USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
Retirada de isenção das carnes da cesta básica elevaria preço ao consumidor em 10%

Retirada de isenção das carnes da cesta básica elevaria preço ao consumidor em 10%


Uma eventual exclusão das carnes da cesta básica isenta de tributos no âmbito da regulamentação da reforma tributária provocaria aumento real nos preços do produto em 10,2%, em média, ao consumidor final, revela estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O cálculo considera o cenário de adoção da alíquota reduzida de 10,6% sobre as proteínas, em caso de eventual retirada das carnes da cesta básica isenta, o equivalente a 40% da alíquota total projetada em 26,5%.

Nesse cenário, o custo das proteínas para o consumidor final seria elevado em 10,21% para carne bovina, 10,18% para a suína e 10,16% para a de aves.

A inflação sobre os preços das carnes auferida pelos pesquisadores da FGV seria observada em 2030, durante a transição da reforma. “A transição de um cenário de isenção total para um cenário de alíquota reduzida, independentemente da política de cashback, faz com que o ônus do aumento de preço seja repassado quase que integralmente para os consumidores”, observa a Fundação.

Impactos socioeconômicos

O estudo, de 40 páginas, foi coordenado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV e encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). O objetivo do estudo, segundo a FGV, é determinar os impactos socioeconômicos de médio e longo prazo da proposta de retirada da proteína animal da cesta básica brasileira no escopo da reforma tributária.

“A inclusão das carnes na cesta básica para efeitos de aplicação da alíquota zero, com ou sem cashback, mostra-se como o cenário econômico mais favorável tanto para os consumidores quanto para o setor produtivo. Como também, do ponto de vista de resultados macroeconômicos, a retirada da proteína animal da cesta básica mostra-se equivocada, uma vez que traria impactos econômicos indesejáveis na sociedade brasileira e amplificam os efeitos negativos da reforma tributária como atualmente proposta”, afirma a FGV.

Divergências da carne na cesta básica

A inclusão das carnes na cesta básica isenta de tributação foi um dos principais pontos de divergência entre a equipe econômica, o setor produtivo e a bancada do agronegócio no Congresso durante a tramitação do Projeto de Lei Complementar 68/2024, que regulamenta parte da reforma tributária, incluindo a composição da cesta básica.

A maior discordância estava no impacto da isenção das proteínas no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), alíquota de referência. O texto aprovado na Câmara dos Deputados, em acordo entre governo e bancada agropecuária, prevê a isenção de impostos sobre carnes e ovos com a inclusão dos produtos na cesta básica sem tributação – a matéria está em análise no Senado.

De acordo com o estudo da FGV, a inclusão das carnes na cesta básica aumenta a alíquota de referência em 0,25 ponto porcentual, dos 26,5% previstos para o IVA para 26,751%. A estimativa é abaixo do projetado pelo governo, de impacto de 0,56 ponto porcentual.

Os pesquisadores da FGV explicam que a diferença no resultado, sendo o estimado pela universidade inferior ao projetado pelo Ministério da Fazenda, deve-se ao fato de o estudo considerar o comportamento dos agentes econômicos diante da mudança de preços, sobretudo das famílias.

Na análise da FGV, ao retirar as carnes da cesta básica e aplicar uma alíquota diferenciada (de 10,6%), pode haver também o encarecimento da cesta básica de forma geral. O estudo indica que, sem as carnes na cesta básica isenta e com uma alíquota de 10,6%, a inflação acumulada na cesta básica pode chegar a 3,524% até 2030.

“Ao tributar as carnes pela alíquota reduzida resultaria na transferência desse ônus aos consumidores finais, e isso independentemente da política de cashback. Além disso, a isenção das carnes reduz a inflação total de bens e serviços para os mais pobres em cerca de 52,2% enquanto para a classe média em até 43,0%. O maior acesso às proteínas animais beneficia relativamente mais as famílias que recebem o cashback e classe média por gerar uma menor inflação total sobre os bens e serviços que essas famílias consomem”, pontuou a FGV.

Isenção é mais eficiente

auxílio, dívida, dinheiro, valores esquecidos
Foto: USP

O estudo mostra, ainda, que a isenção é mais eficiente do que a eventual arrecadação de impostos pela tributação das carnes, pois haveria perda de R$ 2,24 na produção para cada R$ 1 arrecadado, em caso de exclusão das carnes da cesta básica.

