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centro investe R$ 200 milhões no combate às principais doenças

centro investe R$ 200 milhões no combate às principais doenças


A Fapesp, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) somaram esforços para combater as principais doenças da citricultura. Entre elas estão a clorose variegada dos citros (CVC), também conhecida como amarelinho, que provoca a morte súbita dos citros e em especial o greening, com incidência de 44% nos pomares paulistas em 2024.

Para reforçar essas ações, as três instituições criaram o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA), lançado na última semana, durante o evento SP Agro, no Palácio dos Bandeirantes, na presença do governador Tarcísio de Freitas.

“A pesquisa realizada no CPA vai atender a um tema tão importante quanto o greening, que dizimou a lavoura na Flórida. Nunca mais a Flórida se recuperou. A gente não pode deixar isso acontecer aqui e não vamos. Esse centro de pesquisa aplicada será voltado para o greening num primeiro momento, mas vai investigar outros problemas. É um grande patrimônio”, disse o governador.

O centro contará com investimento total de R$ 200 milhões nos próximos cinco anos, renováveis por mais cinco. Desse total, R$ 90 milhões serão aportados pelo Fundecitrus e a Fapesp, e os demais recursos correspondem à contrapartida não financeira, na forma de investimentos em infraestrutura, salários de técnicos, entre outros itens.

O centro terá como missão desenvolver pesquisa, difundir conhecimento e transferir tecnologia para o setor, que é responsável por 8,2% das exportações paulistas e por 45 mil empregos no estado.

“É assim que o estado de São Paulo reage e responde aos desafios. Mais uma vez, a aliança entre a Fapesp, o Fundecitrus, a Esalq e outros centros de pesquisa vai ajudar a restabelecer o setor responsável por 8% da economia paulista. E esse é só o primeiro passo do plano que estabelecemos para o agronegócio. Esta é a primeira entrega. Dentro de duas semanas vamos lançar o quarto edital do programa Ciência para o Desenvolvimento, uma parceria com secretarias de estado. Cada real que investimos em agropecuária retorna 12 vezes”, afirmou o presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, no evento no Palácio dos Bandeirantes.

A principal linha de trabalho do CPA será promover a formação de novos grupos de pesquisa e consolidar outros já estabelecidos, visando o controle do greening, particularmente nas áreas de conhecimento ainda não cobertas atualmente.

Para o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a construção conjunta do CPA é uma conquista de uma frente ampla de trabalho comprometida com o setor. “Estamos no momento de realização de um sonho! O CPA representa a construção conjunta de um projeto que tem um objetivo muito claro, que é promover a sustentabilidade fitossanitária e econômica da citricultura, tão importante para a economia do estado de São Paulo”, afirmou Ayres.

“Com ele, renovamos, uma vez mais, o compromisso público e privado com o setor diante do sério desafio de mitigar a incidência do greening e, quem sabe, no futuro, encontrar um caminho sustentável para a prevenção da doença e/ou a sua cura”, contou o diretor-executivo.

“Estamos lançando o maior centro de citricultura voltado para o combate ao greening em todo o mundo, com mais de R$ 200 milhões investidos. A Flórida perdeu a batalha contra o greening, São Paulo não vai perder essa batalha. O greening cresceu 50% menos este ano que o previsto pelo Fundecitrus. De cada dez copos de suco tomado no mundo sete são produzidos em São Paulo”, disse o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai.

O diretor científico da Fapesp, Marcio de Castro Silva Filho, lembrou que a parceria entre Fapesp e Fundecitrus é histórica. “Juntos conseguimos importantes resultados em pesquisa, ao longo de quase 20 anos, para estabelecermos estratégias eficazes para mitigação e a compreensão do greening. Agora, demos um passo muito importante que vai transformar a citricultura no estado de São Paulo”.

Fapesp e Fundecitrus foram parceiros no Projeto Genoma, que, em 2000, sequenciou pela primeira vez o genoma de uma bactéria de interesse econômico, a xylella fastidiosa – causadora do amarelinho –, fazendo avançar a pesquisa em biotecnologia no país.

Impactos da doença

Em algumas regiões tradicionais de cultivo de citros, a incidência da doença ultrapassa 60%. Só em 2024, a incidência de greening é equivalente a 90,7 milhões de árvores que estão irremediavelmente condenadas, tal como os mais de 64 milhões de árvores adicionais eliminadas desde 2004 na tentativa de controlar a doença.

“A doença chama muito atenção pela sua capacidade de impactar, negativamente, a produtividade dos pomares, colocando em risco a sustentabilidade de uma cadeia produtiva. O CPA foi concebido para descobrir caminhos e, muito em breve, oferecer respostas ao manejo mais eficaz da doença. Nosso trabalho terá o foco de atender essa demanda tão importante e minimizar o impacto nas safras”, reforça a pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA, Lilian Amorim.

Nas últimas cinco safras de laranja, o greening causou queda prematura de frutos equivalente a 97,2 milhões de caixas, levando a uma perda estimada de US$ 972 milhões de receita. Esse cenário se torna ainda mais grave devido ao crescente aumento da população do inseto vetor nos últimos anos, resultando no incremento de mais de dez vezes de 2019 a 2024, decorrente, entre outros fatores, da seleção de indivíduos resistentes aos inseticidas, antevendo o progresso da disseminação da doença nos próximos anos.

Linhas de pesquisa

As principais linhas de pesquisa acadêmica do CPA envolvem o entendimento das interações patógeno-planta-vetor, com ênfase na histopatologia, fisiologia e metabolismo do hospedeiro (citros), genética da interação planta-patógeno-hospedeiro e consequências das mudanças climáticas. As pesquisas de cunho aplicado englobam o manejo do greening, com ênfase em resistência genética do hospedeiro e em medidas de controle químico, biológico, físico e cultural da bactéria e de seu vetor.

Outra linha aplicada de pesquisa, voltada à mitigação de danos e aumento da produção, dará ênfase ao sistema de produção, nutrição das plantas e redução dos danos, avaliação de perdas, risco de ocorrência da doença e análise econômica das medidas de manejo e seus impactos. No entanto, pesquisas com outros aspectos da cultura poderão ser desenvolvidas no futuro.

Para Piai, a citricultura paulista é vitrine para o mundo, com impactos importantíssimos na socioeconomia.

“Estamos falando de um setor que ocupa o posto de maior exportador no seu segmento no planeta. São Paulo quer que a citricultura seja cada vez mais forte para enfrentar essa doença desafiadora. E isso só é possível com a construção de parcerias que fomentem o desenvolvimento de pesquisas. O CPA conta com o que há de melhor no nosso estado no que diz respeito à linha de investimentos e pesquisadores. Estamos muito otimistas para colhermos resultados e disseminar conhecimento”, disse.

Transferência de tecnologia

Para além da pesquisa, o CPA terá forte atuação no ensino, na difusão de conhecimento e na transferência de tecnologia. No ensino, o centro atuará nas ações de formação de recursos humanos já desenvolvidas pelas instituições parceiras, como programas de pós-graduação stricto e lato sensu, mas também no oferecimento de cursos à distância, on-line, visando alcançar público mais amplo e diverso.

A transferência de tecnologia será realizada tanto por pesquisadores do CPA quanto por técnicos da Coordenadoria de Assistência Integrada (Cati e da Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

O CPA será sediado na Esalq/USP, em Piracicaba (SP). Além do Fundecitrus, o centro contará com pesquisadores de outras unidades da USP – Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Instituto Biológico, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), do Instituto Agronômico (IAC) e Embrapa.



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