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Pecuária em Rondônia: por que touros Angus não são a melhor escolha?

Pecuária em Rondônia: por que touros Angus não são a melhor escolha?


Pecuaristas, a escolha de um touro de genética de ponta é crucial para a qualidade do rebanho, mas o sucesso depende da adaptação ao clima da sua região. Vagner Brito, assíduo telespectador do Giro do Boi e pecuarista de Cacoal, no estado de Rondônia, tem uma dúvida comum: o que esperar do uso de touros de pelagem escura como angus, ultrablack ou black simental em suas vacas a pasto? Assista ao vídeo abaixo e confira a resposta completa.

Nesta terça-feira (26), o zootecnista Alexandre Zadra, especialista em genética e cruzamento industrial de bovinos, respondeu à pergunta no quadro “Giro do Boi Responde”. Ele explica que, no calor de Rondônia, a genética deve ser tropicalizada para ter alta performance.

O desafio do clima quente e úmido de Rondônia

Alexandre Zadra ressalta que o clima de Rondônia, quente e úmido, exige que um animal criado extensivamente seja, no mínimo, 50% tropical. Isso significa que a fêmea deve ter pelo menos metade de sangue de raças tropicais, como um zebuíno, um caracu ou um senepol.

O especialista explica que touros de pelagem escura e mais de meio-sangue europeu não têm um sistema termorregulatório adequado para o calor. Eles só vão pastar e se recuperar se a temperatura cair à noite para 23ºC ou 24ºC, o que é raro em Rondônia.

O consumo de alimento durante o dia, quando a temperatura interna do rúmen sobe, pode ser um problema, pois eles não conseguem dissipar o calor, o que compromete o desempenho e o ganho de peso.

Touros europeus e a degeneração testicular

A Ultrablack é uma raça sintética, obtida por meio de cruzamentos, originária dos Estados Unidos – Foto: Eduardo Rocha/Associação Brasileira de Angus

Zadra alerta que touros europeus, como o ultrablack (com 81% de sangue angus) ou o black simental, não devem ser usados no campo extensivamente em regiões quentes.

Eles podem até ter um bom desempenho no primeiro ano, mas no segundo já podem apresentar degeneração testicular, o que compromete a fertilidade e a reprodução, gerando um grande prejuízo para a fazenda.

A recomendação para o pecuarista é clara e estratégica:

  • Use taurinos adaptados ou zebuínos: Raças como senepol, caracu ou bonsmara (de criatórios bem trabalhados) são ideais para o calor, pois são rústicas e se adaptam bem. Touros zebuínos também são uma excelente opção, por sua adaptabilidade comprovada.
  • Considere a inseminação: Use sêmen de black simental ou angus e faça o repasse com touros adaptados. Essa estratégia permite o uso da genética taurina, com a garantia de que o touro de repasse fará o trabalho.
  • Bimestiços: Raças como o canchim e o santa gertrudis podem ser usadas com capricho e em piquetes menores, com acesso à sombra e água de qualidade.

A chave para o sucesso é garantir que o touro se adapte ao clima. Um touro de genética premium não é apenas aquele que tem bom fenótipo, mas aquele que se adapta bem ao ambiente em que será criado, garantindo a sua produtividade e a rentabilidade da fazenda.



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