O pesquisador Guilherme M. Klafke, do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), apresentou nesta segunda-feira (18) estudos sobre resistência a carrapaticidas durante a 55ª reunião da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq), em Águas de Lindóia (SP). A exposição abordou avanços, limitações e desafios para aplicar marcadores moleculares no diagnóstico da resistência do carrapato bovino.
Na mesa-redonda “Avanços Recentes em Entomologia Molecular”, Klafke tratou dos “Marcadores Moleculares da Resistência a Carrapaticidas em Carrapatos: Avanços, Limitações e os Desafios para sua Aplicação no Diagnóstico”. O foco foi o carrapato bovino (Rhipicephalus microplus), parasito de ampla ocorrência em regiões tropicais e subtropicais.
Segundo a Seapi, o parasita provoca perdas na pecuária tanto pela ação direta sobre os animais quanto pela transmissão de agentes da tristeza parasitária bovina. O controle ainda depende, em grande parte, do uso de produtos químicos. Nesse cenário, o uso frequente de carrapaticidas favorece a seleção de populações resistentes, o que reduz a eficiência do manejo sanitário no campo.
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A apresentação mostrou que a resistência é um fenômeno evolutivo e multifatorial. Embora a biologia molecular já tenha identificado mutações e mecanismos associados ao problema, ainda há limitações para converter esses achados em testes amplamente aplicáveis na rotina. De acordo com o pesquisador, populações resistentes de diferentes regiões podem apresentar variantes genéticas distintas, o que limita o uso de um único marcador para explicar o fenótipo observado.
Em declaração divulgada pela secretaria, Klafke afirmou que o diagnóstico laboratorial continua essencial para orientar o uso racional dos carrapaticidas. Segundo ele, a integração entre vigilância genômica, bioensaios laboratoriais e dados de campo é a abordagem mais promissora para compreender como a resistência surge, se espalha e se mantém nas populações de carrapatos.
O IPVDF informou que mantém atuação no diagnóstico da resistência a carrapaticidas e no apoio técnico a veterinários, produtores e ao serviço veterinário oficial. O centro também desenvolve estudos para aperfeiçoar métodos laboratoriais e subsidiar estratégias de controle mais sustentáveis no Rio Grande do Sul.
Para a pecuária, o tema tem efeito direto sobre o manejo sanitário e sobre a escolha técnica de produtos no controle do carrapato bovino. Com base nas informações apresentadas, a orientação disponível é combinar diagnóstico laboratorial, monitoramento da resistência e dados de campo, já que não há indicação de que ferramentas moleculares, isoladamente, resolvam o problema na rotina produtiva.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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