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Vendas de máquinas e equipamentos agrícolas despencam em abril

Vendas de máquinas e equipamentos agrícolas despencam em abril


Talkins Tractor, da Valtra. Foto: Lyandra Renata/Canal Rural

As vendas de máquinas e equipamentos agrícolas registraram forte queda em abril, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

De acordo com a entidade, o consumo aparente de máquinas e equipamentos caiu 20,6% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025, totalizando R$ 27,76 bilhões. O resultado eliminou a recuperação observada em março e aprofundou a retração acumulada no ano para 13,7%.

Ainda de acordo com a Abimaq, a desaceleração deixou de ser pontual e passou a atingir diferentes segmentos da indústria de bens de capital, especialmente os ligados ao agronegócio e à indústria de transformação.

Queda atinge máquinas nacionais e importadas

O levantamento aponta que a retração ocorreu tanto nas compras de máquinas produzidas no Brasil quanto nas importadas.

As aquisições de equipamentos nacionais recuaram 26,6% em abril, enquanto as importações caíram 13,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para a Abimaq, o movimento indica um enfraquecimento mais disseminado do investimento produtivo no país.

A receita líquida de vendas da indústria de máquinas atingiu R$ 21,3 bilhões em abril, com queda de 14,9% na comparação anual. No acumulado de janeiro a abril, o recuo chega a 12%.

Máquinas agrícolas seguem entre os segmentos mais afetados

Segundo a associação, fabricantes de bens de capital voltados ao agronegócio continuam concentrando algumas das maiores perdas do setor.

A entidade atribui o cenário principalmente ao ambiente de juros elevados e à maior dificuldade de acesso ao crédito, fatores que vêm reduzindo a capacidade de investimento dos produtores e das empresas.

“A desaceleração deixou de ser pontual e ganhou caráter mais persistente”, destacou a Abimaq no relatório.

Exportações crescem, mas não compensam retração interna

Apesar do avanço das exportações de máquinas e equipamentos em abril, o desempenho externo ainda não foi suficiente para compensar a fraqueza do mercado doméstico.

Os embarques cresceram 41,7% na comparação anual, somando US$ 1,47 bilhão no mês. Ainda assim, a entidade alerta que parte desse avanço ocorreu devido a uma base fraca de comparação em 2025 e à entrega pontual de grandes projetos industriais.

Outro fator que preocupa o setor é o aumento da participação de produtos importados no mercado brasileiro. Segundo a Abimaq, as importações passaram a representar 49% do consumo nacional de máquinas e equipamentos nos primeiros meses de 2026.

A China segue como principal origem das máquinas importadas pelo Brasil, com destaque para equipamentos destinados à logística, construção civil, indústria e agricultura.

Projeções

O enfraquecimento da atividade também começou a impactar o mercado de trabalho. Em abril, o setor fechou cerca de mil vagas, principalmente nos segmentos ligados ao agronegócio.

Diante do cenário mais desafiador, a Abimaq revisou suas projeções para 2026. A expectativa anterior era de crescimento de 0,7% na receita interna do setor, mas agora a entidade projeta queda de 2,7%.

A associação avalia que a combinação entre juros elevados, crédito restrito, perda de competitividade da indústria nacional e menor confiança para novos investimentos deve continuar pressionando o desempenho da indústria de máquinas ao longo dos próximos meses.

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