação nos Montes Oceânicos avançou nesta sexta-feira (6) com a primeira consulta pública realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Natal. A próxima reunião está marcada para segunda-feira (9), em Fortaleza. As áreas em discussão somam 18.219.322 hectares, o equivalente a cerca de 180 mil km². A proposta reúne os Refúgios de Vida Silvestre (REVIS) Cadeia Fernando de Noronha e Cadeia Norte do Brasil, além da Área de Proteção Ambiental (APA) dos Montes Oceânicos. Os estudos começaram em 2016 e foram desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Centro Nacional

Mapa cria Medalha Mérito da Defesa Agropecuária

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu a Medalha e o Diploma Mérito da Defesa Agropecuária para reconhecer pessoas e organizações com atuação relevante no fortalecimento da defesa agropecuária brasileira. Os critérios e procedimentos para a concessão da honraria foram definidos na Portaria Mapa nº 968/2026, publicada nesta sexta-feira (6/11). A iniciativa abrange contribuições em áreas como sanidade animal e vegetal, inspeção e fiscalização agropecuária, qualidade de produtos, insumos e serviços agropecuários e segurança dos alimentos. Também entram no escopo ações de pesquisa, inovação, educação sanitária e cooperação técnica e institucional voltadas ao fortalecimento do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa). A

Comitê aprova plano para interromper e reverter o desmatamento até 2030

O Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) aprovou, nesta sexta-feira (6), em Brasília, o Mapa do Caminho para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. A reunião contou com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A medida integra a agenda climática brasileira e tem como referência os resultados dos planos de prevenção e controle do desmatamento nos biomas do país. O documento estabelece quatro frentes de atuação: conservação e uso sustentável das florestas; restauração florestal; combate ao desmatamento ilegal e aos incêndios florestais; e redução da supressão legal de vegetação, acompanhada de instrumentos econômicos. A

CNPE debate transição energética e reforça papel do agro nos biocombustíveis

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta sexta-feira (6/11), em Brasília, que o agronegócio brasileiro tem papel estratégico na transição energética. A declaração foi feita durante a 3ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes do governo federal para discutir diretrizes do planejamento energético nacional. Durante o encontro, o foco esteve na ampliação do uso de fontes renováveis e no fortalecimento dos biocombustíveis. André de Paula disse que alimento e energia se somam no campo brasileiro e citou o avanço das misturas obrigatórias. Segundo

Lista de minerais estratégicos inclui insumos ligados à produção de fertilizantes

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce) aprovou nesta quinta-feira (5) a lista brasileira de minerais considerados críticos e estratégicos. A decisão foi tomada na primeira reunião do colegiado, conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Entre os minerais priorizados estão fosfato, potássio e enxofre, insumos ligados à produção de fertilizantes. O encontro marcou o início dos trabalhos do Cimce, criado pela Lei nº 15.506/2026 e vinculado à Presidência da República. O colegiado é responsável pela coordenação, pelo planejamento e pelo acompanhamento da Política Nacional de Minerais Críticos e

Conab realiza leilões de Pepro para apoiar escoamento da laranja em sete estados

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizará, na quarta-feira (11) e na quinta-feira (12), leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) para apoio ao escoamento da laranja in natura da safra 2026/2027. As operações abrangem Bahia, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe, com cerca de R$ 19,8 milhões em recursos e previsão de negociação de aproximadamente 41,8 mil toneladas. Segundo a Conab, o leilão de quarta-feira (11), a partir das 9h, será destinado à agricultura familiar e às cooperativas do segmento. Para participar, os interessados devem estar cadastrados no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e

ANP aprova primeiras certificações para emissão de CGOBs de biometano

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou as primeiras certificações de produtores de biometano para emissão dos Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOB). A decisão, divulgada em 6 de novembro de 2026, marca uma nova etapa na implementação do mercado brasileiro de certificação de origem e rastreabilidade do biometano. Segundo a ANP, foram aprovadas as certificações de três produtores de biometano. O reconhecimento atesta a conformidade desses agentes com os requisitos da Resolução ANP nº 996/2026 e os habilita para a emissão dos CGOBs. A emissão dos certificados dependerá da entrada em operação da Plataforma CGOB, desenvolvida pelo Serviço