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Beef on dairy: a estratégia que transforma bezerros machos em lucro

Beef on dairy: a estratégia que transforma bezerros machos em lucro


Pecuaristas, o programa Beef on dairy é uma nova modalidade de cruzamento que está ganhando força no Brasil, com um potencial de renda significativo, especialmente para o produtor de leite. O uso de sêmen de touros de corte em vacas leiteiras transforma um bezerro que seria descartado em uma fonte de ativo valioso para a fazenda.Assista ao vídeo abaixo e entenda esta estratégia.

O programa Giro do Boi recebeu Reginaldo Rocha, gestor executivo de projetos no agronegócio e atuante na plataforma Ecco2, para aprofundar o assunto.

Ele explicou que o Beef on dairy já é um sucesso nos Estados Unidos e está se espalhando pelo mundo, inclusive aqui no Brasil.

Oportunidade para o produtor de leite

Bezerros cruzados e Angus com matriz holandesa. Foto: Moroz, Michail. 2025

O segmento leiteiro no Brasil, principalmente o de pequeno e médio porte, tem um problema: o bezerro macho.

A maioria dos produtores não tem o que fazer com ele e acaba o descartando, o que representa um passivo financeiro e operacional. O Beef on dairy surge como uma solução que transforma esse passivo em ativo.

A tecnologia consiste em inserir sêmen sexado macho de uma raça de corte (como Angus ou Charolês) em vacas leiteiras que seriam descartadas da reprodução. As vantagens são claras:

  • Qualificação do bezerro: O bezerro nasce com genética de corte e com qualidade de carne, que pode ser encaminhado para um confinamento a partir do terceiro ou quinto dia.
  • Fonte adicional de receita: O bezerro se torna um ativo contínuo na propriedade, gerando mais dinheiro para o produtor, o que aumenta a margem de lucro da fazenda.
  • Redução da mortalidade: Acaba com a mortalidade desses bezerros, que muitas vezes é um problema sanitário e financeiro.
  • Sustentabilidade: A prática é sustentável e agrega valor à propriedade e à produção, com um uso mais eficiente dos recursos.

Reginaldo Rocha ressalta que o Brasil tem um potencial incrível para a produção, com uma grande extensão territorial e uma variedade de produção de grãos e um rebanho qualificado.

A base Gir e Girolando, que é o grosso da produção de leite no Brasil, também se beneficia do cruzamento com raças europeias.

O sucesso do Beef on dairy no Brasil

Bezerros cruzados e Angus com matriz holandesa. Foto: Moroz, Michail. 2025
Bezerros cruzados e Angus com matriz holandesa. Foto: Moroz, Michail. 2025

O sucesso do Beef on dairy no Brasil está em seu balanço nutricional. O bezerro de corte, oriundo de uma vaca de leite, tem uma genética superior, pois a vaca leiteira é uma máquina de metabolizar nutrientes e gerar energia.

Quando o bezerro nasce, ele é tratado em um regime de confinamento fechado, com uma dieta nutricional balanceada nos primeiros 60 a 75 dias de vida, o que define a terminação.

A terminação acontece num prazo de 14 a 15 meses para que o animal alcance 22 a 23 arrobas, o que é um resultado espetacular. O Brasil tem uma produção de grãos recorde, o que garante alimento farto, e os subprodutos dos grãos, como o DDG, estão crescendo e se tornando uma alternativa valiosa para a dieta do gado.

Para o pecuarista de leite, a iniciativa é uma forma de ter uma fábrica de bezerro atendendo o produtor de corte, melhorando a qualidade desde a genética, com total rastreabilidade, e entregando um produto de alta qualidade para os mercados.

A mentalidade de que “sempre fiz desse jeito” precisa ser mudada. O produtor precisa de coragem para testar novas tecnologias para crescer e ter uma pecuária de alta performance.



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