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Fitch coloca ratings da Amaggi em observação negativa após compra de participação na FS

Fitch coloca ratings da Amaggi em observação negativa após compra de participação na FS


A agência de classificação de risco Fitch informou, nesta quinta-feira (22), que colocou os ratings da Amaggi em observação negativa após a aquisição de 40% da FS, operação financiada por uma nova dívida de US$ 700 milhões. Segundo a agência, a transação deve elevar a alavancagem da companhia e reduzir sua flexibilidade financeira. Se a operação for aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e concluída, a tendência indicada pela Fitch é de rebaixamento em um grau.

De acordo com a Fitch, a alavancagem ajustada por estoques com liquidez imediata (RMI) deve subir para 7,1 vezes em 2026, enquanto a alavancagem líquida deve permanecer acima de 4 vezes nos próximos anos. Para a agência, esses níveis não são compatíveis com a atual nota “BB-”.

Apesar da pressão sobre o perfil financeiro, a Fitch avaliou que a compra fortalece a posição estratégica da Amaggi ao ampliar a diversificação dos negócios e a integração nas cadeias de milho e biocombustíveis. A agência destacou que a operação aumenta a exposição da companhia a produtos de maior valor agregado, mas afirmou que esse ganho tende a ser neutralizado, no curto e médio prazo, pelo aumento da dívida.

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No cenário operacional, a Fitch projetou margem Ebitda de 5,3% em 2026, acima dos 3,6% registrados em 2024, mas abaixo dos 6,1% observados em 2025. O fluxo de caixa operacional estimado é de US$ 209 milhões em 2026 e US$ 252 milhões em 2027.

A agência também manteve visão estável para a soja em Mato Grosso em 2026, com produção estimada em cerca de 51 milhões de toneladas, em linha com 2025. Nas projeções da Fitch, a soja deve ficar em US$ 11,30 por bushel em 2026 e US$ 11,10 em 2027, enquanto o milho deve permanecer em US$ 4,47 por bushel nos dois anos.

A Amaggi comercializa cerca de 18 milhões de toneladas de grãos por ano e possui 386 mil hectares de terras agrícolas. Em dezembro de 2025, a companhia tinha US$ 870 milhões em caixa e aplicações financeiras, ante US$ 890 milhões em dívida de curto prazo.

A avaliação da Fitch indica que a conclusão da operação dependerá da análise concorrencial do Cade e que a evolução da liquidez e do refinanciamento seguirá no centro do monitoramento. No curto prazo, a combinação entre nova alavancagem, preços de grãos e custos logísticos tende a ser o principal fator para o perfil de crédito da companhia.

Fonte: Estadão Conteúdo

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