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Buainain defende combate ao desmatamento e mudança de cultura no agro

Buainain defende combate ao desmatamento e mudança de cultura no agro


O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro de Economia Aplicada, Agrícola e do Meio Ambiente Antonio Marcio Buainain afirmou, nesta quinta-feira (14), que o agronegócio brasileiro precisa incorporar de forma direta a agenda da sustentabilidade. Em palestra no São Paulo Innovation Week (SPIW), ele disse que o enfrentamento ao desmatamento e a revisão da lógica de expansão territorial são pontos centrais para a posição do setor no mercado e na percepção internacional.

No painel “Agro: herói ou vilão? O Brasil que o Mundo não Entende”, Buainain afirmou que a sustentabilidade deixou de ser um tema periférico e passou a influenciar a competitividade do agro. Segundo ele, isso exige enfrentar “com muita seriedade” o desmatamento ilegal e também o desmatamento legal, além de ampliar a atenção do setor às populações indígenas e a grupos socialmente marginalizados.

O pesquisador também questionou o argumento de que os ganhos de produtividade eliminariam a necessidade de abertura de novas áreas. Como exemplo, citou a continuidade da expansão da fronteira agrícola, mesmo com a modernização do sistema produtivo. Ao mencionar a SLC Agrícola, Buainain observou que a empresa passou de 600 mil hectares para 850 mil hectares plantados, em referência ao avanço de área citado durante o evento.

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No mesmo painel, o diretor da área agroambiental da Fundação Dom Cabral e ex-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, afirmou que o setor tem características distintas e pode reunir resultados positivos e passivos socioambientais ao mesmo tempo. Ele citou, como contraste, a oferta de alimentos a preços acessíveis — um prato nutritivo por R$ 25 — e, de outro lado, os efeitos de desmatamento e grilagem na Amazônia sobre a imagem do país.

Já o diretor de ESG do Itaú BBA, João Adrien, disse que a agenda climática também pode abrir oportunidades comerciais ao Brasil. Segundo ele, políticas ligadas a biocombustíveis já aumentam a demanda por milho e soja, com efeito sobre os preços desses produtos.

As declarações convergiram para a avaliação de que a agenda socioambiental tende a influenciar acesso a mercados, posicionamento internacional e estratégias de produção. No evento, não foram detalhados indicadores adicionais sobre impacto econômico por cadeia produtiva.

Fonte: Estadão Conteúdo

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