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Tempo seco favorece colheita do milho, mas preocupa pecuária no Centro-Oeste

Tempo seco favorece colheita do milho, mas preocupa pecuária no Centro-Oeste


O tempo seco e as temperaturas elevadas devem marcar os próximos dias no Centro-Oeste, com impactos sobre as lavouras de milho segunda safra e a pecuária. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros podem superar os 40 °C em algumas áreas, enquanto a umidade relativa do ar deve ficar abaixo de 20%.

A previsão para os próximos sete dias indica baixos volumes de chuva na maior parte da região. As precipitações devem ocorrer de maneira pontual e ficar concentradas principalmente no extremo sul de Mato Grosso do Sul.

Nas demais áreas, uma massa de ar seco deve manter o tempo estável e favorecer a elevação das temperaturas. As máximas devem variar entre 34 °C e 38 °C em grande parte do Centro-Oeste, podendo ultrapassar os 40 °C em áreas do norte e centro-sul de Mato Grosso e do norte de Mato Grosso do Sul.

Além do calor, a baixa umidade exige atenção. Os índices podem ficar abaixo de 20% em áreas do norte de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e em setores do noroeste, sudeste e norte de Mato Grosso, principalmente durante as tardes.

Tempo seco pode favorecer colheita do milho

As condições previstas têm efeitos distintos sobre as lavouras de milho segunda safra. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citados pelo Inmet, 84,7% da área nacional já foi colhida.

Em Mato Grosso, os trabalhos estão praticamente concluídos, com produtividades acima das estimativas iniciais dos produtores. Em Goiás, a colheita avança nas regiões norte e leste e se aproxima do fim em áreas do sudoeste.

Em Mato Grosso do Sul, as chuvas limitaram o avanço das máquinas em parte do estado. Com a previsão de tempo firme, a expectativa é de condições mais favoráveis para a retomada e aceleração dos trabalhos.

Para as áreas em maturação e colheita, a ausência de chuva também favorece a redução da umidade dos grãos e a secagem no campo, ampliando as janelas disponíveis para as operações e podendo diminuir a necessidade de secagem artificial.

Lavouras mais tardias exigem atenção

O cenário, porém, pode ser desfavorável para as áreas de milho plantadas mais tarde e que ainda estão na fase de enchimento dos grãos.

Segundo o Inmet, a combinação de calor intenso, baixa umidade do ar e déficit hídrico no solo aumenta a evapotranspiração e pode prejudicar o desenvolvimento dos grãos, com possíveis reflexos sobre o peso final e a produtividade.

A falta de chuva também afeta as pastagens. A persistência do tempo seco dificulta a rebrota, reduz a disponibilidade de forragem e pode comprometer sua qualidade nutricional. Com isso, produtores podem precisar ampliar a suplementação alimentar dos rebanhos e ajustar a lotação das áreas durante o período seco.

Calor aumenta risco para rebanhos e de incêndios

Outro ponto de atenção é o estresse térmico dos animais, principalmente daqueles criados em sistemas extensivos a pasto. As temperaturas elevadas e a baixa umidade aumentam a necessidade de água e de áreas de sombra.

O Inmet recomenda reforçar a oferta de água limpa e fresca, garantir sombreamento adequado e evitar atividades que exijam maior esforço dos animais, como deslocamentos, apartações e transporte, nos horários mais quentes do dia.

A combinação de calor, falta de chuva e umidade baixa também reduz a umidade da vegetação, das pastagens e da palhada deixada pelas lavouras recém-colhidas, aumentando as condições favoráveis à propagação de incêndios.

Diante do cenário, o instituto recomenda que produtores acompanhem as atualizações da previsão do tempo e os avisos meteorológicos para ajustar as operações de campo e reduzir os riscos relacionados ao calor e à falta de umidade.

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