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Dirigente do Fed diz que chance de alta de juros nos EUA é maior do que zero

Dirigente do Fed diz que chance de alta de juros nos EUA é maior do que zero


O presidente do Federal Reserve de St. Louis, Alberto Musalem, afirmou nesta quinta-feira (28) que a possibilidade de o banco central dos Estados Unidos voltar a elevar os juros “é maior do que zero”. A declaração foi dada em entrevista à Bloomberg TV, em um contexto de inflação acima da meta, economia resiliente e aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais.

Segundo Musalem, o viés de flexibilização monetária já não está mais alinhado aos riscos atuais da economia norte-americana. Ele afirmou que a política monetária dos Estados Unidos parece estar “em ou abaixo” da taxa neutra de longo prazo, avaliação que sustenta uma postura mais cautelosa por parte do Federal Reserve (Fed).

O dirigente também disse que a inflação segue acima da meta do Fed há algum tempo, o que exige vigilância adicional. Na avaliação dele, o mercado de renda fixa vem precificando uma economia ainda firme e expectativas mais elevadas para os juros neutros. Musalem estimou que cerca de três quartos da alta recente nos rendimentos dos Treasuries decorrem da elevação da taxa neutra esperada, enquanto o restante reflete aumento do prêmio de prazo.

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As declarações ocorreram em meio ao acompanhamento dos efeitos das tensões no Oriente Médio e das negociações entre Estados Unidos e Irã. O mercado também reagiu à informação, divulgada pela Axios, de que os dois países chegaram a um acordo preliminar para um memorando de entendimento de 60 dias, ainda sem aprovação final do presidente Donald Trump.

Musalem comentou ainda que reduzir a demanda dos bancos por reservas seria uma alternativa mais gradual para enxugar o balanço do Fed do que cortar diretamente a oferta de liquidez. Segundo ele, um balanço robusto também pode trazer benefícios para a estabilidade financeira.

Para o agronegócio, a sinalização de juros mais altos ou mantidos em nível elevado nos Estados Unidos é relevante porque tende a influenciar o dólar, o custo global do crédito e o comportamento dos investidores em ativos ligados a commodities. O efeito final sobre exportações e preços dependerá da reação do câmbio, da demanda internacional e das próximas decisões do Fed.

No curto prazo, o mercado deve continuar acompanhando os próximos indicadores de inflação e atividade nos Estados Unidos para medir se a autoridade monetária manterá os juros no nível atual ou voltará a discutir alta. Sem nova sinalização formal do Fed além das declarações de Musalem, não há base técnica para definir o momento de uma eventual mudança.

Fonte: Estadão Conteúdo

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