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‘Energia e alimento andam juntos’, afirma CEO da Datagro sobre avanço dos biocombustíveis

‘Energia e alimento andam juntos’, afirma CEO da Datagro sobre avanço dos biocombustíveis


Foto: Giro do Boi/reprodução

Em entrevista ao Giro do Boi nesta terça-feira (19), Plínio Nastari, fundador e CEO da Datagro, analisou a dinâmica dos biocombustíveis e sua relação com a segurança alimentar. O economista afirmou que a produção de energia pelo agro não compete com o alimento, mas funciona como uma alavanca para a produtividade.

Nastari ressaltou que a industrialização de grãos como milho e sorgo para a produção de etanol gera valor agregado e injeta no mercado volumes massivos de coprodutos proteicos, como o DDG, que barateiam e aceleram a engorda na pecuária de corte e de outras proteínas. Um exemplo prático dessa sinergia ocorre no Mato Grosso, onde a chegada das usinas de biocombustível transformou a economia regional.

Impacto na economia regional

No passado, o preço do milho em Sorriso (MT) era balizado pelo valor do porto de Paranaguá, subtraído o custo do frete. Com a demanda das usinas de etanol, o cenário mudou: em diversos momentos recentes, o preço do grão dentro de Sorriso empatou com o de Paranaguá. A garantia de escoamento e a valorização da saca tiraram o milho safrinha da marginalidade, levando os agricultores a investir em adubação de precisão e proteção de cultivo.

Esse ganho de eficiência agrícola tem gerado abundância de DDG e WDG, que hoje respondem pela nutrição de dez milhões de cabeças na terminação intensiva a pasto (TIP), contribuindo para a produção de carne bovina, suína, de aves e ovos para a exportação competitiva.

Modelo brasileiro na África

Nastari destacou que o continente africano enfrenta uma crise de insegurança alimentar e depende fortemente de derivados de petróleo. Ele sugeriu que países como a Nigéria utilizem o modelo de integração do Brasil para mitigar esses problemas. Segundo ele, processar matérias-primas localmente garante uma base de consumo que gera renda estável para o pequeno produtor.

A implantação de usinas locais de biocombustível pode reduzir a necessidade de importação de combustíveis fósseis, endereçar a fome estrutural e atuar na mitigação da emergência climática. Apesar do otimismo com o potencial brasileiro, o economista alertou para os riscos de mercado e a necessidade de blindagem financeira para a próxima safra.

Desafios para o produtor brasileiro

Diferente dos produtores americanos e europeus, o produtor brasileiro assume todos os riscos climáticos e biológicos sem o suporte de subsídios robustos. O Brasil importa entre 85% e 90% dos fertilizantes utilizados, a maior parte proveniente da Rússia e dos países do Golfo (Catar e Omã). Com as margens da soja e do milho mais apertadas em 2026, o uso de mecanismos de trava de preço na Bolsa (B3) se torna obrigatório para garantir o custo de produção e o lucro mínimo.

Nastari concluiu que o produtor rural brasileiro é essencial para a economia, afirmando que o Brasil continuará superando os desafios de mercado, devido à regulação eficiente, terra, água e competência técnica.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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