USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
Setor da cachaça reage à taxação por teor alcoólico imposta na Reforma Tributária

Setor da cachaça reage à taxação por teor alcoólico imposta na Reforma Tributária


Foto: Secretaria de Agricultura do Rio de Janeiro

O Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), que congrega 90 associados entre fabricantes e associações, lançou manifesto nesta segunda-feira (25) solicitando urgência na reavaliação da carga tributária do setor de bebidas alcoólicas no país.

O setor diz que tem o desafio de sobreviver à Reforma Tributária em andamento em função das alterações feitas pela Câmara dos Deputados, que trouxe a aplicação das alíquotas ad valorem diferenciadas por categorias de bebidas e, ainda, progressivas com base no teor alcoólico, alterando significativamente o texto enviado pelo Poder Executivo.

De acordo com o texto da entidade, a cachaça é um dos produtos mais taxados do país, com alíquotas nominais de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cerca de quatro vezes superior ao da cerveja.

O Ibrac reforça que se o Legislativo e o Executivo nada fizerem, a carga tributária da bebida aumentará ainda mais. “É fundamental o cuidado para que a Reforma não caminhe na contramão da valorização do produto mais genuinamente brasileiro que temos.”

Álcool é igual para todas as bebidas

O Instituto reforça que o álcool presente em todas as bebidas é o mesmo, independente de ser destilada ou fermentada, servida em copo ou tulipa.

“A diferença não está no tipo de bebida alcoólica e, sim, na quantidade da bebida consumida. Se usarmos como referência uma dose padrão de consumo de 14 gramas de álcool, 350ml de cerveja com teor alcoólico de 5%, 150ml de vinho com teor alcoólico de 12% e 40ml de cachaça ou outro destilado com 40% de teor alcoólico, todos possuem as mesmas 14 gramas de álcool”, reforça a entidade.

O Instituto ainda argumenta que conforme o padrão de consumo de bebidas alcoólicas no país, o brasileiro consome mais de 80 litros per capita de cerveja por ano, enquanto o de todos os destilados, incluindo a cachaça, é de apenas 4,1 litros per capita.

“Nesse sentido, fica aqui o questionamento: se o álcool é mesmo e o brasileiro consome muito mais cerveja que cachaça, por que a cachaça paga muito mais impostos que a cerveja?”, ressalta o manifesto.

Diante desse cenário, os produtores de cachaça pedem:

  1. Tratamento igualitário para todas as bebidas alcoólicas, garantindo a isonomia tributária no imposto seletivo, ou seja, a mesma alíquota ad valorem e a mesma alíquota específica (ad rem) independentemente do teor alcoólico ou do tipo da bebida alcoólica.
  2. Em um cenário que considere o fim dos atuais privilégios existentes para algumas categorias de bebidas alcoólicas, um tratamento diferenciado para micro e pequenos produtores no imposto seletivo.

O Ibrac destaca que o setor da cachaça gera mais de 600 mil empregos diretos e indiretos, impactando toda uma cadeia produtiva que vai desde a produção da cana-de-açúcar, passando por cooperativas, indústrias de diferentes portes — majoritariamente micro e pequenos produtores — além de distribuidoras de bebidas, grandes e pequenos atacados e varejos até chegar a bares e restaurantes e, finalmente, ao consumidor.

Conforme números do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de 2023, o país atingiu 10.526 marcas de cachaças e 1.217 cachaçarias registradas.

Exportação ainda é baixa

O Instituto chama atenção para o fato de mesmo com todos os números pujantes do setor, o volume de cachaça exportado ainda é muito baixo em comparação com outros destilados. Isso porque enquanto o Brasil exporta em torno de 8,6 milhões de litros da bebida, o México vende 399 milhões de litros de tequila para mais de 190 países, ou seja, 46 vezes mais.

Por conta desse potencial desperdiçado, o Ibrac diz que a correção das assimetrias tributárias existentes no segmento de bebidas alcoólicas pode proporcionar ao setor o aumento dos embarques, enriquecendo toda a cadeia.

Por fim, a entidade reforça que o aumento dos tributos e a perpetuação das assimetrias tributárias existentes tendem a colapsar o setor. “Teríamos o fechamento de empresas, o aumento do desemprego, o crescimento do mercado ilegal e a redução considerável de um setor essencial para o nosso país, além de um impacto significativo em milhares de famílias que há séculos sobrevivem da cachaça.”

O post Setor da cachaça reage à taxação por teor alcoólico imposta na Reforma Tributária apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Calendário especial pode acelerar votação da PEC do fim da escala 6×1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou nesta terça-feira (13) que um requerimento para acelerar a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 já conta com assinaturas suficientes para ser apreciado em plenário. Com isso, a votação da PEC pode ocorrer em dois turnos já nesta quarta-feira (14), se o requerimento for aprovado. “Vários senadores assinaram um requerimento de calendário especial. Já há o número regimental para a apreciação do calendário especial na tarde da sessão de amanhã”, disse Alcolumbre, pouco antes de encerrar a sessão deliberativa desta terça. A PEC 221, de 2019, prevê descanso remunerado de dois

arroba segue em alta com escalas de abate apertadas

O mercado físico do boi gordo retoma as negociações após o feriado com preços firmes e negócios realizados acima das referências médias em diferentes regiões do país. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a oferta de animais permanece restrita, enquanto as escalas de abate continuam pouco confortáveis, concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte das praças pesquisadas. “Esse ambiente mantém os frigoríficos ativos na compra de boiadas e preserva o viés de alta para a arroba no curto prazo. A expectativa de retomada da produção destinada ao mercado chinês também permanece relevante para a demanda do último

