O dólar encerrou esta sexta-feira (29) cotado a R$ 5,0429, em alta de 0,22%, depois de atingir a máxima de R$ 5,0707 no fim da manhã. No acumulado de maio, a moeda americana avançou 1,82%, após recuo de 4,36% em abril. Segundo operadores e economistas, o movimento refletiu a reprecificação dos juros globais, fatores técnicos ligados à formação da Ptax e aumento da volatilidade política no mercado doméstico.
Ao longo da tarde, a moeda perdeu força com ajustes intradia e alguma recuperação de divisas latino-americanas. Ainda assim, o real permaneceu pressionado por um ambiente externo menos favorável a mercados emergentes. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar frente a seis moedas fortes, recuava 0,12% por volta das 17 horas, aos 98,897 pontos, mas acumulou ganho de pouco mais de 0,80% em maio.
O diretor de pesquisa econômica do Pine, Cristiano Oliveira, afirmou que a depreciação do real no mês esteve ligada principalmente à alta dos juros globais após leituras elevadas de inflação ao produtor em abril, especialmente nos Estados Unidos, com influência dos preços de energia. Segundo ele, também houve fluxo cambial negativo e aumento da volatilidade associado à questão eleitoral.
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O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, destacou a elevação das taxas dos Treasuries em meio a indicadores robustos da economia americana e à atração de capital para os Estados Unidos. No mercado de petróleo, o Brent para agosto fechou a US$ 91,12 por barril, queda de 1,7% no dia, com baixa superior a 9% na semana e de 16% no mês.
Para o agronegócio, o câmbio segue como variável central na formação de preços de exportação, na receita de produtores que vendem commodities em dólar e nos custos de insumos atrelados ao mercado externo, como fertilizantes e combustíveis. A queda do petróleo também influencia fretes, diesel e a competitividade de cadeias ligadas à energia e aos biocombustíveis.
No ano, apesar da alta de maio, o dólar ainda acumula desvalorização de 8,13% frente ao real.
Segundo Oliveira, do Pine, os modelos de curto prazo indicam o real próximo de um nível considerado equilibrado, com a taxa de câmbio oscilando entre R$ 5,03 e R$ 5,04. Sem mudança relevante no cenário de juros internacionais, no fluxo cambial ou no ambiente político, a tendência imediata é de manutenção da volatilidade em torno desses patamares.
Fonte: Estadão Conteúdo
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