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Após recuo de Trump, UE suspende contramedidas a tarifas dos EUA

Após recuo de Trump, UE suspende contramedidas a tarifas dos EUA


Depois de anunciar uma pausa de 90 dias nas tarifas recíprocas aos países que não retaliaram as medidas dos Estados Unidos, exceto China e Canadá, a União Europeia decidiu hoje (10) suspender, também por 90 dias, as primeiras medidas contra as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump.

A decisão foi comunicada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O pacote de contramedidas seria a primeira fase da resposta europeia, que ainda discutia plano para responder a tarifas recíprocas e de automóveis.

“O trabalho preparatório para contramedidas adicionais continua. Como disse antes, todas as opções continuam na mesa”, ressaltou von der Leyen.

Ontem (9), Trump celebrou os números do mercado financeiro, dizendo que os “bons resultados no mercado de ações poderiam continuar”. O republicano creditou o movimento à suspensão de tarifas e à confiança em sua política econômica.

Trump havia imposto uma taxa de 20% sobre os produtos da UE como parte de sua ofensiva contra parceiros comerciais.

Para a China, o presidente americano anunciou um novo aumento de tarifa, de 104% para 125%, na esteira da última reação do governo de Xi Jinping aos ataques tarifários do americano.

Consequências

As novas medidas desencadearam um movimento de apetite por ativos de risco, com as Bolsas americanas fechando o pregão com fortes ganhos, após uma sequência de perdas recentes. O Nasdaq teve a maior alta diária desde janeiro de 2001.

Em Wall Street, a trégua reduziu os temores de que os EUA entrariam em recessão. Desde o anúncio das tarifas recíprocas, o ambiente de incertezas fez com que investidores globais temessem que a escalada da guerra comercial colocasse em xeque o crescimento econômico no país e no mundo.

“Empresas estão vindo para cá pois, quando produzem aqui, não são tarifadas”, disse Trump. Segundo ele, os EUA já somam “mais de US$ 7 trilhões em investimentos empresariais” desde que assumiu.

Em evento no Salão Oval, na Casa Branca, Trump ainda assinou uma série de ordens executivas voltadas à economia doméstica. Entre elas, medidas para “eliminar regras que favorecem monopólios”, desregulamentar setores como o de aparelhos hidráulicos e ampliar o acesso de novos competidores ao mercado, derrubando normas que “promovem o monopólio diretamente” ou funcionam como “barreiras anticompetitivas”.

O presidente também reforçou o foco na indústria nacional. Assinou uma ordem para incentivar a construção de navios nos EUA e disse que irá “restaurar a dominância marítima dos EUA”. Ao tratar de defesa, declarou que os EUA estão “investindo para ter o melhor equipamento militar do mundo”. Mais detalhes sobre as medidas assinadas hoje serão divulgadas em breve pela Casa Branca, segundo ele.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que a mudança sobre as tarifas ocorreu após o contato de países para negociarem e não foi uma resposta à reação do mercado financeiro.

Pausa em tarifas recíprocas ainda é má notícia

Dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do BC da França, François Villeroy de Galhau afirmou que a pausa nas tarifas recíprocas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ainda é “má notícia” para a Europa, em entrevista ao France Inter nesta quinta-feira (10). O dirigente argumentou que a decisão reforça a imprevisibilidade e o protecionismo por trás das novas políticas comerciais americanas.

“Imprevisibilidade é sempre a inimiga da confiança e do crescimento”, pontuou, acrescentando que isso também pode minar o papel do dólar. “E o protecionismo aumenta barreiras para entrar no mercado americano. Isso é contra os interesses dos EUA e aumentará preços no país. Consumidores americanos pagarão a conta e o crescimento será negativamente afetado.”

Por outro lado, Villeroy de Galhau reconheceu como positivo o espaço aberto para negociações nos próximos três meses, classificando como um “bom acontecimento” a calma e união das autoridades europeias ao preparar respostas para as tarifas.

O dirigente evitou comentar sobre implicações para a política monetária do BCE, em respeito ao período de silêncio que teve início nesta manhã e dura até a decisão de juros na próxima quinta-feira.



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