BNDES orienta organizações sobre chamada de R$ 225 milhões no Rio Doce

Equipes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG/PR) e de ministérios estão percorrendo municípios da Bacia do Rio Doce e do Litoral Norte Capixaba para orientar organizações interessadas na Chamada Rio Doce Participativo. A iniciativa reúne R$ 225 milhões para projetos estruturantes de desenvolvimento territorial em áreas atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão. As inscrições seguem abertas até 30 de dezembro de 2026, com análise contínua das propostas à medida que forem apresentadas ao banco. Durante esse processo, a chamada prevê interação entre o BNDES e as entidades proponentes para esclarecimentos, complementação documental e aperfeiçoamento

Planos de Lula e Flávio divergem sobre clima, desmatamento e conservação

Os programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tratam de forma diferente os temas ambientais na disputa do segundo turno. Lula coloca as mudanças climáticas como eixo central das propostas e as classifica como emergência. Flávio cita eventos climáticos extremos e concentra o plano em conservação com geração de renda, mercado de carbono, bioeconomia e pagamento por serviços ambientais. No programa do PT, o termo mudanças climáticas aparece 38 vezes e orienta ações de mitigação e adaptação. Entre as propostas estão a revitalização de bacias hidrográficas, a ampliação da infraestrutura de segurança hídrica, investimentos em prevenção e redução

CNA apresenta ações para ampliar participação feminina no agro durante evento no RN

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou no domingo (11) do 4º Encontro das Mulheres do Agro, realizado durante a 64ª Festa do Boi, em Natal, no Rio Grande do Norte. Promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Rio Grande do Norte (Faern), o evento teve como foco a atuação feminina no setor agropecuário e a ampliação da presença de mulheres em espaços de liderança. Durante o encontro, a presidente da Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA, Stéphanie Ferreira, apresentou um panorama das ações desenvolvidas pela comissão. Entre os pontos destacados estiveram o fortalecimento sindical, o desenvolvimento

CNA destaca papel do agro em sessão no Senado pelo Dia Mundial da Alimentação

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na terça-feira (13), de uma sessão solene no Plenário do Senado Federal em homenagem ao Dia Mundial da Alimentação. Em Brasília, a entidade defendeu a relevância do agro na produção de alimentos, no abastecimento interno e na oferta para outros países. O encontro também reuniu parlamentares e representantes de entidades do setor. O vice-presidente da CNA, Humberto Miranda, integrou a mesa da solenidade e afirmou que o Brasil ocupa posição de destaque no cenário global de produção de alimentos. Segundo ele, o país tem responsabilidade no abastecimento do mercado interno e na contribuição para a

entidades alertam para alta nos custos de produção e na inflação

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 será votada em primeiro turno no Senado Federal nesta quarta-feira (14). Diante disso, confederações empresariais, entre elas a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), manifestaram preocupação com os possíveis efeitos da mudança sobre os custos de produção, a contratação de trabalhadores formais e a inflação. Uma pesquisa do Cepea em parceria com a CNA aponta que 94,8% dos produtores rurais enfrentam dificuldades para contratar mão de obra, o que pode encarecer o preço dos alimentos. Em nota divulgada em 7 de outubro, seis entidades defenderam que a proposta seja

Arroba do boi gordo chega a R$ 385 e pecuaristas já esperam R$ 390 em São Paulo

O mercado do boi gordo encerrou a última semana com preços firmes, apesar da redução no ritmo das negociações. Em São Paulo, a arroba foi comercializada entre R$ 370 e R$ 380, com negócios pontuais chegando a R$ 385, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na sexta-feira (9), o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referente ao mercado paulista, atingiu R$ 377,80 por arroba, à vista e livre de Funrural, acumulando valorização de 3,71% na parcial de outubro. De acordo com o Cepea, a liquidez foi baixa na sexta-feira, uma vez que parte dos compradores já havia se retirado do mercado

Fim da escala 6×1 será votada no Senado nesta quarta-feira

O Senado Federal deve votar nesta quarta-feira (14), em primeiro turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e tem direito a um dia de descanso. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! A votação foi anunciada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Antes de ser analisada pelos parlamentares, a proposta precisa passar por mais duas sessões de discussão, previstas para terça-feira (13) e quarta-feira (14). A PEC 221/2019, já aprovada pela Câmara

Falhas operacionais elevam custo da engorda no confinamento de bovinos

A busca pelo menor custo por arroba produzida na terminação de bovinos vai além do ajuste fino dos ingredientes no software de formulação. O zootecnista Maurício Scoton afirma que falhas na rotina operacional do confinamento são as verdadeiras vilãs da rentabilidade, provocando perdas invisíveis que elevam a conta do pecuarista. Segundo o especialista, existem “três dietas” na fazenda: a formulada no computador pelo nutricionista, a efetivamente misturada pelo operador no vagão e a entregue no cocho para o lote. Dados do levantamento Confina Brasil, realizado pela Scot Consultoria, mostram um forte descompasso de gestão: enquanto nove em cada dez confinamentos contratam consultoria nutricional, apenas um