O couro de peixe de Pontal do Paraná recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e divulgado nesta terça-feira (12). A certificação reconhece a reputação do município na produção de couro a partir de peles de peixes e insere o produto na estratégia paranaense de valorização de cadeias regionais com identidade territorial.
Segundo as informações divulgadas pelo governo estadual, 16 produtores atuam diretamente na atividade e cerca de 30 famílias são beneficiadas de forma indireta. O processo produtivo utiliza peles de 16 espécies de peixes e transforma um resíduo da pesca artesanal em matéria-prima para bolsas, colares, chaveiros, cadernetas e peças de artesanato.
O pedido de registro foi protocolado em outubro de 2025. A articulação envolveu a Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Paraná (Sebrae/PR), a prefeitura e outras instituições locais. A origem do trabalho remonta a 2008, no programa Universidade Sem Fronteiras, da Unespar.
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A certificação reconhece uma região que se tornou referência em determinado produto. No caso de Pontal do Paraná, o diferencial técnico inclui curtimento sem uso de cromo, substância comum no couro bovino. De acordo com estudos citados pelo governo estadual, o couro de peixe também apresenta resistência de até três vezes superior à do couro bovino, em razão da disposição entrelaçada das fibras de colágeno. O ciclo de produção dura cerca de dois dias e meio, ante uma a duas semanas no couro bovino.
Para o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Aldo Nelson Bona, a IG integra saber tradicional e inovação científica. A expectativa da associação é alcançar 600 quilos de peças curtidas em 2026.
Com o novo reconhecimento, o Paraná chega a 26 Indicações Geográficas e mantém a liderança nacional. Minas Gerais soma 21 registros, enquanto São Paulo e Rio Grande do Sul têm 13 cada. A tendência, segundo o governo estadual, é de maior visibilidade comercial para o produto e fortalecimento da renda local, inclusive em mercados externos já atendidos, como Alemanha, França e Portugal.
Além do ganho institucional, a IG passa a funcionar como instrumento de diferenciação comercial e padronização técnica da produção, com base no caderno de especificações elaborado pela cadeia local. Ainda há cinco pedidos de produtos paranaenses em análise no INPI.
Fonte: agricultura.pr.gov.br
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