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EUA acusam Brasil, Argentina e Reino Unido de adotar práticas ‘desleais’ contra seus produtos agrícolas

EUA acusam Brasil, Argentina e Reino Unido de adotar práticas ‘desleais’ contra seus produtos agrícolas


A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, afirmou neste domingo (27), que o governo americano trabalha para ampliar a presença dos produtos agrícolas do país em novos mercados, enquanto enfrenta dificuldades no comércio com a China. Em entrevista ao programa State of the Union, da CNN, Rollins citou diretamente o Brasil e a Argentina como países que avançaram no fornecimento de grãos e carnes para o mercado chinês, diante da redução das compras de produtos norte-americanos.

Segundo Rollins, as negociações comerciais entre EUA e China continuam ocorrendo “diariamente”, mas a secretária reconheceu que, no curto prazo, houve uma retração expressiva das exportações americanas, sobretudo de carne suína e soja. Ela mencionou que a demanda chinesa por carne suína dos EUA caiu 72% em apenas uma semana.

“Eles [China] precisam mais de nós do que nós deles”, disse a secretária, ao defender a estratégia comercial da atual administração.

A secretária acusou Brasil, Argentina e Reino Unido de adotar práticas comerciais “desleais” contra produtos agrícolas dos Estados Unidos, citando barreiras sanitárias e exigências não tarifárias, além dos próprios impostos de importação.

“Seja Argentina, China, Brasil ou Reino Unido, eu poderia listar país por país como eles tratam nossa carne, nossos produtos”, afirmou.

Rollins também destacou que a expansão de mercados é prioridade para compensar as perdas observadas na Ásia. Segundo ela, viagens oficiais estão programadas para o Reino Unido, Vietnã, Japão, Peru e Brasil, com o objetivo de abrir novas oportunidades para os produtos agrícolas americanos.

“Os países estão batendo à nossa porta”, afirmou. De acordo com a secretária, mais de 100 nações já demonstraram interesse em negociar acordos comerciais com os EUA.

Queda na aprovação

No plano interno, Rollins defendeu as políticas econômicas adotadas pelo presidente Donald Trump. Ela afirmou que, embora as pesquisas mostrem queda na aprovação popular da política tarifária, indicadores como inflação e custo médio de produtos para o consumidor estão “em trajetória de baixa”, o que, segundo ela, reflete a efetividade das medidas.

A secretária também abordou o impacto da gripe aviária no mercado de ovos, tema que recebeu atenção especial do governo neste início de mandato. Rollins disse que o preço atacadista dos ovos nos Estados Unidos caiu 58% nas últimas seis semanas, após a implementação de um plano de cinco frentes para controlar a inflação no setor e a importação emergencial de ovos de países como Turquia e Coreia do Sul. No entanto, reconheceu que a redução de preços no varejo ainda não é sentida em todas as regiões.

Questionada sobre os riscos de novos prejuízos aos produtores americanos, em função da disputa comercial com a China, Rollins afirmou que o governo está preparado para adotar medidas emergenciais de apoio, semelhantes às implementadas durante o primeiro mandato de Trump, como parte do acordo de Fase 1 com Pequim. “Se houver danos significativos, estamos prontos para agir”, disse.

Rollins encerrou a entrevista reforçando que a segurança alimentar é uma questão de segurança nacional e que proteger os produtores rurais americanos é parte do compromisso do governo para manter a estabilidade econômica do país.



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