Representantes de povos e comunidades tradicionais lançaram nesta quarta-feira (27), em São Paulo, a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O ato ocorreu na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Dia Nacional da Mata Atlântica. Segundo os organizadores, a coalizão foi criada para defender o bioma e cobrar políticas públicas voltadas à garantia dos territórios dessas populações.
A articulação reúne povos indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores artesanais de várias partes do país. Em manifesto de lançamento, o grupo afirma que atua na proteção de florestas, rios, lagoas e mares presentes no bioma.
De acordo com dados citados no evento, a Mata Atlântica conserva hoje cerca de 12,4% de sua vegetação original. O bioma, que originalmente cobria 15% do território brasileiro em 17 estados, ainda abriga mais de 20 mil espécies de plantas e mais de 2 mil espécies de animais vertebrados. Também é responsável pelo abastecimento de água de mais de 145 milhões de brasileiros, o equivalente a cerca de 70% da população do país.
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Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa, Ivanildes Kerexu, afirmou que a aliança busca fortalecer a união entre os povos e ampliar o acesso a políticas públicas voltadas à preservação ambiental e à proteção territorial. No lançamento, a deputada federal Sonia Guajajara também citou riscos associados à exploração mineral e à pressão econômica sobre áreas ocupadas por comunidades tradicionais.
Segundo os integrantes da coalizão, entre as ameaças ao bioma estão grandes empreendimentos, especulação imobiliária, turismo exploratório, uso de defensivos agrícolas e exploração de petróleo e combustíveis fósseis. Para o setor rural, o tema se relaciona ao uso do solo, à conservação de recursos hídricos, à gestão territorial e às exigências ambientais que incidem sobre cadeias produtivas instaladas na área de abrangência da Mata Atlântica.
A aliança informou que pretende atuar como rede de proteção e interlocução com autoridades e movimentos sociais. Até o momento, o grupo apresentou objetivos gerais de articulação política e defesa territorial, mas não detalhou um cronograma público de ações ou propostas regulatórias específicas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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