Já com as carnes isentas na cesta básica a arrecadação tributária destes produtos poderia aumentar em até R$ 13,9 bilhões. Essa projeção considera a expansão da agroindústria em virtude do provável aumento no consumo de carnes pelas famílias em cenário de redução dos preços das proteínas.

A FGV estima que a agroindústria de carnes deve crescer 20% até 2030, o que cai para 11% em caso de regime de alíquota apenas reduzida para o setor.

“Tal conclusão impacta positivamente não apenas a indústria de proteína animal em específico. Há efeito multiplicador relevante, com o aumento da produção de outras atividades, como atividades agropecuárias, indústria de transformação como a indústria de embalagens, serviços de frete e agroindústria no geral”, avaliou a FGV.

Geração de empregos associada à carne

Outro efeito da inclusão das carnes na cesta básica isenta, segundo a FGV, é o aumento acumulado de ocupações que chegaria a 144.994 novos postos até 2030 nas atividades de proteínas animais.

Em caso de alíquota reduzida, imposto de 10,6% sobre as carnes, a geração de empregos no setor seria de 75.045 até 2030, segundo o estudo. Há também estimativa de aumento real de 19,9% nos salários para atividades de carne bovina, 20,9% para carne de aves e 19,3% para carne suína em caso de alíquota zero para as carnes.

“Esse crescimento ocorre porque a isenção tributária reduz os custos operacionais, permitindo expansão da produção e aumento do emprego no setor e, consequentemente, melhor remuneração para a mão-de-obra do setor. Em contrapartida, quando há uma alíquota, mesmo que reduzida, essa margem para investimento no salário dos trabalhadores é prejudicada, limitando o crescimento salarial”, explica a FGV no estudo.

Impactos do cashback

O estudo da FGV avaliou também os impactos econômicos do cashback – sistema de devolução de parte do imposto pago à famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal.

A proposta do governo é que terão direto ao cashback beneficiários com renda familiar mensal per capita deve ser de até meio salário mínimo com devolução de 20% dos tributos. Na análise do estudo, os efeitos do cashback são limitados. Em relação ao preço das carnes e sobre o custo da cesta básica, o desconto tem praticamente efeito nulo. Quanto à alíquota geral, a adoção do cashback implicaria em uma variação de 0,013 ponto porcentual sobre o IVA.

De acordo com o estudo, há incapacidade do cashback em manter as famílias no mesmo nível de consumo real observado antes da reforma tributária.

“Diante desse cenário, torna-se ainda mais relevante que se assegure um baixo nível de tributação para alimentos que já se sujeitavam a esse regime no modelo anterior. Isso porque, qualquer aumento de carga tributária necessariamente reverberará no preço e, portanto, no acesso de tais bens pela população de baixa renda, a qual não terá a devolução desse ônus via cashback”, argumentam os pesquisadores da FGV.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Conab participa de oficinas para plano de enfrentamento à estiagem

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) participou das oficinas de capacitação do Plano Nacional de Enfrentamento à Estiagem na Amazônia Legal e no Pantanal (PNEAP), coordenadas pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (Sedec/MIDR). As atividades ocorreram em dez estados brasileiros, entre os dias 3 e 7 de agosto, com a participação de mais de 40 empregados da estatal. As oficinas foram realizadas nos dias 3 e 4 de agosto em Belém (PA), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Rio Branco (AC) e São Luís (MA). Já nos dias 6 e 7 de agosto, os encontros

MP libera crédito extraordinário para estoques públicos e compra de alimentos

A Medida Provisória (MP) nº 1.384 autorizou a abertura de crédito extraordinário para o enfrentamento dos efeitos do El Niño sobre o abastecimento e a segurança alimentar no Brasil. Publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última quarta-feira (12), a norma destina recursos ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em complemento ao orçamento de políticas executadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo a medida, os recursos voltados à formação de estoques públicos somam mais de R$ 849 milhões. O montante será aplicado na Ação Orçamentária 2130

Arroba do boi gordo: veja como as cotações encerraram mais uma semana

preço do boi O mercado físico do boi gordo apresenta manutenção do padrão das negociações em grande parte do país. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que os frigoríficos de maior porte ainda desfrutam de uma posição mais confortável em suas escalas de abate, enquanto as indústrias de menor porte apresentam maiores dificuldades. “Este é o ponto central para o restante do mês, se haverá disponibilidade de gado nas próximas semanas que seja capaz de atender as necessidades da indústria frigorífica. A Balança Comercial divulgada semanalmente é outro fator importante para a formação dos preços”, ressaltou Iglesias. Preços médios da

