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O Estado como indutor: A mão pública na retomada do Agro

O Estado como indutor: A mão pública na retomada do Agro

Cleber Barbosa, da Redação

A retomada do setor agropecuário no Amapá não é um movimento espontâneo da natureza; é o resultado direto de uma engrenagem política e administrativa que finalmente começou a girar. Por muito tempo, o setor produziu “apesar” do Estado. Hoje, começamos a ver uma mudança de paradigma: o poder público assume o papel de facilitador, criando o ambiente necessário para que quem planta, cria e colhe possa prosperar com segurança.

O protagonismo do poder público nesta nova fase fundamenta-se em três pilares estratégicos que estão mudando a cara do campo:

1. A Desburocratização e a Inclusão Jurídica

O passo mais corajoso do poder público foi encarar o caos fundiário e ambiental. Iniciativas como o Programa Amapá Terras e a aceleração da regularização ambiental são marcos divisores. Quando o Estado simplifica o processo de licenciamento e entrega o título definitivo, ele retira o produtor da invisibilidade. Essa ação governamental é o que permite que o pequeno agricultor e o grande investidor tenham o mesmo “porto seguro” para planejar suas safras a longo prazo.

2. Infraestrutura e a Logística de Escoamento

Não há produção que sobreviva ao isolamento. O investimento público na recuperação de ramais e na pavimentação de rodovias estratégicas é o que garante que o lucro não fique pelo caminho, perdido em atoleiros. Além disso, a articulação para transformar o Porto de Santana em um terminal de grãos e minérios de classe mundial demonstra uma visão de Estado que entende a logística como um bem público essencial. Sem estradas e portos eficientes, o agro é apenas subsistência; com eles, torna-se exportação e riqueza.

3. Fomento, Crédito e Difusão Tecnológica

A atuação das agências de fomento e das secretarias de agricultura tem sido vital para democratizar a tecnologia. O incentivo governamental para a verticalização da produção — incentivando que o Amapá não exporte apenas a soja bruta, mas que processe o óleo e o farelo aqui dentro — é o que gera o emprego industrial. O apoio a feiras de negócios e a oferta de assistência técnica gratuita ao pequeno produtor garantem que a modernização do campo não deixe ninguém para trás, integrando a agricultura familiar às cadeias produtivas globais.

O Compromisso Continua

O otimismo que vemos hoje é um voto de confiança na continuidade dessas políticas. O poder público entendeu que o agronegócio não é um setor isolado, mas o coração de uma reação em cadeia que movimenta o comércio das cidades, o setor de serviços e a arrecadação estadual.

Ao investir no campo, o Estado não está apenas ajudando o produtor; está investindo na autossuficiência alimentar do povo amapaense e na construção de uma economia que não depende apenas do contracheque público. O papel do governo foi dar o primeiro passo e preparar o solo. Agora, o compromisso deve ser manter o ritmo, garantindo que o apoio estatal seja uma política de Estado perene, e não apenas uma ação de governo passageira.

O Agro amapaense despertou porque, finalmente, encontrou um Estado que decidiu caminhar ao seu lado.

 

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