Depois de anos marcados por recordes na produção e nas exportações de grãos, o agronegócio brasileiro pode entrar em 2027 em um cenário bem menos favorável. A avaliação é do presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, que aponta o endividamento dos produtores e a queda da rentabilidade como os principais desafios para o próximo governo.
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Segundo Mendes, a perspectiva para o próximo ano representa uma mudança em relação ao desempenho recente do setor. Em participações anteriores, o executivo destacou justamente os números positivos de produção e exportação. Agora, porém, a expectativa é de um cenário mais difícil.
“Eu tenho vindo aqui ano após ano para citar recordes de exportação e de produção também. Dessa vez, para 2027, a previsão não vai ser tão boa”, afirmou.
Para o presidente da Anec, a situação financeira dos produtores de grãos deve estar entre as prioridades do próximo presidente da República. O setor chega ao novo ciclo com endividamento elevado e margens cada vez mais apertadas.
“O nosso produtor de grãos está endividado, o endividamento é grande e a lucratividade dele é muito pequena”, disse.
Custos pressionam
Mendes relaciona a perda de rentabilidade principalmente ao aumento dos custos de produção. Segundo ele, os insumos ficaram mais caros, em parte como consequência dos impactos provocados pela guerra, enquanto os preços recebidos pelos produtores não avançaram na mesma proporção.
“Os insumos decorrentes da guerra aumentaram muito seu custo e o preço de venda não está alto, está normal ou baixo”, afirmou.
O resultado é uma combinação que reduz a margem de quem produz e pode dificultar a capacidade de investimento no campo. Na avaliação da Anec, a rentabilidade do produtor deve atingir em 2027 o pior nível das últimas duas décadas.
“Então a lucratividade vai ser a menor que nós tivemos, a gente calcula, em 20 anos”, afirmou Mendes.
A avaliação da entidade coloca a situação financeira do produtor como um dos pontos de atenção para o próximo governo, em um momento em que o Brasil busca manter o ritmo de produção e exportação de grãos.
A declaração integra a série do Canal Rural com as principais entidades do agronegócio sobre o que o setor espera do próximo presidente da República. Veja o depoimento do presidente da Anec na íntegra:
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