PLP 114/2026 avança no Congresso com mecanismos para preservar competitividade do etanol

A aprovação do Projeto de Lei Complementar 114/2026 pelo Congresso Nacional foi avaliada de forma positiva pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana). Entre as medidas previstas no texto está a possibilidade de redução ou suspensão de tributos federais sobre combustíveis em cenários de forte alta dos preços do petróleo. O projeto também estabelece mecanismos voltados ao etanol e segue para sanção presidencial. Segundo a Orplana, a proposta considera o papel estratégico do etanol na matriz energética brasileira e busca preservar a competitividade do biocombustível diante de eventuais alterações na tributação da gasolina. Na avaliação da entidade, esse ponto tem relação

Alcolumbre destrava PEC que trata do fim da escala 6×1 

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 foi despachada, nesta sexta-feira (14), pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Na última quarta-feira (12), tive uma importante conversa institucional com o presidente Lula. Foi um diálogo maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do governo e tratar da agenda legislativa de interesse do nosso país”, informou, em nota, Alcolumbre. A PEC estava na mesa do senador desde o final de maio, depois de aprovada na Câmara dos

Entidades cobram regulamentação da MP das dívidas rurais

Entidades de diferentes segmentos do setor agropecuário entregaram nesta sexta-feira (14) à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) um manifesto em que cobram do governo federal a regulamentação da Medida Provisória 1.376/2026. Publicada em 15 de julho, a MP estabelece formas e condições para renegociação das dívidas rurais. A expectativa é de que cerca de R$ 100 bilhões possam ser repactuados. No documento, as entidades criticam a demora na operacionalização das linhas de refinanciamento. Segundo o manifesto, produtores que cumprem os requisitos legais relatam recusa de instituições financeiras e entraves na regulamentação operacional interna, o que tem travado as contratações. Uma das pendências para a efetivação

Mercado do boi gordo recupera fôlego na primeira quinzena de agosto e arroba chega a R$ 355

Foto: divulgação O mercado do boi gordo encerra a primeira quinzena de agosto com preços sustentados e oferta restrita de animais prontos para abate. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as negociações desta quinta-feira (13) tiveram estabilidade nas cotações, mas com razoável liquidez em diferentes regiões pecuárias do país. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Mesmo com alguns compradores fora do mercado e indicando retorno às negociações apenas na próxima semana, o Cepea identificou um bom volume de negócios. Do lado vendedor, parte dos pecuaristas segue resistente

Lei da Reciprocidade: Brasil tem a arma em mãos, mas ainda não puxou o gatilho

O governo brasileiro divulgou nota repudiando a decisão dos EUA de impor tarifas de 25% sobre produtos vindos do Brasil O Brasil decidiu mostrar aos Estados Unidos que a negociação continua aberta, mas que já não acontece com o país de mãos vazias. Ao iniciar o procedimento previsto na Lei da Reciprocidade Econômica, o governo ainda não aplicou nenhuma tarifa contra produtos americanos. Colocou, porém, sobre a mesa um instrumento legal que poderá ser utilizado se o diálogo não avançar. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Essa diferença é importante. O que

Brasil abre processo de reciprocidade contra tarifaço dos EUA

Foto: Agência Brasil O governo federal anunciou nesta quinta-feira (13) a abertura formal do processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos (EUA) contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Em nota, o Palácio do Planalto informou que o procedimento foi iniciado a partir do compartilhamento do pedido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) com os demais integrantes de seu Comitê-Executivo de Gestão. Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) notificará o governo dos Estados Unidos e solicitará a abertura de consultas diplomáticas. “As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os

Arroba do boi gordo: veja como o mercado fechou nas principais regiões

Foto gerada por IA O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com acomodação dos preços nas mais diferentes regiões do país. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, as indústrias de maior porte ainda se deparam com um posicionamento mais confortável em suas escalas de abate. “Já os frigoríficos de menor porte ainda se deparam com um quadro mais complicado, encontrando maiores dificuldades na composição dessas escalas”, contextualiza. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! De acordo com ele, a demanda doméstica tende a ser mais problemática