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Selic alta desafia crédito rural pressionando produtores e novo Plano Safra 

Selic alta desafia crédito rural pressionando produtores e novo Plano Safra 


O cenário econômico de 2025 traz grandes desafios ao crédito rural, com a taxa Selic projetada para atingir 15% ao ano e uma inflação estimada em 5%, de acordo com o último Boletim Focus. Contexto que já pressiona o setor agrícola de diversas formas, especialmente pelo encarecimento dos subsídios que garantem juros reduzidos e pela limitação orçamentária para equalização das taxas.

Segundo David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna, o patamar atual dos juros certamente vai impactar a rentabilidade no campo, além de aumentar o endividamento. “Porém, o maior custo do produtor é a aquisição de insumos e equipamentos em que os fornecedores já estão incluídos nos preços de vendas com prazo safra estes juros atualizados”, alerta.

Um levantamento recente do Banco Central revelou que a contratação de crédito rural no segundo semestre de 2024 caiu 22,2% em relação ao mesmo período de 2023. Para Télio, essa queda se explica pela “inadimplência dos produtores, que impede a renovação de crédito rural subsidiado por parte dos bancos, além da possível falta de recursos controlados, já que o subsídio foi afetado pelo aumento da taxa Selic, consumindo boa parte do orçamento destinado ao agronegócio.”

Competitividade e alternativas de financiamento

Apesar do encarecimento do crédito, o especialista acredita que a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global não será afetada, pois a taxa cambial exerce maior influência nesse cenário.

“Historicamente, a cadeia de suprimentos tem acomodado os aumentos nos juros, ajustando preços de insumos e serviços, de modo que não prevemos grandes impactos na competitividade externa”, afirma.

Quanto ao financiamento, Télio destaca a crescente importância de alternativas como crédito privado e recursos do mercado de capitais. “Os mecanismos de financiamento por meio de CPR, títulos do agronegócio e fintechs têm ganhado espaço, oferecendo crédito ao produtor por meio da venda de insumos, equipamentos e serviços com prazo safra.”

Importância do Fiagro para o crédito rural

O especialista também reforça o papel do crédito privado e a importância da regulamentação do Fundo de Investimentos nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). 

“Desde 2021, o crédito privado vem crescendo, e com a aprovação do Fiagro, conseguimos captar recursos no mercado de capitais, permitindo que investidores financiem fornecedores de insumos e, indiretamente, os produtores. O mais importante é assegurar recursos para a continuidade da produção de alimentos no Brasil”, conclui.



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