O Projeto Campo Futuro, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizou entre segunda-feira (19) e quinta-feira (22) painéis de levantamento de custos de produção para batata, camarão e cana-de-açúcar. As análises abrangeram propriedades modais em Perdizes (MG), Guarapuava (PR), Itabaiana (PB) e Nova Alvorada do Sul (MS). Os resultados indicaram margens apertadas ou negativas em parte das atividades avaliadas.
Na aquicultura, o painel em Itabaiana (PB), realizado na segunda-feira (19), considerou uma propriedade modal com 20 hectares de área total, 2,3 hectares de área produtiva em viveiro escavado e produção de 6 toneladas por ciclo, com duração média de 90 dias. Segundo o levantamento, ração representa 40% dos custos, forma jovem 36% e energia elétrica 8%, concentrando mais de 80% do gasto total. A taxa de mortalidade de 50% foi apontada como um dos principais gargalos, com efeito direto sobre produtividade e rentabilidade.
Na cana-de-açúcar, o painel em Nova Alvorada do Sul (MS), também na segunda-feira (19), analisou uma propriedade modal de 1.000 hectares, com 80% da produção em áreas arrendadas. A expectativa para a safra 2026/2027 é de 80 toneladas por hectare, com seis cortes por ciclo produtivo e cerca de 130 quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana. De acordo com a CNA, o cenário econômico regional indica margens negativas, com piora na análise de longo prazo.
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Em hortaliças, o painel de batata indústria em Perdizes (MG) avaliou uma propriedade modal com 200 hectares cultivados e produtividade média de 42 toneladas por hectare. Desse volume, 85% seguem para a indústria e 15% para o mercado in natura. A análise de custos e preços no momento da comercialização indicou margens apertadas.
Em Guarapuava (PR), na quarta-feira (21), o levantamento considerou 50 hectares no ciclo das águas e outros 50 hectares no plantio da seca, com produtividades médias de 40 toneladas por hectare e 30 toneladas por hectare, respectivamente. Segundo os produtores, o ciclo das águas tem maior produtividade, mas registra preços mais baixos e maior pressão de pragas e doenças, o que eleva o custo de manejo. O painel apontou margens negativas para a cultura.
O material divulgado informa, no cabeçalho, a realização de painéis em Sergipe, mas o detalhamento do evento de camarão cita Itabaiana, na Paraíba. A CNA não esclareceu essa divergência no conteúdo disponibilizado.
Os levantamentos do Campo Futuro mostram que custo operacional, produtividade, sanidade e preço de comercialização seguem como variáveis centrais para a viabilidade dessas atividades. Sem detalhamento adicional sobre preços, receitas por unidade ou séries históricas, não é possível projetar mudança de margem no curto prazo além do diagnóstico apresentado nos painéis.
Fonte: cnabrasil.org.br
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