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Biocombustíveis podem adicionar R$ 403 bilhões ao PIB entre 2030 e 2035, aponta FGV

Biocombustíveis podem adicionar R$ 403 bilhões ao PIB entre 2030 e 2035, aponta FGV


Foto: Pixabay.

Os biocombustíveis podem ampliar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em até R$ 403,2 bilhões entre 2030 e 2035, segundo estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV). O levantamento analisa impactos econômicos, sociais e ambientais no contexto da transição energética.

A pesquisa, intitulada “Potencial Econômico das Práticas Sustentáveis na Agricultura e Pecuária”, foi realizada com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni. O estudo avalia sete tecnologias previstas no Plano ABC+ e considera efeitos integrados, além de possíveis sinergias e compensações.

Impacto econômico e geração de empregos

De acordo com o relatório, a produção de biocombustíveis pode alcançar 64 bilhões de litros no período analisado, incluindo etanol de cana-de-açúcar, etanol de milho, etanol de segunda geração e biodiesel.

“Os biocombustíveis podem gerar R$ 62 de retorno para cada R$ 1 investido, um dos resultados mais expressivos do estudo. Mais do que uma alternativa energética, a bioenergia se configura como um vetor de crescimento, com efeitos que se propagam por diferentes setores da economia”, afirma Cícero Lima, pesquisador responsável pelo estudo.

Essa expansão pode aumentar o tamanho do setor em até 70%, com impactos nos segmentos de transporte, indústria de transformação, agropecuária e agroindústria. Isso também impulsionaria a produção de cana-de-açúcar em 31,34%.

O estudo da FGV também estima a criação de 225,5 mil novos empregos, com concentração na agropecuária e na agroindústria, mas com efeito positivo nos comércios, serviços e economias locais, especialmente no interior do Brasil.

Redução de emissões e uso da terra

O levantamento aponta potencial de redução de 27,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (Mt CO₂e) com a substituição de combustíveis fósseis. O etanol de cana pode reduzir emissões entre 70% e 90% em comparação à gasolina.

No uso da terra, a ampliação da produção pode evitar o desmatamento de 480 mil hectares, principalmente no Cerrado e na Amazônia.

“O Brasil reúne vantagens competitivas únicas em biocombustíveis, com escala, base produtiva e tecnologia já consolidadas. O avanço do setor mostra que não há contradição entre produzir e descarbonizar. Com incentivos e previsibilidade adequados, o País pode transformar esse potencial em liderança global e consolidar a bioenergia como um dos principais motores da transição energética”, diz Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio.

Integração entre produção e sustentabilidade

Ainda segundo o estudo, tecnologias de baixo carbono permitem ampliar a produção de alimentos e biocombustíveis sem disputa por área agrícola. O modelo considera ganhos de produtividade e melhor uso da terra.

A análise indica que a bioenergia pode integrar estratégias de produção e redução de emissões no setor agropecuário.

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