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UE barra carne do Brasil e analista vê decisão com possível viés político

UE barra carne do Brasil e analista vê decisão com possível viés político


Foto: Ministério da Agricultura

A oficialização de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal à União Europeia não surpreendeu o mercado. A medida inclui carne bovina, de frango e outras proteínas. A avaliação é da CEO da Agrifatto, Lygia Pimentel.

A confirmação ocorreu na última sexta-feira (5), por meio de um documento assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A decisão está relacionada principalmente às exigências do bloco em relação à rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental.

Para a analista, o movimento apenas oficializa uma sinalização que já vinha sendo considerada pelo setor desde o anúncio inicial, em maio deste ano. “É uma análise que já vinha sendo feita lá atrás. A confirmação não muda o cenário. O mercado já esperava isso”, afirma Lygia.

UE: decisão sanitária ou de viés político?

Um dos pontos que chamam a atenção, de acordo com a CEO da Agrifatto, é que a suspensão da União Europeia não atinge outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai. A avaliação dela é de que há motivação política no movimento.

Apesar disso, Lygia avalia que não houve reação relevante no período entre o anúncio e a confirmação. “Não vimos nenhuma ação forte do governo nesse meio tempo para tentar explicar ou reverter. E o cenário segue o mesmo”, afirma.

Em abril, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) proibiu parte dos antimicrobianos usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal. Nesse sentido, a posição do governo brasileiro e de entidades do setor permanece de que a nossa produção já atende esses requisitos e que houve reforço na fiscalização.

A publicação da União Europeia, contudo, aponta que o Brasil não forneceu garantias suficientes sobre a não utilização de antibióticos na pecuária.

Além disso, a medida foi divulgada pouco depois da entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que reduziu tarifas sobre a carne brasileira. Antes da aprovação, o tratado causou uma série de protestos na Europa — a principal reivindicação é que os produtos brasileiros tirariam a competitividade dos produtores europeus.

Decisão causa prejuízo bilionário à pecuária brasileira

Caso seja efetivada em 3 de setembro, a decisão da União Europeia pode gerar um prejuízo de US$ 1,84 bilhão às exportações brasileiras, sendo US$ 1 bilhão referente à carne bovina e US$ 763 milhões à carne de frango.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, reforça que a carne de frango do Brasil é rastreada durante todas as etapas de produção.

“Nós já cumprimos os requisitos e não há qualquer violação ou problema sanitário com as carnes brasileiras”, pontou ele, em vídeo enviado à nossa equipe de reportagem. Segundo Santin, o foco agora está na garantia de fiscalização por parte do governo brasileiro para verificar que os antimicrobianos proibidos não estão sendo usados.

“Esperamos que até 3 de setembro o Brasil possa levar todas as análises de risco que vão comprovar que o Mapa está fiscalizando toda a produção de carne”, afirmou Santin. Ele também afirma que tanto a ABPA quanto a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) seguem fornecendo informações ao governo que possam agilizar o processo.

Em 2025, as exportações brasileiras de carne de frango para o bloco europeu somaram 230,31 mil toneladas, conforme dados compilados pela Agrifatto. Isso representa 4,46% do total exportado pelo país no período. No que se refere à carne bovina, o Brasil exportou cerca de 128,11 mil toneladas, o equivalente a 3,53% dos nossos embarques.

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