USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
Federações do RS estabelecem 15 demandas emergenciais em favor de produtores gaúchos

Federações do RS estabelecem 15 demandas emergenciais em favor de produtores gaúchos


Quatro federações gaúchas divulgaram nesta segunda-feira (16) uma carta aberta com 15 demandas emergenciais para socorrer os agricultores endividados após sucessivas estiagens e enchentes no Rio Grande do Sul (veja a lista abaixo).

Uma das principais medidas sugeridas ao governo federal é o alongamento dos débitos dos produtores rurais por 20 a 25 anos, com juro limitado a 3%.

O documento é assinado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) e Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro).

O documento foi apresentado em ato político com prefeitos, parlamentares, entidades e representantes do governo estadual. Nos discursos, autoridades expressaram preocupação com a continuidade das atividades dos agricultores nas atuais condições de endividamento e a consequente queda de arrecadação dos municípios.

De acordo com a Farsul, as dívidas dos produtores rurais gaúchos com vencimento em 2025 somam R$ 28 bilhões.

A presidente da Famurs, Adriane Perin de Oliveira, ressaltou que é hora de deicar de lado as diferenças ideológicas e partidárias em prol da união em torno de uma causa maior: a sobrevivência do agricultor e a economia dos municípios gaúchos e de todo o estado.

“O Rio Grande vive uma realidade dura, marcada por perdas sucessivas no campo. Não é hora de apontar culpados. É hora de apontar caminhos, e ele precisa ser coletivo. O caminho é o alongamento das dívidas, que não é perdão”, discursou.

Royalties do petróleo

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou durante o evento que “nenhum estado brasileiro viveu o que o Rio Grande está passando nos últimos anos. Não se trata apenas da enchente do ano passado, mas da recorrência de eventos climáticos que nos fizeram perder boa parte das safras.”

De acordo com ele, o governo federal possui os dados e números de perdas sofridas pelos produtores, mas insiste em não perceber. “Precisamos levar a Brasília a percepção de que a dor é verdadeira e merece ações concretas. Um dos caminhos que já apontamos é usar uma parte dos recursos do Fundo Social, com royalties do petróleo, para uma área que está sendo fortemente atingida”, defendeu.

“Nós precisamos capitanear esse processo e mostrar aquilo que não se mostra em Brasília. Nos últimos anos, só tivemos em 2021 uma safra boa. Todos os demais [anos] tivemos catástrofes. Não tem bolso que suporte, e não há prefeitura que vá resistir sem o dinheiro do agronegócio”, alertou o vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes.

Já o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, afirmou que o setor não conseguirá a prorrogação das dívidas se ficar esperando “pela boa vontade do governo federal”.

“Nós entregamos uma proposta em fevereiro, mas até agora o governo federal não apresentou uma contraproposta. Não há vontade política de fazer isso, e nós precisamos cobrar o governo.”

Conforme a área técnica da Famurs, foram reconhecidos pela União 2.895 decretos municipais de situação de emergência ou calamidade pública desde 2020, número que evidencia a magnitude e a persistência da crise climática no estado.

Apenas em 2024, as cidades afetadas pela enchente tiveram perdas estimadas em R$ 12,2 bilhões, sendo R$ 4,1 bilhões especificamente na agricultura. No período de 2020 a 2025, o prejuízo é calculado em R$ 92,6 bilhões.

Principais demandas das Federações

O documento assinado pelas quatro Federações estabelece as 15 demandas:

  • Transformar as dívidas em títulos lastreados pelo Tesouro Nacional.
  • Prazos de até 20/25 anos, com carência de 3 anos.
  • Juros anuais máximos de 1% (Pronaf), 2% (Pronamp) e 3% (demais).
  • Inclusão de dívidas já renegociadas ou judicializadas, com teto de renegociação emergencial de R$ 5 milhões por CPF.
  • Criação de um Fundo Garantidor das Dívidas Rurais, com recursos de fundos constitucionais e sociais.
  • Linha de crédito especial pelo BNDES para recuperação do solo e irrigação (juros até 4% a.a).
  • Ampliação do limite do Proagro para R$ 500 mil por CPF.
  • Suspensão de execuções judiciais e negativações por 180 dias.
  • Moratória tributária por 6 meses para INSS rural, ITR, IRPF rural e Incra.
  • Criação de linha de crédito emergencial (juros de 3% a.a, até R$ 500 mil por produtor).
  • Subvenção ao seguro rural e modernização do Proagro.
  • Redução de tarifas de importação de insumos a 0% e aceleração de registros no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
  • Ampliação do PAA para R$ 2 bilhões, com preços 30% maiores para produtos do RS.
  • Programa de reconstrução de armazéns, com financiamento a 1% a.a e isenção de impostos sobre equipamentos de armazenagem.
  • Edição de Medida Provisória emergencial para reconstrução do setor rural.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Mercado do boi gordo encerra semana de olho na China e com preços estáveis; saiba mais

Foto: Secretaria de Agricultura de São Paulo O mercado físico do boi gordo encerrou a sexta-feira (12) com preços acomodados nas principais regiões produtoras do Brasil. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos seguem ajustando suas estratégias de compra, especialmente em relação aos animais destinados ao mercado chinês. De acordo com o especialista, as indústrias vêm reduzindo as premiações pagas pelo chamado “boi China” e operando com maior nível de ociosidade nas plantas frigoríficas. O movimento reflete uma tentativa de adaptação a um cenário em que o principal comprador da carne bovina brasileira pode atuar de forma menos intensa nas

