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Café entrou no Brasil pelo Norte e teve no Amapá sua porta de chegada

Café entrou no Brasil pelo Norte e teve no Amapá sua porta de chegada

Da Guiana Francesa às terras amazônicas, a história da bebida que se tornaria símbolo nacional começa pelo extremo Norte — e hoje volta a ganhar força com nova geração de produtores.

Cleber Barbosa, da Redação

Muito antes de se transformar em símbolo da economia nacional, estampar campanhas da Embratur e ganhar o mundo como principal commodity agrícola do país, o café fez sua primeira parada em solo brasileiro pelo Norte. E essa rota histórica passa diretamente pelo Amapá.

A revelação, que ainda surpreende muita gente, foi reforçada durante debate sobre a retomada da cafeicultura no estado. Segundo o historiador Daniel Chaves, o responsável por trazer as primeiras mudas ao território português na América foi Francisco de Melo Palheta.

No início do século XVIII, Palheta realizou missão diplomática na então Guiana Francesa e trouxe, de forma estratégica, mudas de café para o Brasil. Como não havia aviões — nem rotas diretas —, a travessia obrigatoriamente passou pelo território que hoje corresponde ao Amapá, antes de seguir para o Pará.

Na prática, isso significa que o café entrou no Brasil pelo Norte.

Das primeiras mudas ao gigante mundial

A planta, originária da África e já cultivada nas Guianas, encontrou solo fértil no país. Com o tempo, migrou para outras regiões e se consolidou especialmente no Sudeste, onde estados como Minas Gerais se tornaram referência mundial em qualidade.

Hoje, o Brasil é o maior produtor global de café. A cultura moldou ciclos econômicos, influenciou a formação social do país e atraiu fluxos migratórios — inclusive europeus — durante o período imperial.

Mas a história parece dar uma volta completa.

A nova fase do café no Amapá


O cafeicultor mineiro Orlando Pereira Vasconcelos, que lidera cooperativa de café no Amapá | Foto: AGFeed

Agora, quase três séculos depois da chegada das primeiras mudas, o Amapá volta a apostar na cultura cafeeira. Uma cooperativa recém-criada reúne 50 produtores distribuídos por municípios como Amapá, Tartarugalzinho, Calçoene, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Santana e Laranjal do Jari.

A aposta é no chamado robusta amazônico — variedade adaptada ao regime de chuvas intenso e às condições de solo da região. Alguns clones já alcançam produtividade superior a 100 sacas por hectare.

Além da adaptação climática, o café surge como alternativa econômica para pequenos produtores, especialmente aqueles afetados por problemas fitossanitários em outras culturas, como a mandioca. Diferentemente da raiz, que exige novo plantio a cada ciclo, o café permite colheitas anuais após a formação do pé, garantindo fluxo contínuo de renda.

Hoje, 77% dos cafeicultores brasileiros são pequenos produtores, com áreas inferiores a cinco hectares — perfil que se encaixa na realidade amazônica.

Mercado global e geração de renda

Por ser commodity, o café não depende apenas do consumo interno. O mercado é global. O robusta, por exemplo, tem maior teor de cafeína e é bastante procurado para blends e produtos industrializados.

Com projeções de renda que podem ultrapassar R$ 120 mil por hectare após a colheita, a cultura tem potencial de injetar milhões na economia local e gerar centenas de empregos diretos.

Em um estado que também debate a exploração de petróleo como alternativa econômica, o café surge como opção sustentável e estruturante — conectando passado e futuro. Se no século XVIII o Amapá foi porta de entrada do café no Brasil, no século XXI pode voltar a ser protagonista de um novo capítulo dessa história.

 

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