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Chuvas volumosas e seca: a situação das lavouras de soja no RS

Chuvas volumosas e seca: a situação das lavouras de soja no RS


O Rio Grande do Sul, estado que tem projeção de ser o vice-campeão na produção de soja no ciclo 2024/25, pode ter os resultados impactados mais uma vez pelo clima. Segundo apurou a reportagem do Canal Rural, produtores relatam estiagem em diversas regiões. Em alguns locais não chove há mais de 40 dias enquanto em outros o granizo danificou lavouras.

O produtor Fábio Eckert, de Tapes, na metade Sul, perdeu cerca de 20% de sua área de soja devido a um forte temporal registrado na virada do ano. “A área estava linda, se desenvolvendo bem. Em apenas 10 minutos, grande parte foi devastada. As lavouras com soja menor estão rebrotando, mas ainda não sabemos como vão se comportar. Já as áreas com soja maior estão perdidas. Parece desânimo, mas estamos caminhando para o quarto ano consecutivo de prejuízo”, desabafa.

Além disso, na região noroeste as perdas também foram grandes. Em Boa Vista do Cadeado, estima-se que cerca de 10 mil hectares tenham sido destruídos pela tempestade.

Do outro lado: muita chuva na lavoura de soja

Enquanto isso, de sul a norte, outros produtores enfrentam a escassez de chuva, que prejudica todas as fases da cultura. Em Morro Redondo, no extremo sul, o produtor Jonathan Torchelsen relata 35 dias sem chuva, o que causou a secagem das áreas plantadas. “Tava tudo nascido e secou do calor. É feio de ver”, destaca.

No norte, a situação é mais grave, com soja em estádios avançados, já no florescimento e enchimento de grãos. Segundo o Sindicato Rural de Santo Ângelo, as perdas são certas, mesmo com chuva. “Muitas folhas secaram, as flores abortaram e não formam grãos. A produtividade será bem abaixo do esperado”, explica Laurindo Nikititz, diretor da entidade.

O produtor Vanderlei Fries, de São Miguel das Missões, no noroeste, também está preocupado. “Toda a região de Passo Fundo até aqui está assim, soja murchando. Estamos na expectativa de chuva, senão vai ser bem difícil”, lamenta.

Na região central, a situação é semelhante. Em Júlio de Castilhos, o produtor Moacir da Silva ainda mantém a soja com a ajuda da palhada remanescente do trigo. “A soja aguenta mais devido à palhada, mas já murcha rápido e, por baixo, já se vê estragos”, diz.

Órgãos oficiais projetam safra recorde

Em agosto, a Emater/RS estimou uma safra de 21,6 milhões de toneladas, um aumento de 18,5% em relação ao ano passado, com 6,81 milhões de hectares plantados. No entanto, produtores e entidades questionam essa previsão devido aos problemas climáticos e às dificuldades financeiras. A Emater esclarece que a projeção foi baseada em um modelo matemático, considerando condições climáticas favoráveis. Uma atualização será feita em março.

Bergson Santos, gerente regional da Emater em Ijuí, destaca que alguns municípios afetados por granizo precisarão replantar até 50% da área, enquanto a estiagem afeta principalmente as lavouras em floração. “Estamos com chuvas muito irregulares e aguardamos mais informações para avaliar os impactos”, explica.

A Aprosoja/RS alerta que o potencial produtivo está em risco. “Muitos plantaram com sementes de baixa qualidade e sem o tratamento adequado, o que já gera impacto. Com o quarto ano consecutivo de estiagem, a preocupação é grande”, afirma o presidente Ireneu Orth.



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