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Exportações de carne bovina devem perder fôlego no 3º trimestre, diz Rabobank

Exportações de carne bovina devem perder fôlego no 3º trimestre, diz Rabobank


Foto: Pixabay

Diante do esgotamento iminente da cota de exportação de carne bovina para a China, as atenções se voltam para os impactos no comércio e nos preços. Segundo a Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), o Brasil já ocupa 65,4% da cota anual estabelecida pelo país asiático, com 723,7 mil toneladas embarcadas entre janeiro e maio.

A partir de julho, a tendência é que reste apenas um volume residual disponível para exportação à China. Conforme análise do Rabobank, isso deve provocar uma desaceleração dos embarques brasileiros no terceiro trimestre de 2026, reflexo da elevada concentração das vendas para o mercado chinês.

Nos cinco primeiros meses do ano, o Brasil registrou o maior volume de exportações de carne bovina in natura da história para o período, com 1,4 milhão de toneladas embarcadas, alta de 15% na comparação anual. Em receita, as vendas externas somaram US$ 7,8 bilhões, avanço de 35% sobre o mesmo intervalo de 2025.

A China respondeu por 45% do volume exportado entre janeiro e maio, enquanto os Estados Unidos, segundo principal destino, representaram cerca de 13% das vendas brasileiras.

Apesar da expectativa de redução das compras chinesas, o Rabobank avalia que os embarques para os Estados Unidos devem seguir aquecidos no terceiro trimestre. A ausência da tarifa adicional de 50% aplicada em julho de 2025 mantém a competitividade da carne brasileira, cenário reforçado pela oferta restrita no mercado norte-americano e pela demanda da indústria local por carne magra destinada à produção de hambúrgueres.

Mercado do boi gordo impactado

A expectativa de menor ritmo das exportações já começa a aparecer nas cotações da arroba. O contrato futuro para julho recuou cerca de 6%, sendo negociado a R$ 333 por arroba.

Além da desaceleração das compras chinesas, o Rabobank aponta que o embargo da União Europeia às carnes brasileiras a partir de setembro, em razão de exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos, também tende a pressionar os preços no próximo trimestre.

Para o banco, esse cenário reforça a tendência de inversão da curva do boi gordo, com cotações mais baixas no segundo semestre de 2026 em relação aos primeiros seis meses do ano. Por outro lado, a expectativa é de melhora no volume exportado entre outubro e novembro, com a renovação da cota chinesa prevista para o início de 2027.

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