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Carne processada em maio já será sobretaxada pela China; o que esperar do preço da arroba?

Carne processada em maio já será sobretaxada pela China; o que esperar do preço da arroba?


Foto: Freepik

O boi gordo comprado pelos frigoríficos ao longo do mês de maio e a ser processado, embalado e despachado em contêineres já será sobretaxado em 55% por conta do tempo de viagem, entre 45 e 50 dias, para chegar à China. A avaliação é do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri.

Isso porque diante da cota imposta pelo país asiático em 2026, de 1,1 milhão de toneladas, importadores se apressaram a garantir volumes da proteína, escapando de cobranças adicionais. “Então, agora, o comprador já está mais desacelerado em relação a essa demanda”, contextualiza.

Fabbri também pondera que no mercado interno, os preços do frango e do suíno caíram nas últimas semanas, o que deixa o boi menos competitivo no atacado, levando o mercado a reduzir aquisições.

“Diante desses fatores, a expectativa é de queda para a arroba do boi em maio, um mês que, historicamente, é desfavorável, já que desde 2003, em apenas dois anos tivemos um mês de maio com preços da arroba maiores do que os registrados em abril. Acreditamos que os preços girem entre R$ 340 e R$ 345 na praça-base São Paulo ao longo do mês”, conclui.

Dia das mães não atendeu expectativas

Mesmo diante dos preparativos para o Dia das Mães, data que, historicamente, eleva o consumo interno de carne bovina, o mercado físico do boi gordo registrou uma semana de preços acomodados.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, houve tentativas de compra em patamares mais baixos em estados como Goiás, Minas Gerais e São Paulo. “Por outro lado, em Mato Grosso observou-se um encurtamento das escalas de abate, levando a indústria local a elevar os preços pagos ao pecuarista”, contextualiza.

Variação de preços do boi na semana

Os valores da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 7 de maio:

  • São Paulo (Capital): R$ 350, baixa de 2,78% frente aos R$ 360 praticados na
    semana passada;
  • Goiás (Goiânia): R$ 340, queda de 1,45% ante aos R$ 345 registrados no final
    da semana anterior;
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 340, inalterado frente ao fechamento da semana passada;
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350, sem mudanças em relação ao encerramento da última semana;
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 360, sem modificações ante ao fechamento da semana passada;
  • Rondônia (Vilhena): R$ 330, estável perante o fechamento do mês anterior.

Mercado atacadista

No mercado atacadista, o analista de Safras & Mercado ressalta que os preços sinalizaram alguma acomodação, mesmo em meio à entrada de salários na economia e a comemoração do Dia das Mães.

O analista acrescenta que o mercado não oferece espaço para altas contundentes, considerando que o atual nível de preços já assume patamares proibitivos para boa parcela da população.

“A competitividade da carne bovina é menor na comparação com as proteínas concorrentes, em especial em relação com a carne de frango”, pontua.

  • Quarto do dianteiro: precificado a R$ 23 por quilo na semana, recuo de 2,13% frente aos R$ 23,50 no final da semana passada;
  • Cortes do traseiro bovino: cotados a R$ 28,00 por quilo, queda de 1,75% frente aos R$ 28,50 encerrados no final da semana anterior.

Exportações de carne bovina

Carne bovina embalada
Foto: Divulgação Iagro

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,572 bilhão em abril (20 dias úteis), com média diária de US$ 78,625 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 251,944 mil toneladas, com média diária de 12,597 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.241,50.

Em relação a abril de 2025, houve alta de 29,4% no valor médio diário da exportação, ganho de 4,3% na quantidade média diária exportada e avanço de 24,1% no preço médio.

*Com informações de Safras News

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