A 26ª Feira Agrotecnológica do Tocantins (Agrotins), em Palmas, sediou na tarde de quarta-feira (13) o evento “Piscicultura Familiar na Região de Porto Nacional: Caracterização, Desafios e Soluções”. A programação reuniu técnicos, pesquisadores e produtores para apresentar dados do segmento e discutir entraves operacionais e comerciais da atividade. A feira segue até sábado (16).
Durante o encontro, foram apresentados temas ligados à caracterização da piscicultura familiar, preparo de viveiros, manejo por fases, estratégias de comercialização e boas práticas no processamento do pescado. Segundo dados do último censo aquícola apresentados no evento, entre 80% e 85% dos empreendimentos do setor são pequenos ou familiares, com participação de 35% a 40% na produção nacional. A maior concentração está nas regiões Norte e Nordeste.
A zootecnista Rafaela Medeiros, supervisora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), afirmou que a adoção de novas técnicas ainda encontra resistência em parte dos produtores. Segundo ela, alimentação, densidade de estocagem e qualidade da água precisam atuar de forma integrada, mas a biometria ainda é subutilizada em muitas propriedades, o que dificulta o acompanhamento do desenvolvimento dos peixes.
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A pesquisadora Ana Paula Oeda, da Embrapa Pesca e Aquicultura, apresentou resultados de estudo em três pequenas pisciculturas de Porto Nacional. Entre os problemas observados estavam crescimento abaixo do esperado, baixa produtividade, menor eficiência na conversão alimentar e água muito transparente, indicativo de falhas na adubação.
No manejo dos viveiros, a pesquisadora Adriana Lima, também da Embrapa, destacou que a fertilização inadequada eleva a dependência de ração. Segundo ela, em viveiros corretamente fertilizados, 61% do crescimento do peixe vem da ração e 39% da ingestão de zooplâncton. Em sistemas sem fertilização adequada, 89% do crescimento passa a depender da ração, com impacto direto no custo de produção.
Na comercialização, o pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa, citou canais como atravessadores, abatedouros, venda direta, supermercados e mercados institucionais, além de mercados ainda pouco explorados, como pesque-pague e exportação.
O debate indicou que a ampliação da assistência técnica, o controle de custos, o manejo adequado dos viveiros e o avanço na regularização sanitária seguem como pontos centrais para elevar a eficiência da piscicultura familiar. No evento, produtores também relataram dificuldades com selo de inspeção e com o mexilhão-dourado, fatores que limitam a escala de produção e o acesso a novos mercados.
Fonte: embrapa.br
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