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Arroba do boi caiu em agosto, mas setembro deve ser de ampla recuperação, dizem analistas

Arroba do boi caiu em agosto, mas setembro deve ser de ampla recuperação, dizem analistas


Foto: Nataly Porto.

O mercado físico do boi gordo apresentou cotações de estáveis a mais baixas durante a semana.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a decisão dos Estados Unidos de isentar 300 mil toneladas de carne bovina (cortes do dianteiro para produção de hambúrgueres) das cotas tarifárias, não impactou incisivamente sobre as negociações cotidianas.

O especialista aponta que a euforia ficou restrita ao mercado futuro, que experimentou agressivo movimento de alta no decorrer dos últimos dias. “Para a primeira quinzena de setembro, a medida norte-americana deverá ter impacto limitado, com a indústria ainda calculando a viabilidade da ampliação dos embarques para este mercado”, destaca.

Segundo ele, o ambiente de negócios no Brasil seguiu pautado por maior conforto das escalas de abate, em especial para os frigoríficos de maior porte, o que contribuiu para a queda de preços em algumas praças.

E em setembro, como será o mercado?

Para setembro, quatro indícios apontam para um mercado pecuário de altas consistentes na arroba do boi gordo, na opinião do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri:

  1. Os frigoríficos estarão concentrados na compra de bovinos jovens para abate, principalmente na segunda quinzena do mês, já pensando em garantir estoque para atender a cota de 2027 de exportação à China.
  2. No contexto da estação de monta e oferta de bovinos, os meses de setembro a dezembro, geralmente, têm menor participação de fêmeas nos abates em comparação aos bimestres anteriores, ou seja, é outro ponto que deve pesar em precificação, visto que a menor oferta deve fazer a demanda se recuperar no setor exportador.
  3. A decisão do governo dos Estados Unidos de liberar até 300 mil toneladas de carne a tarifa zero deve beneficiar o Brasil. “Trata-se de um novo componente que impulsiona o comportamento da arroba do boi, já que a medida é válida por 90 dias e deve se estentender até praticamente o fim do ano.”
  4. O mercado interno deve receber sustentação com o início das campanhas eleitorais e a distribuição das verbas do fundo partidário. “É um valor substancial que entra no mercado brasileiro e ajuda no consumo de carne bovina no país”, arremata.

Preços médios do boi gordo

Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 27 de agosto:

  • São Paulo (Capital): R$ 340, queda de 4,23% frente aos R$ 355 praticados na semana anterior
  • Goiás (Goiânia): R$ 330, baixa de 1,49% ante os R$ 335 registrados no final da última semana
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 335, sem mudanças frente aos valores do fechamento da semana passada
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 340, inalterado ante o final da semana anterior
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 335, baixa de 1,47% ante os R$ 340 registrados no encerramento da última semana
  • Rondônia (Vilhena): R$ 333, retração de 1,48% perante os R$ 338,00 praticados na semana passada

Mercado atacadista

O mercado atacadista registrou preços enfraquecidos durante a semana, ainda com perspectiva de queda no curto prazo. A demanda segue fragilizada, em meio ao menor apelo ao consumo.

“Paralelamente, as proteínas concorrentes permanecem altamente competitivas, em um cenário marcado pela oferta excessiva de carne suína, carne de frango e ovos”, detalha Iglesias.

  • Quarto do dianteiro do boi: R$ 20 por quilo, 4,76% abaixo dos R$ 21 praticados na semana passada
  • Quarto do traseiro bovino: R$ 26 por quilo, baixa de 3,70% ante os R$ 27 registrados na semana anterior

Exportações de carne bovina

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 873,580 milhões em agosto até o momento (15 dias úteis), com média diária de US$ 58,238 milhões, conforme os dados semanais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 141,071 mil toneladas, com média diária de 9,404 mil toneladas. Já o preço médio da tonelada ficou em US$ 6.192,50.

Em relação a agosto de 2025, houve baixa de 18,6% no valor médio diário da exportação, queda de 26,4% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,6% no preço médio.

*Com informações de Safras News

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