Brasil projeta redução de até 92,6% nas emissões da pecuária até 2050

Foto: Arquivo/Canal Rural A delegação brasileira apresentou na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, um estudo que projeta redução de até 92,6% na intensidade de emissões da pecuária de corte até 2050. O levantamento, intitulado “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050”, foi desenvolvido pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e lançado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Missão do Brasil em Roma. A apresentação ocorreu durante a

Boi gordo segue valorizado e arroba chega a R$ 360 em São Paulo

Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária O mercado físico do boi gordo apresentou menor movimentação nesta quinta-feira (12), mas os preços continuaram firmes na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A combinação entre oferta restrita de animais terminados e escalas de abate relativamente curtas segue dando sustentação às cotações. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Segundo análise do Cepea, parte dos frigoríficos esteve fora das compras e deve retomar as negociações apenas na próxima semana. Mesmo com a menor liquidez, houve reajustes pontuais em

Agro reage a veto de Lula e cobra Bolsa Família para safristas

Imagem gerada por IA para o Canal Rural O veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei 715/2023, conhecido como Lei dos Safristas, provocou reação de entidades do agronegócio e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (11), a decisão interrompe uma proposta que buscava permitir que trabalhadores rurais contratados temporariamente durante as safras mantivessem o acesso a programas sociais, como o Bolsa Família. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, o

Mercado acomodado? Preços do boi gordo encerram o dia estáveis enquanto frigoríficos reavaliam estratégias

Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo O mercado físico do boi gordo encerrou a quinta-feira (11) com preços acomodados nas principais praças pecuárias do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, parte das indústrias frigoríficas segue afastada das compras de gado, especialmente aquelas habilitadas a exportar para a China, enquanto reavaliam suas estratégias diante do atual cenário. De acordo com o analista, um dos principais fatores de atenção é o preenchimento acelerado da cota brasileira de exportação para o mercado chinês. A expectativa é que as autoridades do país asiático emitam nos próximos dias um alerta

São Paulo anuncia projeto-piloto de captura de carbono para o setor sucroenergético

O Estado de São Paulo anunciou, nesta quinta-feira (11), a criação de um projeto-piloto de captura e armazenamento de carbono biogênico voltado ao setor sucroenergético, com foco sobretudo na cana-de-açúcar. A iniciativa foi formalizada na quarta-feira (10) por meio de parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Epusp). Segundo nota da Semil, o novo Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico vai desenvolver pesquisas e tecnologias para capturar o dióxido de carbono (CO2) gerado na produção de

ABPA e Abiec pedem novas restrições a antimicrobianos para evitar perdas na Europa

Foto: Pixabay A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) solicitaram ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a ampliação das restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal. A medida busca fortalecer a posição do Brasil nas negociações com a União Europeia e preservar o acesso das proteínas brasileiras ao mercado europeu. Em ofício encaminhado ao governo federal, as entidades defendem a extensão de medidas regulatórias já adotadas para determinadas substâncias utilizadas na produção animal, ampliando as restrições tanto para a cadeia avícola quanto para a pecuária bovina. No caso da avicultura, o pedido inclui

Veto ao PL dos Safristas reacende debate sobre apoio ao trabalho rural

O veto total ao Projeto de Lei 715/2023, conhecido como PL dos Safristas, foi publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (11) e abriu nova frente de discussão sobre medidas de apoio ao setor agropecuário. Segundo o texto fornecido, a proposta previa que trabalhadores safristas integrantes do Bolsa Família não perdessem o benefício durante contratos temporários na safra. A justificativa apresentada pelo Executivo foi a de que a medida criaria despesa obrigatória de caráter continuado. De acordo com o material, o projeto buscava permitir a contratação formal de trabalhadores temporários do campo sem interrupção do benefício social. O texto também previa acesso a direitos

Seminário em Recife debate desertificação e justiça ambiental no Semiárido

A Casa IBGE Brasil Fundaj, em Recife (PE), recebe nos dias 17 e 18 de junho o seminário “Caatinga em Disputa: ciência, território e justiça ambiental diante da desertificação”. O evento integra a programação da Jornada da Terra 2026 e é alusivo ao Dia Mundial de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, celebrado na quarta-feira (17). A proposta é reunir pesquisadores, gestores públicos, organizações sociais, acadêmicos e sociedade civil para discutir transformações territoriais e o papel dos dados na formulação de políticas públicas. A programação foi organizada em quatro painéis temáticos, com um debate pela manhã e outro à tarde, nos dois

Conferência Estadual de Aquicultura e Pesca entra na pauta de câmara setorial no RS

Integrantes da Câmara Setorial da Aquicultura se reuniram nesta quinta-feira (11), em Porto Alegre e também de forma online, sob coordenação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). Na pauta esteve a etapa estadual da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, prevista para ocorrer em Brasília em novembro deste ano. O encontro no Rio Grande do Sul será realizado no dia 3 de julho, no auditório da Famurs. Segundo o material divulgado, as inscrições para a etapa estadual começam na próxima segunda-feira (15), no site da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Além da participação presencial, haverá possibilidade de envio virtual de