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Audiência na Câmara expõe divergências sobre medidas para conter preços dos combustíveis

Audiência na Câmara expõe divergências sobre medidas para conter preços dos combustíveis


Participantes de uma audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados divergiram, nesta quarta-feira (20), sobre as medidas adotadas para reduzir o impacto da alta dos combustíveis no Brasil. O debate concentrou críticas ao imposto sobre a exportação de petróleo criado pelo Executivo e à justificativa de que a medida ajudaria a sustentar ações voltadas ao mercado interno.

Durante a discussão, representantes do setor de distribuição e de petróleo afirmaram que a alta do barril no mercado internacional já elevaria a arrecadação federal sem necessidade de nova tributação. Segundo Claudio Fontes Nunes, representante do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), se o barril permanecer em US$ 90 até o fim de 2026, a arrecadação pode ficar R$ 45 bilhões acima do previsto, considerando receitas com royalties e participações especiais.

Para o IBP, o imposto sobre a exportação de petróleo reduz a previsibilidade regulatória e pode afetar a competitividade do país na atração de investimentos. Nunes afirmou, na audiência, que o aumento da carga tributária é desnecessário diante do reforço de receitas já proporcionado pela alta internacional do petróleo.

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Em sentido oposto, André Pereira Tokarski, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), disse que a medida tem caráter regulatório. Segundo ele, o objetivo é atuar sobre a oferta de combustíveis no mercado interno em um cenário internacional adverso e imprevisível.

O diretor do Ministério de Minas e Energia, Edie Andreeto Junior, detalhou que as ações em vigor incluem subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel, redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis, subsídio ao gás de cozinha e linha de crédito de R$ 1 bilhão para empresas aéreas.

De acordo com o ministério, desde o início do conflito no Oriente Médio, o diesel acumulou alta de 17,7% no Brasil e a gasolina, de 5,9%. Segundo o representante, em outros países afetados pela guerra, as altas teriam chegado a 48% no diesel e 44% na gasolina. Para o setor agropecuário, o comportamento do diesel é um indicador relevante por sua influência sobre frete, máquinas e custos operacionais no campo.

A discussão segue sem consenso entre agentes do setor e governo sobre o peso da tributação e dos subsídios na formação dos preços. Pelos dados apresentados na audiência, o acompanhamento do mercado internacional de petróleo e das medidas fiscais continuará sendo determinante para avaliar os efeitos sobre custos de transporte e de produção.

Fonte: camara.leg.br

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